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Manaus, AM, sábado, 31 de janeiro de 2026

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Alysson Muotri será o primeiro cientista do Brasil a fazer experimentos na Estação Espacial Internacional

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O Brasil deve marcar presença no espaço de uma forma inédita e revolucionária. O feito deverá acontecer através do neurocientista brasileiro Alysson Muotri, um dos cientistas mais respeitados no mundo, que será o primeiro brasileiro com previsão para realizar experimentos diretamente na Estação Espacial Internacional (ISS), em uma missão histórica programada para 2026.

Professor e chefe de laboratório na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, Muotri já é conhecido pelos estudos inovadores sobre o autismo, o envelhecimento cerebral e doenças neurológicas como o Alzheimer. Mas agora, ele vai muito além, o céu não é mais o limite, literalmente.

A bordo do foguete Falcon 9, da SpaceX, junto com quatro astronautas, Muotri levará ao espaço os chamados “mini cérebros” — organoides cerebrais criados em laboratório a partir de células-tronco que simulam o desenvolvimento do cérebro humano. Alguns deles, inclusive, foram produzidos a partir de células de pessoas autistas. A expectativa é entender melhor como o autismo e outras condições neurológicas afetam o cérebro desde seus estágios iniciais de formação.

Esses mini cérebros já foram enviados à Estação Espacial no passado, mas, desta vez, haverá um cientista brasileiro realizando os experimentos pessoalmente no espaço — o que permitirá observações inéditas em tempo real, no ambiente de microgravidade.

Destaques da entrevista com Bial

No último dia 4 de junho, Alysson Muotri participou do programa Conversa com Bial, da TV Globo, em uma entrevista que emocionou o público. Em tom leve e inspirador, ele falou sobre sua trajetória pessoal e científica, os desafios de trabalhar com a fronteira do conhecimento e as perguntas filosóficas que guiam seus estudos — como a própria definição de consciência humana.

Um momento marcante foi quando ele lembrou de uma de suas maiores conquistas científicas: a correção, em laboratório, de um neurônio com mutação genética ligada à Síndrome de Rett, em 2010 — um feito que abriu caminho para a medicina personalizada no tratamento de distúrbios do neurodesenvolvimento.

A entrevista também teve espaço para a emoção: a mãe do cientista, dona Vitória, e sua esposa, Andréa Coimbra, estavam na plateia e participaram com depoimentos encantadores. Alysson ainda refletiu sobre os limites da ciência e a importância de sonhar alto: “Se eu conseguir inspirar uma criança no Brasil a virar cientista, já valeu tudo.”

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Parceria com a UFAM

Durante o bate-papo com Bial, Muotri falou da parceria com a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) em pesquisas voltadas para o uso medicinal de plantas amazônicas. O objetivo é investigar os efeitos dessas substâncias no cérebro humano — uma conexão poderosa entre a biodiversidade brasileira e as tecnologias mais avançadas da neurociência.

Inicio da parceria Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e Universidade da California – San Diego (UCSD)

Em maio de 2023, a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), por meio do Grupo de Pesquisa em Neurociências, celebrou o acordo de cooperação técnica com a Universidade da California – San Diego (UCSD). A cooperação entre as universidades na área de Neurociência e Biotecnologia, especificamente no que se refere ao desenvolvimento científico e tecnológico, representa um grande salto para a biotecnologia regional, tornando-se a vanguarda na linha de pesquisa em neurociência na Amazônia.

O grupo é composto por pesquisadores, profissionais da saúde e acadêmicos de várias unidades, entre elas a Faculdade de Medicina, a Divisão de Biotecnologia do Centro de Apoio Multidisciplinar e o Instituto de Ciências Biológicas.

O projeto a ser desenvolvido em cooperação é intitulado “Prospecção e análise de compostos neuroativos a partir da biodiversidade amazônica”. O projeto também tem como objetivos estabelecer modelos de cultivos de células e de minicérebros para testar compostos neuroativos, inclusive os neuroprotetores, a partir da biodiversidade amazônica. Além disso, também objetiva treinar recursos humanos qualificados em cultivos de células animais, produção de minicérebros in vitro e prospecção de biomoléculas neuroativas.

Rumo ao espaço

O Brasil está prestes a fazer história na ciência — e no espaço. Com Alysson Muotri, vamos levar não só tecnologia de ponta, mas também a curiosidade e o talento científico brasileiro para além da Terra.

Alysson Muotri, cientista, professor e chefe do laboratório de pesquisa na Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD) – Imagem: Divulgação

 

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