Conheça a história do bairro de Flores através de documentos antigos e originais

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O Barão (também Visconde) de Maracajú “Rufino Eneias Gustavo Galvão”, Presidente da Província do Amazonas de 1878-1879, anunciava a retomada do projeto de fundação de colônias agrícolas de abastecimento alimentar da região.

Na Mensagem de 24.08.1878, FALLA o Presidente da Província do Amazonas, Barão de Maracajú, explana que na estrada aberta ao norte desta cidade, lugar escolhido pela comissão de colonização para uma colônia de estrangeiros, cuja fundação não realizou-se, estabeleceram-se também emigrantes cearenses nos lotes de terras já medidos e demarcados, que ainda não estavam ocupados, com picadas paralelas e perpendiculares aberta, sendo pelos desejos que manifestaram os seus habitantes passou essa colônia a ser denominada – Maracajú, cuja estrada principal ficou conhecida como “Estrada da Colonia”, havendo as secundárias sem denominação.

Foi em 1878, assim criada a Colônia Maracajú a partir da periferia de Manaus, seja do Boulevard Amazonas, com a finalidade agrícola e trazendo 647 imigrantes cearenses.

Posteriormente a Colônia Maracajú, denominou-se Colônia João Alfredo, relatando assim documentos da época e corroborando o historiador e professor Mário Ipiranga Monteiro em seu Roteiro Histórico de Manaus com a publicação da Ata da Instalação de 30/01/1889 da colônia, e ulteriormente em homenagem ao conselheiro João Alfredo Correia de Oliveira.

A alteração do nome de Colônia Maracajú à Colônia João Alfredo é possível se ver também durante registro no Diário Oficial de 12 de junho de 1894, conforme abaixo:

Colonia Maracaju hoje João Alfredo

A Colônia Campos Salles recebeu esse nome em homenagem ao 4º Presidente do Brasil República – Manuel Ferraz de Campos Salles e foi inaugurada em 13 de maio de 1899, distando de Manaus (do ponto terminal da linha de Flores) uns três quilômetros, segundo as Mensagens de Governo do Amazonas, Governador Silvério José Nery relatadas em 10/07/1903 e 1905.

Planta da Colônia Campos Salles em

O texto abaixo relata que a Colônia Campos Salles já estava inaugurada e que o local era modelo para que se fizessem outros campos coloniais, mas para isso, o governo coloca o modelo de imigrante que gostaria de ter para o desenvolvimento agrícola do Amazonas.

1899 - Colonia Campos Salles - Manáos Railway Cº e seus trilhos
1899 – Colonia Campos Salles – Manáos Railway Cº e seus trilhos

Conforme jornal A Federação, de 17 de outubro de 1899, traz uma nota sobre a origem do nome da Colônia Campos Salles.

1899 - Colonia Campos Salles
1899 – Colonia Campos Salles

AS ESTRADAS CARROÇÁVEIS E DE RODAGENS.

O inicio de construção de estrada Epaminondas está registrado na publicação de  03/07/1856, do jornal Estrella do Amazonas, no qual o governo comunica que vai construir uma estrada para carros e cavalos até a Cachoeira Grande, ou seja até o igarapé da Cachoeira Grande.

A estrada da Cachoeira Grande se denominou Dr. Moreira, conforme publicação do Paço da Câmara Municipal de 09.06.1880 pelos vereadores Dr. David Canavarro e Capitão Malcher.
Posteriormente, a chamar-se estrada Epaminondas, e mais tarde como Avenida Constantino Nery, conforme a Lei nº 426 de 30.11.1905 da Intendência Municipal, Superintendente Adolpho Guilherme de Miranda Lisboa, e depois teve sucessivas mudanças de nomes até permanecer como Avenida Constantino Nery, no blog de “Baú Velho” – Avenida Constantino Nery, à saber:

  • Em 1905 – Lei nº 426 de 30.11.1905, foi oficializada para Avenida Constantino Nery.
  • Em 1910 – A Intendência Municipal em 28.09.1910, pelo projeto do Intendente Alberto Botelho Coelho mudou para Avenida João Coelho, em homenagem ao então governador do Pará, Dr. João Antônio Luiz Coelho.
  • Em 1919 – Lei nº 999 de 20.03.1919, pelo plano do Intendente Licínio Silva mudou para Avenida Olavo Bilac
  • Em 1927 – pela proposta do Intendente Municipal Sérgio Rodrigues Pessoa, restabeleceu para Avenida Constantino Nery.
  • Em 1930 – Decreto nº 03 de 01.11.1930, o Prefeito Municipal Marciano Armond retornou a chamar Avenida Olavo Bilac.
  • Em 1953 – Lei nº 295 de 12.10.1953, pelo projeto do Vereador Walter Scott da Silva Rayol volta para o nome primitivo de Avenida Constantino Nery.

Inclusive, é possível ver um pequeno obelisco que carrega a placa memorial da inauguração da rua João Coelho e que hoje em dia a chamamos de Avenida Constantino Nery.

Inaugurado em 8 de dezembro de 1906 pelo Excelentíssimo Senhor Doutor Antonio Constantino Nery, Governador do Estado. Sendo o Director das Obras Públicas o Senhor Doutor Jacinto Estellita Jorge.

Marco Inaugural da Avenida Constantino Nery (1906).
Marco Inaugural da Avenida Constantino Nery (1906).

Com a Lei nº 16 de 08.10.1892 e a Mensagem do Governo do Amazonas em sua exposição de 10/07/1893, e quando da construção da estrada de rodagem de Manaus à Vila da Boa Vista do Rio Branco (atual Estado de Roraima), ficou conhecida como BR-17, Manaus Bôa Vista, Manaus Roraima, BR-174; também conhecida como Rodovia/Estrada AM-01 e AM-010 Manaus-Itacoatiara, e atualmente Avenida Torquato Tapajós, obviamente no contexto do perímetro de Manaus. Depois do perímetro, segue distintamente para Boa Vista-RR (BR-174) à esquerda, e para Itacoatiara (AM-010) em frente.

Na foto de Corrêa Lima é possível perceber que inicialmente a estrada da Colônia João Alfredo, posteriormente estrada João Alfredo (que hoje é a Av. Djalma Batista), que partindo do Boulevard Amazonas ia unir-se à estrada de ‘Manaus à Vila do Rio Branco’ ou da colônia Campos Salles (que hoje é a Av. Torquato Tapajós), nas proximidades da ponte do igarapé dos Franceses. Hoje é atualmente nas proximidades da esquina da antiga estrada do Aeroclube, ou seja, na cabeceira da atual Av. Prof. Nilton Lins.

Enquanto que, a Av. Constantino Nery se encontrava com a dita estrada do Rio Branco ou da colônia Campos Salles, antes das proximidades do Aero Clube do Amazonas. Próximo onde hoje tem o Complexo Viário de Flores.

Foto : CORREA LIMA

Com o passar dos anos e o lançamento do Complexo Viário de Flores, inaugurado em 1995, que recebeu a denominação pela Prefeitura de Manaus de Complexo Viário Plínio Ramos Coelho. A Avenida Constantino Nery, Avenida Djalma Batista e a Avenida Mário Ypiranga Monteiro (Recife) passaram a se encontrar na entrada da estrada do Aeroclube, em Flores, zona centro-sul.

É possível observar essa mudança comparando a imagem antiga de Manaus e a imagem retirada do livro Manaus 343 do escritor Durango Duarte. Livro publicado em 2012 homenageando a capital amazonense pelo seu 343º aniversário.

O Complexo Viário de Flores foi inaugurado em 1995 / Imagem retirada do livro Manaus 343 do escritor Durango Duarte.

O AERO CLUBE DO AMAZONAS (ACA)

O Aero Clube do Amazonas (ACA), fundado em 24 de agosto de 1940 conforme documento do Diário Oficial teve seu estatuto publicado no Diário Oficial do Estado do Amazonas no mesmo dia e através do Decreto nº 471 de 31 de agosto de 1940 do Governo do Amazonas, foi considerado como de utilidade pública. Terreno este doado e as benfeitorias construído pelo Governo do Estado – galpão e campo de aviação entre os anos de 1940 e 1941.

Abaixo, documentos do Diário Oficial publicado em 24 de agosto de 1940 que rege sobre os Estatutos do Aéro Club do Amazonas (ACA).

DIÁRIO OFICIAL DO ESTADO , VERSANDO SOBRE A ESTRADA DO AEROCLUBE.

1) DOE de 24.10.1942 – Decreto-Lei nº 906 de 24.10.1942… para desapropriação do terreno sito à Estrada Campos Salles (Flores), de propriedade do Sr. Aurélio Barroso de Sá, ocupado, em parte, pelo Campo de Aviação de Manaus.
2) DOE de 01.11.1942 – Decreto-Lei nº 917 de 01.11.1942…para indenização a d. Raimunda de Souza Sena e Maria de Nazaré de Sena Souza Rocha, da área de terras de sua propriedade, ocupadas pelo Campo de Aviação.

O Jornal do Commercio de 05 de junho de 1958, reporta a recuperação da escola de pilotagem do Aero Clube no campo de pouso localizado na estrada de Flores.

A Lei nº 509 de 09 de dezembro de 1999 do Município de Manaus, declara de utilidade publica o ACA, com sede na Estrada Torquato Tapajós.

Em seus primórdios, nos anos 50, o ACA ocupou a estrada João Alfredo, e em prosseguimento da mesma em direção norte, fez ocupação também, a conhecida cafetina Chica Bobó, ao instalar seu bordel com a famosa comida de galinha caipira. Transferiu à Missão Bíblica da Amazônia, que por sua vez transferiu ao finado sucateiro Carlitos, que instalou um ramo de sucatas de automóveis, sucedido por seu filho Carlitos (Sucatão do Carlito), permanecendo no ramo, atualmente. Ainda, em continuação da mesma no rumo norte, até nas proximidades da ponte do igarapé dos Franceses a estrada fora ocupadas por diversas pessoas.

Detalhe da Pista do Aeroclube de Manaus / FOTOS DE MANAUS ANTIGA CORREA LIMA
Detalhe da Pista do Aeroclube de Manaus / FOTOS DE MANAUS ANTIGA CORREA LIMA

Em síntese, e de forma resumida, o que estava à esquerda da Ponte de Ferro (Ponte Prudente de Moraes) da Avenida Constantino Nery, no sentido centro-bairro, era considerada a Colônia Campos Salles, enquanto o que estava ao lado direito da ponte era conhecido como Colônia João Alfredo.

Manaós Tramways
Manaós Tramways em direção à Flores.

Já na direção sul (à cidade), a estrada João Alfredo também, fora ocupada por diversas pessoas (inclusive a Termoelétrica da Eletrobrás de Flores, hotéis, comércios, residências, etc) , que atualmente desviando à esquerda da altura da Termoelétrica da Eletrobrás, ela converge para encontrar-se com a Av. Torquato Tapajós, na lateral do viaduto Governador Plinio Ramos Coelho que integra o complexo viário de Flores, falecendo assim, daí em diante (ao norte) a estrada João Alfredo.

Outrora a Mensagem do Governo do Amazonas de 10 de julho de 1903, o Governador Silvério José Nery em sua exposição à colônia Campos Salles, relata a necessidade de ser resolvido a abertura de uma estrada carroçável entre Flores, a estação terminal dos tranways elétricos e o Cariry.

Também, na Mensagem do Governo do Amazonas de 1905, em sua explanação relata que a Colônia Campos Salles dista de Manaus, do ponto terminal da linha de Flôres uns três quilômetros.

A estrada João Alfredo (estrada do Conselheiro), no perímetro suburbano, começava no Boulevard Amazonas e terminava nos Bilhares, franqueada ao publico a 13.06.1919. Essa estrada foi reconstruída pelo Governo do Amazonas, Governador Efigênio Ferreira Sales (1926-1929) até alcançar a colônia de João Alfredo, com 4 kilometros de percurso, conforme manifestado pelo historiador e professor Mario Ypiranga Monteiro, em seu “Roteiro Histórico de Manaus”. Isso ao entorno da Estrada do Aeroclube, atual Av. Prof. Nilton Lins.

A Mensagem do Governo do Amazonas de 1955, do Governador Plínio Ramos Coelho narra o projeto do empreendimento sobre a da estrada da Grande Circular de Manaus, que partindo do bairro de São Raimundo para o norte atravessará a estrada do Bombeamento e alcançará a chamada colônia dos Franceses, marginando, pelo poente, os terrenos que fazem frente para a Av. Constantino Nery após a ponte metálica do Pensador. De lá, da Colônia dos Franceses, a grande circular se dirigirá para leste, pelo curso do ramal rodoviário que lhes dá acesso, indo alcançar a BR-17 (atual Av. Torquato Tapajós) um pouco além de Flores, para aproveitar o pontilhão do mesmo nome, e se prosseguirá pelo norte do campo de pouso do Aero-Clube, onde hoje se localiza a Estrada Carroçável João Alfredo, marginando a área de terras pleiteado pelo Instituto de Pesquisas da Amazônia INPA/AM para a instalação de um horto e reserva florestal, com finalidade científicas, turísticas e escolhida pelo eminente botânico Dr. Duck. Daí, e de conformidade com o modelado do terreno, a estrada se dirigirá para o sul, atravessará a estrada do Aleixo e, possivelmente pelo divisor dos igarapés conhecidos pelos nomes de Japiim e “40”, alcançará a estrada do Paredão, a leste do Aeroporto da Ponte Pelada, que ligará ao Bairro de Flores.

O BAIRRO DE FLORES

O primeiro morador a adquirir um terreno pelas vias legais, onde hoje é o bairro, se chamava Francisco Rodrigues de Souza Flores, cujo titulo definitivo expedido em 20 fevereiro de 1895, concedido pelo Governador Eduardo Ribeiro, e em seu sítio, cultivava arvores frutíferas e mantinha criações de frangos e cavalos. Por este motivo, o bairro recebeu o nome de Flores, sendo sua porta de entrada a conhecida ponte dos Bilhares, que na atualidade está integrada ao bairro de São Geraldo.

Outrora, era a ponte metálica “Pensador” lançada sobre o igarapé da Cachoeira Grande nas proximidades do delta do igarapé do Mindú, foi dada em homenagem ao Governador Eduardo Ribeiro, intitulado “O Pensador”. Posteriormente, passou a denominar-se Bairro de Flores.

Bairro de Flores. Manaus / Foto : Acervo - IBGE
Bairro de Flores. Manaus / Foto : Acervo – IBGE

A PONTE METÁLICA

Pelo Decreto nº 3 de 04.07.1896 do Município de Manaus, pelo Superintendente Cel. Raymundo Affonso de Carvalho, a ponte metálica lançada sobre o igarapé da Cachoeira Grande, nas proximidades do delta do igarapé do Mindú, conhecida como ponte dos Bilhares, denomina Ponte Prudente de Moraes, homenageando o Presidente do Brasil – Prudente José de Morais e Barros, teve seu projeto inicial em 1893 conforme noticia o jornal Amazonas de 08.07.1893.

VISTA LATERAL DA PONTE PRUDENTE DE MORAES
Vista lateral da ponte, no início do século XX. In: Album do Amazonas 1901-1902.

No governo seguinte, seja o de Fileto Pires Ferreira, a ponte passou a ser denominada “Pensador”, em homenagem ao Governador Eduardo Gonçalves Ribeiro – intitulado “O Pensador”, ligava a estrada Epaminondas (atual Av. Constantino Nery que passou por diversos nomes) à entrada do bairro de Flores, ou seja o portal de entrada ao bairro de Flores.

Quanto à Ponte dos Bilhares, foi a segunda a ser construída na administração de Eduardo Ribeiro, também pelo engenheiro Frank Hirst Hebblethwaite. Localiza-se na avenida Constantino Nery, sobre o igarapé do Mindu.

Inaugurada em 18 de setembro de 1895, era denominada Ponte da Cachoeira Grande, por causa do nome original do igarapé. No ano seguinte, recebeu a nomenclatura de Ponte Prudente de Moraes (Decreto 3, de 4 de julho de 1896), em homenagem ao paulista que foi o primeiro civil a assumir a presidência da República.

Ponte Prudente de Moraes, sobre o igarapé da Cachoeira Grande. In: Album do Amazonas 1901-1902.

Ao longo dos anos, foi chamada de Ponte do Bosque, por estar próxima ao antigo Bosque Municipal; Ponte Eduardo Ribeiro e Ponte Pensador, em alusão ao governador que a construiu, e Ponte da Constantino Nery, em referência à avenida homônima.

No entanto, Ponte dos Bilhares é o seu nome mais conhecido, devido à proximidade ao então bairro Bilhares, atual bairro da Chapada. Com 120 metros de comprimento, sua reforma mais recente ocorreu na administração do prefeito Serafim Corrêa (2005-2008), por conta da construção do Parque Ponte dos Bilhares.

A CHÁCARA DO GOVERNADOR EDUARDO RIBEIRO

Construída à época para lazer do governador – O Pensador, fora posteriormente conhecida como o Asylo de Mendicidade (Jornal do Comércio de 31.01.1910), inaugurada em 31.01.1910, também como Asylo dos Alienados, Hospício Eduardo Ribeiro, Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro, atualmente. Situa-se nas proximidades da Loja Baianos, Estádio Vivaldo Lima, atual Arena da Amazônia.

Em 1905 o bonde ia até às alturas da Chácara do Pensador, onde era o terminal da linha de Flores.

Chácara de Eduardo Ribeiro, local onde hoje funciona o Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro
Chácara de Eduardo Ribeiro, local onde hoje funciona o Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro

OS BONDES DE MANAUS

Pela Lei nº 124 de 26.08.1895, o Governador Eduardo Ribeiro, autoriza a construção de uma via férrea suburbana de bitola estreita e por tração à vapor, com uma ou mais linhas, partindo do perímetro urbano para os bairros da Cachoeira Grande e Pequena, circulando a cidade, prolongando-se pelas terras da extinta colônia João Alfredo e dando derivação a outros ramais de reconhecida necessidade pelo Governo do Estado, sem prejuízo da viação urbana do bonde.

Abrirá o tráfego de 20 km de via férrea no prazo de dez meses, sendo dez nos seis primeiros meses e os outros dez nos quarto restantes e estabelecerá as estações e oficinas, em lugares determinados, de acordo com o Governo e submeterá a aprovação previa deste, o plano e planta da estrada e seus ramais. O concessionário fora o engenheiro civil Frank Hirst Habblethwhite, que formou a empresa Manaus Railway Company, dando inicio a instalação das linhas da cidade.

Em 24 de fevereiro de 1896 foi efetuada uma inauguração provisória para experiência.

Sobreposição do mapa do bonde de Manaus de 1895 (e suas projeções de expansão) com mapa de Manaus em 2018 / Fonte : Marcus Pessoa

Em 1897, conforme o relatório de Fileto Pires Ferreira, então Governador do Amazonas, a companha já construíra 16 km de linhas. Fora também, instalada uma usina hidrelétrica no igarapé da Cachoeira Grande, para atender o funcionamento das bombas de sucção para o bombeamento d’água aos reservatórios da cidade, também, aos bondes de tração elétrica, substituindo os de tração à vapor nos três anos então.

Em 01 de agosto de 1899, foi inaugurado oficialmente o serviço de transporte de passageiros por bondes em Manaus, trafegando por Flores, Plano Inclinado, Cachoeirinha, Circular, e finalmente a linha da Saudade – Praça 5 de Setembro, onde hoje encontra-se a Praça da Saudade.

Em 24.07.1902 o serviço dos bondes foi encampado pelo Governo do Estado e o repassou para a firma Travassos & Moranhas, que por sua vez transferiu para o engenheiro cubano Antônio Lavadeyra.

Por volta do ano de 1905, o bairro de Flores já era servido por linha de bonde, que se estendia até o “rendes vouz” o “Ângelus”, localizado na esquina de um pequeno ramal em frente do Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro, onde hoje fica o Baianos, com a Rua João Alfredo, hoje Djalma Batista.

Dai em diante, os moradores seguiam a pé pelos ramais até a área conhecida como Franceses, que deu origem à estrada dos Franceses, atual desembargador João Machado, entre outras.

A Lei nº 481 de 21.08.1905 do Governo do Amazonas, autoriza o governo, a construção de uma linha férrea entre o arrabalde de Flores e a Colônia Campos Salles. À aquela altura, o ponto terminal do bonde era na proximidade do Hospital dos Alienados (Eduardo Ribeiro) porém essa obra fora inexecutada, pois não saiu do papel, tanto que outra lei, 5 anos mais tarde, fez a solicitação do mesmo serviço, conforme mostram documentos abaixo:

A Lei nº 493 de 23.10.1905 do Governo do Amazonas, autoriza o Governo a contratar com os engenheiros Hermano de Vasconcellos Bittencourt Junior e Humberto Saboia de Albuquerque a construção de uma linha férrea entre a Colônia Campos Salles e o rio Jauapery, observando-se após a construção da estrada de ferro de Flores à Colonia Campos Salles, autorizada pela Lei nº 481 de 21.08.1905. Inexecutada, pois não saiu do papel.

A Lei nº 426 de 30.11.1905 da Intendência Municipal de Manaus, que dá a denominação de avenida Constantino Nery a artéria que se está abrindo em seguimento a estrada Epaminondas e que comunica esta cidade ao bairro de Flores.

A Mensagem de Governo do Amazonas em 10.07.1906, em sua exposição declara paralisadas as sequintes obras: o edifício da nova Chefatura de Segurança, cujas bases se erguem à Praça da República; o Asylo de Alienados, no bairro de Flores; e a avenida Constantino Nery, natural ligação da estrada com esta cidade, por onde já se opera um considerável movimento de veículos.

Também, declara que a Colonia Campos Salles, não menos prospera, poderia, em razão da feracidade de seu solo, apresentar resultado muito mais compensador, se já fosse ligada a esta cidade pela via férrea projetada, cujos estudos se acham concluídos, dependendo sua execução, dos meios que entenderdes armar o governo.

Em 1908 é fundada a Manaus Tramways and Light Co., com concessão para luz e bondes elétricos durante 60 anos a partir de 27.04.1908. Esta nova companhia absorve a antiga Manaus Railway Co. e entra em atividade em 1909.

Em 21.07.1910, o jornal Correio do Norte, publica e noticia o protesto do engenheiro civil Hermano Vasconcellos Bittencourt Junior e Humberto Saboya de Albuquerque ao Presidente e demais membros do Congresso do Amazonas, sobre a estrada de ferro do Rio Branco à execução da concessão pelo qual se ocupa, que destina a ligar Manaus a Boa Vista do Rio Branco (atual Estado de Roraima) . Também, do protesto a construir a estrada de ferro ligando o ponto terminal da linha do bonde de Flores à colônia Campos Salles, encarregado pelo governo de proceder aos estudos da referida estrada que fora cuidadosamente efetuados; assim como do interesse da estrada de ferro para Itacoatiara, cuja concessão a executar ligaria Manaus a Itacoatiara. Inexecutadas, pois não saiu do papel.

Com a Lei nº 630 de 06.10.1910 do Governo do Amazonas, autoriza o governo, o prolongamento ou construção de uma linha de bondes de tração elétrica que partindo de Flores termine na Colônia Campos Salles. Essa por sua vez, também ficou inexecutada, pois não saiu do papel.

Em 11/09/1916 o Jornal do Commercio, reporta a linha de bondes com a denominação de Colônia era assim chamada por se dirigir com rumo da Colonia Campos Salles. Partia daquele ponto subindo a estrada Epaminondas, fazia a volta pela praça da Saudade, indo à rua Cearense, onde existia uma caixa d’agua, para abastecer as maxambombas (bondes de tração à vapor). Seguiam os bondes, depois, pela atual linha de Flores e tinham o ponto terminal, mais ou menos onde hoje está a chácara Pensador.

Em 1914/1918, com o inicio da Primeira Guerra Mundial, começou a decadência dos bondes, impediu a importação de material como peças de reposição e por isso dificultava à ampliação, atingindo também Manaus.

A estrada do Conselheiro (João Alfredo) que começava no Boulevard do Amazonas e terminava nos Bilhares, foi franquiada ao público em 13 de junho de 1919. Essa estrada foi reconstruída no governo do dr. Efigênio Ferreira de Sales (1926 – 1929) até alcançar a colônia de João Alfredo, com quatro quilômetros de percurso.

Em 1940, de de acordo com a Exposição ao Exmo Sr. Dr. Getúlio Vargas, Presidente da República, ficou decretado que em terreno cedido para esse fim, no bairro de Flores, a cinco quilômetros da cidade, servidor por linha de bonde e rodovia, foi construído, pelo Estado, um campo de aviação, entregue ao Aéro Club Local.

Em 1939/1945, ao fim da Segunda Guerra Mundial, os serviços de bonde decaíram tanto nas cidades brasileiras, que em Setembro de 1946, o presidente da República assinou um decreto autorizando a intervenção federal na Manaus Tramways, a fim de assegurar a normalidade dos serviços.

Em 1947 foi extinta a intervenção federal, também por decreto presidencial, mas a Companhia já se encontrava em fase de penúria.

Em 11/02/1950 a Manaus Tramways foi encampada, quando as usinas de produção de energia elétrica já eram obsoletas e insuficientes . Por economia de energia, foi interrompido os serviços de bondes em Manaus.

Em 1955, em Mensagem à Assembleia Legislativa, o governador Plínio Ramos Coelho, cita que “partirá do bairro de São Raimundo para o norte, atravessará a estrada do Bombeamento e alcançará a chamada Colônia dos Franceses, marginando, pelo poente, os terrenos que fazem frente para a avenida Constantino Nery após a ponte metálica do Pensador. De lá, da Colônia dos Franceses, a grande circular se dirigirá para leste, pelo curso do ramal rodoviário que lhes dá acesso, indo alcançar a BR-17 um pouco além de Flores, para aproveitar o pontilhão do mesmo nome, e se prosseguirá pelo norte do campo de pouso do AeroClube, onde hoje se localiza a Estrada Carroçável João Alfredo”.

Em 1956, através da Companhia de Eletricidade de Manaus, numa tentativa efêmera os bondes foram postos novamente em funcionamento, mesmo não havendo possibilidades de compra e reposição de novos bondes, além da expansão das linhas.

Além disso, em 28.02.1957, motivou a extinção definitiva dos serviços de bondes em Manaus, em razão da antiga companhia inglesa ainda lutava nos tribunais pela posse de sua concessão.

Enfim, ficou na saudade, a famosa morcegada. A rapaziada pobre se divertia a seu modo, inventando um esporte novo e perigoso, que demandava agilidade e coragem e que deu origem a um verbo só nosso: morcegar.

Manaós Tramways
Manaós Tramways / Morcegar consistia em tomar o bonde em movimento e logo em seguida saltar.

Morcegar consistia em tomar o bonde em movimento e logo em seguida saltar. Quando o veiculo vinha em marcha moderada, alguns eram capazes de tomar e saltar do “bonde andando” mais de uma vez. O segredo da proeza perfeita era a simultaneidade: as mãos no balaústre e os pés na plataforma; no salto bem calculado, as mãos já iam em concha. Rapaz que se prezasse só saltava de costas, principalmente se a namorada andasse por perto: corria dois ou três passos na plataforma e se lançava no ar na direção oposta ao bonde; mal tocava o chão, o corpo iniciava a corrida, também de costas, amortecendo o impulso em sentido inverso. Assim, o bonde desenvolvia 10-15 km/h, percorrendo mais ou menos 250 m/min.

RESUMO DA TRAJETÓRIA DA ESTRADA DO AEROCLUBE

  • Em 1878, foi criada a Colônia Maracajú a partir da periferia de Manaus ( Regulamento de 24/08/1878), posteriormente denominada Colônia João Alfredo em 1889 (Ata da instalação da colônia).
  • Com a Lei nº 16 de 08.10.1892 (Mensagem de Governo do Estado do Amazonas 10/07/1893) e quando da construção da estrada de rodagem de Manaus à Vila da Boa Vista do Rio Branco (atual Estado de Roraima), ficou conhecida como BR-17, Manaus Boa Vista, Manaus Roraima, BR-174; também conhecida como Rodovia/Estrada AM-01 e AM-010 Manaus-Itacoatiara, e atualmente Avenida Torquato Tapajós, obviamente no contexto do perímetro de Manaus. Depois do perímetro, segue distintamente para Boa Vista-RR (BR-174) à esquerda, e para Itacoatiara (AM-010) em frente;
  • A Colônia Campo Salles foi inaugurada em 13 de maio de 1899 ( Mensagem de Governo do Estado do Amazonas e Jornal A Federação);
  • Após a construção da estrada e ramais, no caso até 1940, a estrada era tida como ”estrada sem denominação”. No sentido oeste->leste era conhecida como “estrada que vai para a Colônia João Alfredo”, e no sentido leste->oeste era conhecida como “estrada que vai para a Colônia Campos Salles”;
  • De 1940 até 1966, ficou nos registros oficiais como “estrada sem denominação”.
  • Com a instalação do Aero Clube de Manaus em 1940, ficou sendo conhecida como estrada do Aeroclube;
  • Em 1949 essa estrada também recebeu o apelido de “Caminho Santa Cruz”;
  • Com a Lei nº 343, de 12.06.1996 da Prefeitura Municipal de Manaus, ela altera de Estrada do Aeroclube para Rua Barão de Itarapé;
  • Com a Lei nº 576 de 23 de novembro de 2000, fica alterada a denominação da rua Barão de Itarapé para Avenida do Aeroclube;
  • Com a Lei nº 635 de 30 de novembro de 2001, integraram-se a Avenida do Aeroclube, Avenida Amazonas, Rua Visconde de Cairu e Avenida Marquês de Nhambupé em um único logradouro e todas essas unidas passaram a se chamar Avenida Professor Nilton Lins.

Os Igarapés que passam pelo bairro de Flores

IGARAPÉ DO MINDU

O Igarapé do Mindu possui três nascentes por isso é o maior igarapé de Manaus, com 22 quilômetros. A Bacia Hidrográfica do igarapé do Mindu é considerada uma das bacias urbanas mais importantes da cidade de Manaus, pois abrange parte dos bairros de Adrianópolis, Aleixo, Cidade de Deus, Cidade Nova, Coroado, Flores, Gilberto Mestrinho, Jorge Teixeira, Nossa Senhora das Graças, Novo Aleixo, Parque 10 de Novembro, São José Operário e Tancredo Neves, integrantes das Zonas Leste, Norte e Centro-Sul da cidade.

O igarapé do Mindu cruza a área urbana no sentido NE-SW, sua principal nascente localiza-se no bairro Cidade de Deus, próximo a Reserva Adolpho Ducke, e após cruzar as avenidas Djalma Batista e Constantino Nery desagua no Igarapé da Cachoeira Grande no bairro São Jorge, localizada no encontro deste com o Igarapé dos Franceses, nas coordenadas, abrangendo cerca de 20 km de extensão.

Igarapé do Mindu

IGARAPÉ DO BINDÁ

O Igarapé do Bindá tem a sua nascente no bairro Cidade Nova (zona Norte) até o São Raimundo (zona Oeste), onde deságua. A sua nascente está localizada no conjunto Mundo Novo, na Zona Norte do município de Manaus.

Percurso do Igarapé do Bindá

Esse igarapé percorre a cidade de Manaus no sentido norte – centro -sul, delimitando os seguintes bairros – Cidade Nova, Flore s( passando pela Faculdade Nilton Lins), Parque 10 de Novembro e o bairro da Chapada ao lado do Conjunto Eldorado, tendo sua foz no igarapé dos Franceses após cruzar as avenidas Djalma Batista e Constantino Nery.

Igarapé do Bindá

Igarapé dos Franceses

Igarapé dos Franceses tem sua nascente no Bairro Novo Israel, passando pelos bairros: Colônia Santo Antônio, Flores, Alvorada e bairro da Chapada e deságua no igarapé Cachoeira Grande no bairro de São Jorge e por sua vez deságua na bacia do São Raimundo.

Igarapé dos Franceses, do Bindá e do Mindu em Manaus
Igarapé dos Franceses, do Bindá e do Mindu em Manaus

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