A fumaça causada pelas queimadas continua encobrindo Manaus e prejudicando a qualidade do ar pelo sétimo dia consecutivo. Nesta quarta-feira (14/10), os índices de poluição levaram à suspensão das aulas presenciais na rede municipal de ensino, além de atividades acadêmicas em unidades da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e no campus Manaus Zona Leste do Instituto Federal do Amazonas (Ifam).
Segundo a plataforma internacional IQAir, Manaus registrava, por volta das 8h, índice de qualidade do ar de 132, classificado como insalubre para grupos sensíveis. Com isso, a capital amazonense permanecia entre as cidades com os piores indicadores de qualidade do ar no país.
Os dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da UEA, também apontaram níveis preocupantes de poluição. Em diferentes pontos da capital, a qualidade do ar variava entre as categorias “ruim” e “péssimo”. O pior registro foi identificado no bairro Morro da Liberdade, onde a concentração de partículas chegou a 165,5 microgramas por metro cúbico (µg/m³).
De acordo com a escala utilizada pelo Selva, a qualidade do ar é considerada boa quando a concentração de partículas fica entre 0 e 25 µg/m³. Acima desse limite, os níveis são classificados em categorias progressivamente mais preocupantes, conforme a concentração de poluentes.
Na terça-feira (13/10), houve uma pequena melhora nos indicadores após chuvas atingirem bairros das zonas Oeste e Centro-Oeste durante a madrugada. Apesar disso, a poluição continuou elevada, mantendo Manaus em situação de alerta.
Fumaça provoca suspensão de aulas na rede municipal, na UEA e no Ifam
A Prefeitura de Manaus voltou a suspender as aulas presenciais da rede municipal nesta quarta-feira (14/10), em razão da permanência dos índices críticos de qualidade do ar. A decisão foi tomada para proteger a saúde de estudantes e profissionais da educação.
Na terça-feira, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) havia anunciado a previsão de retomada das atividades presenciais para esta quarta-feira. No entanto, a continuidade da fumaça levou à adoção de uma nova suspensão.
Conforme a Prefeitura de Manaus, a fumaça que atinge a capital é proveniente de queimadas em municípios do interior do Amazonas, principalmente nas regiões Leste e Metropolitana, além de áreas de outros estados.
A Universidade do Estado do Amazonas também suspendeu as aulas e as demais atividades acadêmicas presenciais em suas unidades da capital, em todos os turnos. Os serviços administrativos da instituição passaram a ser realizados remotamente.
No Instituto Federal do Amazonas, a suspensão das atividades acadêmicas e administrativas presenciais foi adotada no Campus Manaus Zona Leste. Segundo a direção da unidade, a medida considerou os dados sobre a qualidade do ar e um parecer técnico de avaliação de risco. As atividades deverão ocorrer de forma não presencial.
Atividades esportivas ao ar livre também são suspensas
A concentração de fumaça em Manaus levou ainda à interrupção temporária de atividades esportivas realizadas ao ar livre na Vila Olímpica.
A medida foi anunciada pela Secretaria de Estado do Desporto e Lazer (Sedel), com o objetivo de preservar a saúde dos participantes diante das condições ambientais.
Entre as atividades suspensas estão o Vila Aberta para Todos, o + RespirAR, o + Futevôlei, o Programa Esporte e Lazer na Capital e Interior (+Pelci), além das aulas de corrida e natação destinadas a adultos.
A suspensão é temporária e abrange as atividades realizadas ao ar livre na capital amazonense.
Municípios do Amazonas registram níveis elevados de poluição
A piora da qualidade do ar não se restringe a Manaus. Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental da UEA apontaram concentrações elevadas de partículas em outros municípios do Amazonas nesta quarta-feira (14/10).
Em Manaquiri, o índice chegou a 284,3 µg/m³, o maior valor entre as localidades citadas. Em Maués, a concentração atingiu 215 µg/m³, nível classificado como “péssimo”.
Também foram registrados 176,7 µg/m³ em Autazes e 157,9 µg/m³ em Urucurituba, reforçando o cenário de poluição atmosférica em diferentes regiões do estado.
Amazonas registra cerca de 1,6 mil focos de incêndio em outubro
A persistência da fumaça ocorre em meio ao aumento dos focos de incêndio no Amazonas. Nos primeiros 14 dias de outubro, o estado contabilizou aproximadamente 1,6 mil registros, um crescimento superior a 270% em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram identificados 473 focos.
Os dados são do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
O avanço das queimadas amplia a preocupação com os impactos ambientais e os riscos à saúde da população, especialmente em áreas que apresentam concentrações elevadas de partículas suspensas no ar.
Ibama reforça ações de combate às queimadas no Amazonas
Diante do aumento dos incêndios, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) intensificou as ações de prevenção e combate ao fogo no estado.
Segundo o órgão, 725 propriedades rurais foram notificadas previamente devido ao alto risco de propagação das chamas. Equipes realizam vistorias para verificar o cumprimento das medidas preventivas, e parte dos responsáveis já recebeu autuações por descumprimento das determinações.
A força-tarefa federal concentra operações em municípios considerados críticos, como Autazes, Careiro da Várzea, Parintins e Itacoatiara. De acordo com os órgãos envolvidos, os incêndios nessas regiões contribuem para a fumaça que alcança Manaus.
Na terça-feira (13/10), o Ibama informou ter extinguido 292 incêndios no Amazonas entre junho e outubro. Na ocasião, outros oito focos continuavam ativos e eram combatidos pelas equipes.
Para ampliar a capacidade de resposta, foram mobilizadas 11 aeronaves, incluindo aviões de combate ao fogo, helicópteros e aeronaves de apoio logístico. A operação integra as medidas adotadas para conter o avanço das queimadas e reduzir seus impactos sobre o meio ambiente e a população.














