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Vizinho que reclamou de roupas de jovem é investigado por crime contra a honra

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Foto: Reprodução Facebook

 

O vizinho que mandou uma carta para a jovem Ana Paula Benatti, de 22 anos, reclamando das roupas usadas por ela em um condomínio localizado em um distrito de Maringá, no norte do Paraná, é investigado pela Polícia Civil pelo crime contra a honra, que tem pena máxima de dois anos.

A polícia pediu as imagens de câmeras de segurança da área externa do prédio, não há câmeras nos corredores dos andares, para tentar identificar o responsável pelo texto. Além disso, o síndico e moradores do condomínio devem ser ouvidos nos próximos dias.

Temos equipe na rua investigando o caso, tentando ver se tem alguma testemunha que possa ter presenciado o ocorrido. Por enquanto, investigamos um crime contra a honra, mas não descartamos que possa ter mais coisas por trás dessa história”, explicou o delegado Mateus Ganzer.

Ana Paula foi surpreendida por uma carta de um vizinho embaixo da porta do apartamento no dia 7 de maio. No texto o vizinho afirmou que ela deveria se dar o respeito porque ele, “como homem e pai de família“, ficou com vergonha.

Na carta, o morador disse ainda que no local moram várias pessoas casadas e de várias religiões, por isso ela deveria “usar roupas adequadas“, e encerrou dizendo “aqui não é zona”.

Mesmo se sentindo ameaçada, a jovem, que é escriturária hospitalar, registrou um Boletim de Ocorrência. Ela disse que não ficará calada.

Sou mulher e sou livre, então tenho o direito de escolher o que usar, o que vestir, o que fazer. Tenho que ser respeitada, independente do que visto e do que eu faço. Todas as mulheres merecem respeito”, desabafou.

E se não bastasse a ameaça de um vizinho, após a repercussão do caso, Ana Paula Benetti precisou fechar os comentários das fotos nas redes sociais, pois várias pessoas foram até o perfil dela deixar comentários de baixo calão, a ofendendo e culpando pela situação.

Também nas redes, ela abriu uma “caixa de perguntas” para conversar com outras mulheres que também já sofreram algum tipo de assédio. Algumas respostas que ela recebeu – sendo a maioria de homens – foram pedindo para que ela mandasse fotos com a roupa que ela usava em casa.

Para a psicóloga e professora da Universidade Estadual de Maringá, Eliane Maia, casos como o de Ana Paula refletem a cultura machista, presente entre homens e mulheres também.

Alguns homens andam sem camisa, cuecas aparecendo e a população não vê com esses olhos porque nossos olhos culturais são sobre o corpo da mulher, principalmente sobre a preocupação de que ela não está ‘decente’ . Não sei o que é esse ‘decente’”, afirmou.
Para Eliane Maia, a única forma para mudar esse comportamento é a educação.

“É pela educação familiar e escolar, principalmente no processo escolar. Que a escola trabalhe com as questões de igualdade, igualdade de gênero. Que lá possa não ter diferenciações, que leve apontamentos para discussões sobre isso”, apontou a pesquisadora da UEM.

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