Política
Saída de União Brasil e PP do governo fortalece anistia e ameaça projetos de interesse popular
A decisão da federação partidária formada pelo União Brasil e pelo Progressistas (PP) de romper com o governo Lula e entregar seus cargos no Executivo muda o rumo das votações no Congresso e coloca em risco a aprovação de projetos de impacto direto para a população brasileira.
O movimento político
O anúncio foi feito nesta terça-feira (2/9) pelos presidentes do União Brasil, Antonio Rueda, e do PP, Ciro Nogueira, após conversas com ministros e lideranças das duas siglas. Pressionados pela cúpula partidária, os ministros Celso Sabino (Turismo) e André Fufuca (Esporte) tiveram de aceitar a saída. A medida atinge também outros indicados, com exceção de nomes ligados a Davi Alcolumbre (União-AP) e Arthur Lira (PP-AL), que ainda devem ser preservados.
A ruptura ganhou força depois que Lula declarou, em reunião ministerial, que não tinha relação de confiança com Rueda, o que gerou resposta pública do presidente do União Brasil, em tom de confronto.
O impacto no Congresso
Mais do que um afastamento político, a saída da federação significa uma reconfiguração na base parlamentar do governo. Com União e PP alinhados ao PL de Valdemar Costa Neto, a prioridade desses partidos passa a ser a aprovação da anistia aos réus dos atos de 8 de janeiro, defendida publicamente durante a reunião das lideranças oposicionistas.
Essa movimentação ameaça diretamente projetos que estavam em discussão e poderiam beneficiar milhões de brasileiros, como:
Fim da escala 6×1 para trabalhadores, ampliando direitos trabalhistas;
Isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, medida que aliviaria a carga tributária da classe média e baixa.
Segundo avaliação de bastidores, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), pode pautar o projeto da anistia ainda esta semana, fortalecendo a nova frente de oposição.
Exemplo prático: Lei da Ficha Limpa
O impacto já começa a ser sentido. Nesta terça-feira (2), o Senado aprovou, por 50 votos a 24, um projeto que altera a Lei da Ficha Limpa. A mudança reduz o tempo de inelegibilidade de políticos cassados, permitindo que voltem mais cedo à disputa eleitoral. O texto aguardava votação há um ano e só avançou agora, com o novo cenário político.
O que está em jogo
A retirada de União Brasil e PP da base não se limita a uma divergência com o Palácio do Planalto. Ela reflete uma estratégia clara: enfraquecer projetos sociais do governo Lula e priorizar pautas que favorecem políticos condenados ou investigados, como a anistia do 8 de janeiro e a flexibilização da Ficha Limpa.
Na prática, essa movimentação coloca em segundo plano as propostas que beneficiariam diretamente o povo brasileiro, em nome da proteção de interesses de grupos políticos.

Entenda: como a nova federação partidária afeta seu bolso e seus direitos – Imagem: Reprodução








