O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que está foragido nos Estados Unidos após o resultado das eleições, votou favoravelmente à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, uma das principais iniciativas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para reformular a política de combate à criminalidade no Brasil. O parlamentar registrou voto favorável nos dois turnos de votação realizados pelo Senado Federal nesta terça-feira.
A participação do senador ocorreu de maneira remota, por meio do sistema de votação semipresencial adotado pela Casa Legislativa. Nesse formato, os parlamentares podem registrar presença e manifestar seus votos à distância, desde que estejam devidamente habilitados no sistema eletrônico do Senado.
Mesmo estando fora do território brasileiro, Flávio Bolsonaro conseguiu participar normalmente da sessão e votar pela aprovação de uma proposta defendida pelo governo petista. O posicionamento chama atenção pelo contraste político entre o parlamentar do PL, partido de oposição ao governo federal, e uma das principais bandeiras legislativas da gestão Lula na área da segurança pública.
Até o momento, segundo as informações apresentadas, o senador não havia comunicado oficialmente ao Senado sua saída do país, tampouco formalizado qualquer pedido de licença ou afastamento do mandato parlamentar.
PEC da Segurança Pública representa vitória para Lula
A aprovação da proposta representa uma vitória política para o Palácio do Planalto, que trabalha desde 2025 para avançar com mudanças estruturais no sistema de segurança pública brasileiro.
Uma das consequências previstas no projeto é a possibilidade de criação do Ministério da Segurança Pública, iniciativa que busca dar maior centralidade à coordenação das políticas nacionais de enfrentamento à criminalidade.
A proposta também estabelece mudanças na organização das instituições responsáveis pela segurança, na distribuição de competências entre União, estados e municípios e nos mecanismos de integração entre as diferentes forças policiais.
O objetivo apresentado pelo governo é ampliar a capacidade de atuação conjunta das instituições, melhorar o compartilhamento de informações e fortalecer as estratégias de combate ao crime organizado, que tem ampliado sua presença em diferentes regiões do país.
Discussão sobre maioridade penal provocou impasse
A tramitação da PEC foi marcada por divergências políticas, especialmente em torno da possibilidade de mudanças relacionadas à maioridade penal.
O tema provocou debates entre parlamentares e acabou interferindo diretamente no calendário de votação da proposta. Em outubro, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), decidiu retirar a matéria da pauta, adiando sua apreciação para depois do segundo turno das eleições presidenciais.
A discussão sobre a redução da maioridade penal é um dos pontos mais sensíveis do debate nacional sobre segurança pública. Enquanto setores defendem medidas mais rigorosas para adolescentes envolvidos em crimes graves, outros argumentam que alterações dessa natureza exigem uma discussão específica e não devem ser incorporadas de maneira automática à reestruturação do sistema de segurança.
Proposta começou a tramitar em 2025
Encaminhada pelo governo Lula ao Congresso Nacional em abril de 2025, a PEC passou pela Câmara dos Deputados, onde foi aprovada em março de 2026. Posteriormente, o texto avançou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, no mês anterior à votação em plenário.
Durante a tramitação, o governo federal trabalhou para preservar o conteúdo aprovado pelos deputados, evitando alterações de mérito que pudessem obrigar a proposta a retornar à Câmara para uma nova rodada de análise.
A estratégia buscava acelerar a aprovação de uma das principais iniciativas legislativas do Executivo para a área da segurança pública.
Com a aprovação no Senado, a proposta avança em seu percurso legislativo, abrindo caminho para a implementação de mudanças constitucionais no funcionamento da segurança pública brasileira.
O voto de Flávio Bolsonaro nos dois turnos acrescenta um elemento político à votação. Embora pertença a um partido de oposição ao governo federal, o senador acompanhou o posicionamento favorável à PEC, contribuindo para a aprovação de uma medida considerada estratégica pela administração petista.














