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Manaus, AM, Quinta-Feira, 22 de Fevereiro de 2024

Memórias do Amazonas

Conheça o túmulo original da Santa Etelvina em Manaus

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A equipe do Portal No Amazonas é Assim esteve aonde nenhuma Adriana jamais Esteves, e trouxe em primeira mão o local exato da morte da jovem Etelvina Alencar, uma jovem nordestina de 17 anos de idade, sacrificada às mãos de um conterrâneo seu, o qual se deixara dominar por estranha e mórbida paixão. O crime chocou a cidade de Manaus em 1901, há aproximados 120 anos. O ocorrido repercutiu em todo o País.

Filha de Cosme José de Alencar e Antonia Rosalina de Alencar, Etelvina nasceu em Boa Vista do Icó (CE), em 1884, vindo para Manaus em companhia de sua genitora, já então viúva, e de três irmãs, sendo uma destas casada. Desta capital se transportou a família à Colônia “Campos Sales”, inaugurada dois anos antes, onde se ia dedicar aos labores agrícolas.

Na colônia, Etelvina veio a conhecer o colono de nome José que logo a primeira vista por ela se apaixonou, seguindo-se o ajuste de casamento. Cedo, porém, a desilusão: a jovem fez saber a José [que] não mais desejava casar–se com ele, desfazendo-se, deste modo, os compromissos assumidos anteriormente.

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Grande abalo produziu no espírito de José o rompimento do noivado. Meio pequeno, constituído como que de uma família, a notícia provocou sensação. Houve mesmo quem afirmasse que Etelvina possuía três namorados: Antonio, Estevam e Henrique. Tudo isso ouvira José e dando crédito às intrigas que lhe contavam, jurou vingar-se, não só da ex-namorada, mas, igualmente, dos três rapazes que imaginava causadores de sua infelicidade. E tudo planejou, fria e demoradamente.

Veio à cidade, onde adquiriu um rifle e farta munição. Mataria a todos, dissera ele a amigos. Estávamos em março de 1901.

E, assim, aconteceu. Mal entrava na área da colônia, alveja a tiros a Estevam, que descuidado não esperava a agressão; ao primeiro disparo ele corre, procurando se desvincilhar do assassino; um segundo tiro, porém, prostou-o sem vida. Mais adiante, estava Henrique, com quem José trava violenta luta corporal; subjugado o adversário, abateu-o a tiro. Um pobre caboclo, que dormia à sombra de uma árvore próximo à casa da administração, é a terceira vítima da fúria sanguinária do celerado.

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Cometidos os três crimes, José se dirige à residência de Etelvina, e, valendo-se do coice do rifle pôs abaixo a porta da casa. Nessa ocasião, aparece-lhe Versoli, administrador da colônia, que procura interceptar a entrada d o criminoso, sendo morto, por este.

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Suspeitando das intenções do bandido, a moça tenta fugir, no que é obstada por ele, que conseguiu alcançá-la e “quase nua, pés descalços, em camisão” (diz o poeta), a desventurada Etelvina é arrastada para a densa floresta que se estendia às proximidades da casa.

Infrutíferas foram as buscas nos primeiros dias. E, somente a 8 de março, é encontrado o local em que se consumara o derradeiro ato do imenso drama, misto de amor e ódio. Os urubus, em grupos simétricos, voejavam alto, sinal evidente de que lauto fora o repasto. E, ali, o quadro pungente que a todos estarreceu: duas caveiras se defrontavam, numa evocação sinistra dos últimos instantes, de pavor e de alucinação, que viveram aquelas duas criaturas. O rifle, entre os dois esqueletos, explicava a cena final: José matara a infeliz Etelvina, suicidando-se, a seguir.

Repousam os restos mortais de Etelvina de Alencar, ou “santa Etelvina”, como é por todos reverenciada, no cemitério de São João, em sepultura perpetuada por lei municipal n.º 233, de 30 de agosto de 1901, à sombra do jazigo que o Povo Amazonense ergueu à sua memória.

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E, desde antão as visitas ao seu túmulo se sucedem, ininterruptamente, durante o dia: são os devotos da meiga “santinha” que ali vão levar suas oblatas, ou acender um círio votivo pelo atendimento às suas súplicas e orações…

Porém, recentemente uma fábrica subiu um muro, interrompendo a romaria e abandonando o túmulo em seu terreno. Hoje o túmulo está destruído e a cruz original do local foi transferido para um outro túmulo antes do muro divisor. No local da morte de Etelvina Alencar existia também uma árvore, chamada de o “Pau da Santa”. Essa árvore foi cortada e o pau da santa deu forma à Cruz que fica em frente à Igreja.

Antes o túmulo estava assim conforme registro abaixo:

Túmulo original da Santa Etelvina / Foto : Blog do Jr News

Hoje, está conforme nossa matéria. Trouxemos um pouco da história no vídeo. Assista abaixo e não se esqueça de inscrever em nosso canal no Youtube https://www.youtube.com/noamazonas .

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Sou o idealizador do No Amazonas é Assim e um apaixonado pela nossa terra. Atualmente, participo de diversas ações e discussões na área de cultura, comunicação digital, turismo e empreendedorismo, além de ações sociais.

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