Agenda Cultural
Artista Marius Bell transforma muro da Cadeia Pública de Manaus em mural que une arte, engenharia e memória urbana
Um tempo atrás, o muro da antiga Cadeia Pública Vidal Pessoa, em Manaus, ganhou novos significados por meio do artista plástico Marius Bell. O mural, que retrata os antigos casarios da capital amazonense, é resultado de 45 dias de trabalho intenso e solitário, mas carrega uma história que atravessa quase duas décadas de trajetória profissional, técnica e artística.
Embora o painel já seja conhecido por quem acompanha o trabalho do artista, poucos sabem que a concepção da obra teve início anos antes de sua execução. A origem do projeto remonta ao período em que Robson Roberto ocupava o cargo de superintendente do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim). Na época, Marius Bell foi convidado a desenvolver um layout dos casarios históricos da cidade para ser apresentado ao então governador Eduardo Braga durante uma viagem oficial à Europa.
“Depois de alguns meses, recebi um telefonema do engenheiro da Andrade Gutierrez dizendo que o governador tinha gostado do desenho e que queria transformá-lo num mural no paredão da Cadeia Pública Vidal Pessoa”, relembra o artista.
A execução do mural exigiu mais do que sensibilidade estética. Pintar sozinho uma obra dessa dimensão, ao longo de um mês e 15 dias, foi, segundo Marius, um verdadeiro exercício de resistência física, disciplina e precisão técnica. “Cada pincelada carrega a herança daquele teste que fiz na Andrade Gutierrez: a fusão entre a visão artística e a exatidão que a engenharia exige”, afirma.
O artista destaca que o público costuma enxergar apenas o resultado final, sem imaginar o percurso anterior. Em 2009, Marius Bell passou por uma rigorosa avaliação técnica conduzida por engenheiros da construtora Andrade Gutierrez, experiência que consolidou sua capacidade de unir arte e estrutura. “Muita gente vê o mural pronto em 45 dias e não imagina o que veio antes”, diz.
Hoje, o mural representa não apenas um trabalho artístico, mas a síntese de 17 anos de história profissional. “Ali, aprendi que para criar algo grandioso, a arte precisa de estrutura”, reflete Marius Bell, que já havia vivido desafio semelhante na construção da estátua de Santo Antônio, em Borba, com 13 metros de altura e 70 toneladas.
A obra no muro da Cadeia Pública se impõe como um marco visual e simbólico, reafirmando a importância da arte pública na preservação da memória urbana de Manaus e no diálogo entre estética, engenharia e história.

Artista Marius Bell transforma muro da Cadeia Pública de Manaus em mural que une arte, engenharia e memória urbana








