Internacional
Do Amapá ao front: brasileiros deixam o Exército do Brasil para lutar na Ucrânia contra a Rússia
Dois ex-militares brasileiros, Rendli Mateus, de 30 anos, e Thony Yankee, de 34, trocaram a tranquilidade do Amapá pelo front de guerra na Ucrânia. Ambos iniciaram suas trajetórias no Exército Brasileiro, no 34º Batalhão de Infantaria de Selva, e hoje integram forças de combate em Kiev, capital ucraniana, enfrentando diretamente os impactos do conflito com a Rússia.
Rendli, natural de Oiapoque, vive há quatro meses na Ucrânia. Com ampla experiência militar, ele atua como sargento e instrutor de novos soldados. O ex-militar conta que tentou levar uma vida civil no Brasil, mas o “espírito militar” falou mais alto. Após passar um período na Legião Estrangeira Francesa, ele recebeu um convite para integrar uma tropa de elite na Ucrânia e embarcou na missão.
“Todos os dias penso no meu filho, na minha família e nos amigos. Tento manter o otimismo e a esperança de voltar vivo”, declarou Mateus ao portal g1.
Thony Yankee, nascido no Rio de Janeiro mas criado em Oiapoque e Macapá, seguiu caminho semelhante. Após anos de serviço no Exército Brasileiro, tentou a Legião Estrangeira, mas não foi selecionado. Morando em Portugal, recebeu um convite de Rendli para integrar as forças ucranianas e aceitou o desafio. Atualmente, Thony está em fase de preparação como recruta, enquanto se adapta à realidade da guerra.
“Acredito que não é justo um país tentar impor sua vontade a outro por motivos que não se sustentam”, disse Thony, ao justificar sua decisão de se juntar ao conflito.
A guerra segue intensa
A presença dos brasileiros no front coincide com uma das fases mais tensas da guerra. Na sexta-feira (4), a Rússia lançou o maior ataque com drones desde o início do conflito, em 2022. Cerca de 600 drones foram enviados a território ucraniano. O bombardeio ocorreu um dia após uma ligação entre Vladimir Putin e Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos.
Em Kiev, onde Rendli e Thony estão baseados, os ataques atingiram áreas mais afastadas do centro, segundo relato de Rendli. Ainda assim, 23 pessoas ficaram feridas e diversos prédios foram danificados. Famílias inteiras buscaram abrigo em estações de metrô subterrâneas enquanto o barulho de explosões ecoava pela cidade.
Por questões de segurança, detalhes sobre a atuação dos brasileiros na linha de frente não foram divulgados. No entanto, a história dos dois chama atenção por representar a coragem — e o risco — de quem decide lutar por um país que não é o seu, em nome de princípios e solidariedade internacional.









