Amazonas
Puxurí faz bem ao corpo e já virou cachaça e licor em Borba, no Amazonas
Da medicina popular ao alambique, conheça a história do puxurí, os benefícios e a produção artesanal que está levando o sabor de Borba para o mundo.
O puxurí — também chamado de pixurí ou “noz‑moscada da Amazônia” — nasce de uma árvore alta (Licaria puchury‑major) que cresce às margens do Médio e Baixo Amazonas. A semente, de perfume que lembra canela, cravo e anis, é ralada na hora, exatamente como a noz‑moscada, e dá um toque mentolado a doces, pães, cremes, caldos e purês.
Puxurí faz bem ?
Moradores de Borba aprendem desde cedo que o chá feito com a semente é um “remédio de vó” para o estômago e um calmante natural. Estudos populares e listas fitoterápicas atribuem ao puxurí propriedades:
Digestiva – alivia gases e má digestão; Calmante – ajuda a pegar no sono e diminui a ansiedade; Antiespasmódica – reduz cólicas intestinais; Analgésica leve – ameniza dores de cabeça e musculares.
Como usar o puxurí ?
Basta uma pitada ralada na comida ou 1 colher de chá das sementes para uma xícara de infusão. Gestantes, lactantes e quem tem doenças crônicas devem conversar com um profissional de saúde antes de consumir.
Da floresta ao alambique: a cachaça de puxurí

Sr Rocha nos apresentou o alambique onde ele produz a deliciosa cachaça – Imagem: No Amazonas é Assim
Em Borba, às margens do rio Madeira, o militar da reserva Régis Rohrig da Rocha — o “Senhor Rocha” — transformou a paixão pela semente num negócio familiar. No pequeno alambique do quintal, ele seleciona apenas insumos da floresta.
Usa fermentação espontânea, sem fermentos industriais, destila a 90 °C, garantindo graduação alcoólica equilibrada, descansa e prova cada lote até chegar ao sabor final.
Hoje já são mais de dez variações de cachaça aromatizadas com puxurí e outras plantas amazônicas. A bebida ganhou fama entre turistas, e a primeira remessa para o Japão deve sair ainda este ano, abrindo caminho para novos mercados. (Informações fornecidas pelo produtor.)
A história de Rocha acompanha uma tendência que se espalha pelo estado: bares e marcas de Manaus oferecem cachaças infusionadas com sementes, ervas e madeiras locais, com o puxurí entre os sabores preferidos dos clientes.
Licor de Puxurí
Gustavo Buzaglo, apresentou o licor artesanal de Puxurí, produzido no sítio São Bento, da família de Gustavo, localizado em Borba. O puxuri usado na produção da cachaça é fornecido do sítio do Sr Abraam ( ou Braama) para o Sr Rocha.

Equipe do Portal No Amazonas é Assim junto aos proprietários do Sitio São Bento, Sr Abraam e senhora, – Imagem: No Amazonas é Assim
Sabor e responsabilidade
O puxurí entrega aroma marcante e benefícios à saúde, mas continua sendo uma planta silvestre. Valorizar produtos de origem controlada — como a cachaça borbense — e comprar de pequenos extrativistas ajudam a manter a floresta em pé e garantem renda a quem vive dela.
Onde e como usar o Puxurí ?
Na cozinha: use onde colocaria noz‑moscada — bolos de banana, purês de batata‑doce ou mesmo um simples mingau de aveia.
Na xícara: chá morno de semente ralada para relaxar à noite.
Na taça: sirva a cachaça de puxurí ou em drinques com limão‑cravo e mel de flor de laranjeira.
De tempero caseiro a bebida premium, o puxurí mostra que a Amazônia ainda tem muitos sabores — e histórias — para o Brasil (e o mundo) conhecer.












