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Manaus, AM, segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Manaus

Criação de corpos estáveis e projetos inéditos ampliam inclusão artística e fortalecem acesso à cultura em Manaus

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Manaus alcançou, em 2025, um marco histórico no fortalecimento das políticas culturais com a oficialização dos Corpos Estáveis de Música e Dança do Município, os primeiros da história da capital amazonense. A iniciativa, anunciada pelo prefeito David Almeida, consolida uma nova política pública voltada à valorização, formação e profissionalização de artistas locais.

O projeto é coordenado pelo Conselho Municipal de Cultura (Concultura), vinculado à Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (ManausCult), e conta com investimento de R$ 500 mil do governo federal, por meio da Política Nacional Aldir Blanc (Pnab). A ação posiciona Manaus de forma permanente no circuito cultural regional e nacional, incentivando a participação em festivais, intercâmbios e editais, além de garantir formação gratuita, apresentações públicas e prioridade para jovens talentos das periferias.

A cerimônia de oficialização ocorreu no dia 13 de agosto de 2025, no mirante Lúcia Almeida, no centro histórico da cidade. Na ocasião, o prefeito David Almeida destacou a relevância da iniciativa para o cenário cultural local.

“Manaus ganha, a cultura ganha, a arte da nossa cidade ganha. É um privilégio ser prefeito no início desse projeto. Começamos o segundo mandato com uma grande conquista para a arte e a cultura. Nossa gestão está de portas abertas para oportunidades, entretenimento e valorização de quem vive da arte”, afirmou.

O presidente do Concultura, Tony Medeiros, ressaltou o caráter inédito da política cultural. “Nunca tivemos um corpo de dança ou uma orquestra municipal. Agora temos, e vamos oferecer cultura, emprego e dignidade para quem vive da arte”, destacou.

Fotos – Antonio Pereira/Arquivo Semcom

Descentralização e inclusão cultural

Além da criação dos Corpos Estáveis, o Concultura implementou, ao longo de 2025, projetos inéditos voltados à descentralização das ações culturais e à ampliação do acesso à arte em diferentes territórios da cidade.

O projeto “Concultura nos Bairros” realizou dez edições, alcançando cerca de 800 pessoas em bairros da capital e comunidades indígenas. A iniciativa promoveu o cadastramento de mais de 580 artistas, orientação sobre a Lei Aldir Blanc, oficinas práticas de elaboração de projetos e portfólios, além de informações sobre abertura de Microempreendedor Individual (MEI) e participação em editais.

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Um dos destaques foi a ação realizada na aldeia Cipiá, que fortaleceu a organização e a autonomia dos fazedores de cultura locais. Em janeiro deste ano, o projeto iniciou sua primeira edição de 2026 no Centro Cultural Ceará Capoeira, no bairro Coroado, zona Leste, promovendo orientações práticas sobre editais e oficinas em um encontro marcado pelo diálogo e pela valorização das expressões culturais comunitárias.

O impacto das ações é reconhecido pelos próprios artistas. “Queremos exaltar o trabalho da Prefeitura de Manaus, especialmente do Conselho Municipal de Cultura, que desenvolve uma atuação muito importante para a capoeira. Somos mais de 200 grupos espalhados pela capital, e a capoeira tem sido vista de forma especial pelo poder público, principalmente pelo trabalho social que realizamos com crianças”, afirmou Guerreiro, instrutor da escola Abadá Capoeira Manaus.

Cultura erudita, popular e ancestral

Outro destaque da política cultural foi o projeto “Orquestra na Floresta”, que promoveu um encontro inédito entre a Orquestra de Câmara de Manaus e o grupo indígena da aldeia Cipiá. O evento reuniu cerca de 200 convidados, entre imprensa, gestores públicos e participantes inscritos, registrando um dos maiores públicos visitantes da história da aldeia e valorizando os saberes tradicionais ao levar a música erudita ao coração da floresta.

Já o Festival Literário de Manaus (Flim), em sua quarta edição, consolidou-se como um dos principais eventos culturais da região. Realizado no Luso Sporting Clube, no centro da cidade, o festival contou com 12 horas de programação gratuita, integrando literatura, cinema e música. Ao todo, cerca de 1.500 pessoas participaram das atividades, que incluíram dez ações acadêmicas, apresentações culturais e a participação de 13 expositores, entre livreiros, escritores e poetas, fortalecendo a produção literária amazônica.

Integração entre linguagens artísticas

Projetos como “Hip-Hop na Floresta” e “Samba com Orquestra” reforçaram a integração entre cultura urbana, erudita e popular, promovendo inovação artística e ampliando o acesso da população às diversas expressões culturais.

O Hip-Hop na Floresta reuniu 23 artistas — entre B-boys, DJs, MCs e beatmakers — em uma troca cultural com a comunidade indígena da aldeia Cipiá, envolvendo cerca de 60 participantes, entre moradores, artistas e gestores públicos.

O Samba com Orquestra, realizado no mercado municipal Adolpho Lisboa, integrou a programação 2025 do projeto Manaus Faz Cultura e levou música de concerto e música popular brasileira a um público diverso, formado por frequentadores do espaço e turistas. A apresentação contou com a participação da Orquestra de Câmara de Manaus, composta por 16 músicos.

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Literatura, oralidade e identidade amazônica

Em dezembro de 2025, o Concultura promoveu o evento “A Maior Poesia de Improviso do Mundo”, no Luso Sporting Clube, celebrando os 100 anos do cordel na Amazônia. A iniciativa reuniu grandes nomes do cordel e do repente, fortalecendo o intercâmbio cultural entre as regiões Norte e Nordeste.

O destaque foi o cordelista e repentista Oliveira de Panelas, homenageado por sua contribuição à cultura popular. “Que a nossa palavra seja sempre a verdade. Estou no céu por estar com uma plateia tão especial”, afirmou o artista.

O evento contou ainda com a participação de poetas e repentistas amazonenses, como Gui Cordel, Bento Sales, Julian Repentista, Joel Marinho, Alex Alves, Kayla Alves e Bosco Poeta, com uma programação que incluiu recitais, desafios poéticos e gravações ao vivo.

Outro destaque foi o Edital dos Prêmios Literários Cidade de Manaus 2025, em sua 14ª edição, uma das iniciativas mais tradicionais de incentivo à literatura no Estado. O edital premiou obras inéditas de autores residentes no Amazonas em dez categorias, com R$ 8 mil para cada vencedor, fortalecendo a identidade cultural amazônica conforme a legislação vigente.

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