A desembargadora Luiza Cristina Marques, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), negou o pedido de revogação da prisão preventiva de Cleusimar Cardoso e Ademar Cardoso, mãe e irmão de Djidja Cardoso, no caso que apura a morte da ex-sinhazinha do Boi Garantido. A decisão, proferida no dia 13 de março, mantém os dois presos enquanto o processo segue em análise na Corte.
A defesa sustentou que há constrangimento ilegal, argumentando que Cleusimar e Ademar estão presos há mais de 600 dias. Também alegou excesso de prazo e falta de fundamentação para a manutenção da prisão preventiva. Apesar disso, a magistrada entendeu que, neste momento, não há elementos suficientes para a concessão de uma medida de urgência.
Na decisão, Luiza Cristina Marques destacou que o caso exige uma avaliação mais aprofundada e que a discussão não pode ser resolvida de forma precipitada em decisão individual. Por esse motivo, determinou a solicitação de informações adicionais à juíza responsável pelo processo em primeira instância, deixando a análise final para o órgão colegiado do tribunal.

Prisões após morte de Djidja
Cleusimar e Ademar foram presos em 30 de maio de 2024, um dia após a morte de Djidja Cardoso, que foi encontrada morta dentro de casa, no bairro Cidade Nova, zona norte de Manaus. O caso chocou o Amazonas e ganhou enorme repercussão após a polícia apontar a existência de um grupo envolvido no uso de substâncias psicotrópicas em supostos rituais.
Na mesma data, também foi presa Verônica da Costa Seixas, gerente do salão de beleza da vítima. As investigações se ampliaram e alcançaram outras pessoas, entre elas o ex preparador físico o de Djidja, Hatus Moraes Silveira, além de empresários suspeitos de fornecer cetamina, substância citada no inquérito como parte da rotina do grupo investigado.
No dia 7 de junho, o ex namorado de Djidja, Bruno Roberto da Silva Lima, também é preso durante uma das fases da Operação Mandrágora.
Investigação aponta vulnerabilidade provocada por substâncias
De acordo com as apurações, a substância administrada aos integrantes da seita liderada por Cleusimar afetava diretamente o sistema nervoso central, deixando os participantes em estado de vulnerabilidade. Na época das prisões, Cleusimar e Ademar não chegaram a prestar depoimento porque estariam sob efeito de psicotrópicos.
A situação foi confirmada, na ocasião, pela defesa, que chegou a pedir internação para ambos. O advogado afirmou que os dois apresentavam quadro debilitado e degradado no momento em que foram levados pelas autoridades.
Condenação anulada pelo TJAM
Em dezembro de 2024, Cleusimar, Ademar, Verônica, Hatus, José Máximo, Sávio e Bruno chegaram a ser condenados a 10 anos, 11 meses e 8 dias de reclusão por tráfico de drogas e associação para o tráfico. No entanto, em setembro de 2025, a Primeira Câmara Criminal do TJAM anulou a sentença.
A Corte reconheceu cerceamento de defesa, ao entender que os advogados não puderam se manifestar sobre um laudo toxicológico definitivo juntado ao processo após a fase de alegações finais. Com isso, a sentença perdeu validade e o caso voltou para nova tramitação.
Caso continua cercado de forte repercussão
Mesmo com a anulação da condenação, Cleusimar e Ademar continuam presos preventivamente. Agora, com a negativa da desembargadora ao pedido de soltura imediata, o caso seguirá para uma análise mais ampla no tribunal.



















