Política
PF faz buscas por armas na casa de Bolsonaro após decisão de Alexandre de Moraes
A Polícia Federal (PF) realizou, na manhã desta quarta-feira (8), uma operação de busca e apreensão na residência do ex-presidente Jair Bolsonaro, no bairro Jardim Botânico, em Brasília. A ação tinha como objetivo localizar armas, munições, acessórios e documentos de registro, mas nenhum armamento foi encontrado.
A informação foi confirmada inicialmente pela defesa de Bolsonaro e, posteriormente, pela própria Polícia Federal, que não divulgou detalhes sobre a operação.
O mandado foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após surgirem divergências entre a quantidade de armas registradas em nome do ex-presidente e aquelas efetivamente entregues às autoridades.
Segundo interlocutores da PF, a diligência foi concluída em menos de uma hora. Já documentos protocolados no STF apontam que a operação durou cerca de uma hora e meia e confirmam que nenhum armamento foi localizado no imóvel.
Divergências motivaram a decisão
Na decisão que autorizou a busca, Alexandre de Moraes afirmou que informações constantes no processo indicavam possível descumprimento da determinação judicial que determinou a entrega integral das armas registradas em nome de Bolsonaro.
De acordo com o ministro, a divergência no quantitativo de armamentos justificou a adoção da medida para localizar eventuais armas que permanecessem sob posse direta ou indireta do ex-presidente.
Moraes também destacou que a manutenção de armas de fogo seria incompatível com a prisão domiciliar imposta a Bolsonaro e classificou a busca e apreensão como necessária para garantir o cumprimento da ordem judicial.
Prisão domiciliar e entrega das armas
Na última sexta-feira, o ministro decidiu manter Jair Bolsonaro em prisão domiciliar após o encerramento do prazo inicial de 90 dias da medida.
Na mesma decisão, determinou a revogação do Certificado de Registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC) do ex-presidente, além da apreensão de todas as armas de fogo vinculadas ao registro.
A medida foi tomada após uma pistola registrada em nome de Bolsonaro ser apreendida durante uma blitz no Distrito Federal.
Defesa e Exército apresentaram versões diferentes
Em resposta ao STF, a defesa do ex-presidente informou que, das dez armas citadas na decisão judicial, duas já haviam sido entregues à Polícia Federal em 2023 por determinação do Tribunal de Contas da União (TCU), enquanto as outras oito estariam sob guarda do Batalhão de Polícia do Exército, em Brasília.
Com base nessa informação, Alexandre de Moraes determinou que o Exército entregasse as oito armas à Polícia Federal no prazo de 48 horas, além de solicitar que a corporação confirmasse a custódia das duas armas já recolhidas anteriormente.
Entretanto, no último domingo, o Comando do Batalhão de Polícia do Exército informou ao STF que apenas seis armas estavam sob sua guarda e haviam sido entregues à Polícia Federal. Segundo os militares, duas das armas mencionadas pela defesa não foram localizadas, dando origem às divergências que motivaram a operação desta quarta-feira.

PF faz buscas por armas na casa de Bolsonaro após decisão de Alexandre de Moraes – Foto: Reuters/Diego Herculano









