Polícia
Caso Djidja: Reviravolta, MP reconhece falha e TJAM julgará recurso em 29 de setembro
Defesa pede anulação parcial do processo; Ministério Público confirma erro, mas quer manter condenações no caso do grupo “Pai, Mãe, Vida”.
O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) marcou para o próximo 29 de setembro o julgamento do recurso da defesa dos réus do caso Djidja Cardoso. O julgamento será presencial, no Edifício Desembargador Arnoldo Péres, sede do TJAM, e contará com sustentação oral. O processo será relatado pela desembargadora Luiza Cristina Nascimento da Costa Marques.
O Ministério Público do Amazonas (MPAM) reconheceu uma falha processual — os advogados não foram notificados sobre a inclusão de laudos periciais antes da sentença — e pediu que o caso volte à primeira instância, com anulação parcial dos atos. Mesmo assim, o órgão afirma que existem provas consistentes contra os acusados, como depoimentos e mensagens extraídas de celulares, e defende a manutenção das condenações caso a nulidade não seja acolhida.
Condenação dos Réus
Segundo as investigações, a família de Djidja fundou o grupo religioso “Pai, Mãe, Vida”, que promovia o uso indiscriminado da droga sintética cetamina. Todos os sete condenados receberam 10 anos, 11 meses e 8 dias de reclusão por tráfico de drogas e associação para o tráfico. Entre eles estão a mãe, o irmão de Djidja, um coach, o dono e o sócio de uma clínica veterinária e ex-integrantes do círculo mais próximo da ex-sinhazinha do Festival de Parintins.
Verônica da Costa Seixas (gerente de salão) e Bruno Roberto da Silva Lima (ex-namorado de Djidja) respondem em liberdade provisória; os demais cumprem pena em regime fechado. Por insuficiência de provas, foram absolvidos ex-funcionários da clínica e do salão.
Outros crimes atribuídos ao grupo — charlatanismo, curandeirismo, manipulação de medicamentos, violência sexual e aborto — foram desmembrados e encaminhados às varas competentes.
Morte de Djidja
A ex-sinhazinha do Festival de Parintins foi encontrada morta no dia 28 de maio. O laudo preliminar do IML aponta edema cerebral como causa, mas não esclarece o que provocou o quadro. A principal hipótese é overdose de cetamina, já que no dia da morte foram encontrados frascos enterrados no quintal, seringas, bulas e cartelas de remédios.
Segundo a polícia, Ademar Farias Cardoso Neto conheceu a cetamina em Londres, onde buscava tratamento para dependência química, e introduziu o uso no grupo religioso. Nos rituais, Cleusimar era vista como Maria, Ademar como Jesus Cristo e Djidja como Maria Madalena, defendendo a cetamina como meio de “elevação espiritual”.
Com o julgamento do recurso marcado para o dia 29/9, o caso volta a ganhar destaque e pode ter desdobramentos importantes para os réus e para a condução do processo.

Imagem: Divulgação








