Durante uma expedição ao Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, no Amapá, realizada entre os dias 2 e 5 de agosto de 2026, o guia de turismo e fotógrafo da biodiversidade Wirley Almeida, de 34 anos, morador de Serra do Navio, registrou uma jararaca-verde (Bothrops bilineata), espécie altamente peçonhenta.

A imagem ganhou grande repercussão ao destacar a riqueza da fauna amazônica na região das Árvores Gigantes. O animal é difícil de ser flagrado: tem hábitos noturnos, é arborícola (passa grande parte do tempo nas copas das árvores) e possui coloração que se camufla perfeitamente na vegetação. O que mais chamou a atenção de Wirley foi justamente o fato de a cobra estar no chão da floresta, algo pouco comum.
“Em um dos momentos da expedição, durante os deslocamentos e buscas por registros de árvores gigantes na região, tive a sorte de encontrar essa jararaca-verde. Como é uma espécie arborícola, ela passa grande parte do tempo sobre as árvores e, por isso, não é comum encontrá-la no chão, o que tornou o encontro ainda mais especial”, contou o guia.
Wirley fotografa a biodiversidade da região desde 2010 e já teve imagens de outras espécies publicadas em livros. Segundo ele, o registro foi totalmente inesperado: “Eu já fotografo a biodiversidade da região há muitos anos, então sempre estou atento aos pequenos detalhes durante as trilhas. Quando percebi que era uma jararaca-verde, já sabia que estava diante de um registro muito interessante, raro, e procurei fazer as fotografias com o máximo de cuidado, sem interferir no animal”.
O que diz o especialista
De acordo com Jucivaldo Dias Lima, herpetólogo do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa), a jararaca-verde é bem difícil de localizar. Ele já encontrou a espécie em outros pontos do estado, como na Floresta Nacional do Amapá e em Oiapoque. A cobra pode atingir até cerca de 1 metro, tem veneno adaptado especialmente para pássaros e pequenos roedores de copa, e é considerada bastante peçonhenta.
“É um bicho bastante venenoso com veneno adaptado para se alimentar de pássaros. Ela não é muito comum de ser registrada na Amazônia inteira, porque ela é um bicho que vive em copa, mas vez ou outra ela está mais embaixo. São bichos furtivos”, explicou Jucivaldo.
Atenção: a espécie é altamente peçonhenta. Sua picada pode causar dor intensa, inchaço, sangramentos e, em casos graves, necrose ou insuficiência renal. Por se camuflar muito bem, a recomendação é manter distância e nunca tentar interagir.













