Polícia
Indígena kokama é estuprada em delegacia por PMs no Amazonas; MP chama de violação extrema dos direitos humanos
Um caso grave e revoltante chocou o interior do Amazonas neste fim de semana. Três policiais militares e um guarda municipal foram presos sob acusação de estuprar uma mulher indígena da etnia Kokama, dentro de uma delegacia, durante uma custódia considerada irregular no município de Santo Antônio do Içá, a cerca de 880 km de Manaus.
As prisões aconteceram no último sábado (26) e foram realizadas em três municípios distintos: Santo Antônio do Içá, Tabatinga e Manaus, pela Polícia Civil e Militar, em ação conjunta com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Amazonas (MPAM).
Outros dois policiais militares ainda são procurados: um está de férias e o outro atuava em missão no momento do cumprimento dos mandados. Ambos devem se apresentar nas próximas horas, segundo o MP.
De acordo com a investigação, os crimes ocorreram durante o período em que a vítima, de 29 anos, esteve sob custódia na delegacia. Em depoimento às promotoras de Justiça Priscila Pini e Lilian Nara, a mulher relatou estupro, tortura, humilhação e ameaças, além de tentativa de intimidação contra sua família. A mãe da vítima teria sido ameaçada por agentes após o início das investigações, no intuito de silenciar o caso.
As autoridades agiram rapidamente após o relato, e o juiz Édson Rosas autorizou os mandados dentro de um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) da Procuradoria-Geral de Justiça. O Ministério Público alegou risco à ordem pública, à integridade da vítima e à continuidade de crimes, solicitando o afastamento imediato dos envolvidos de suas funções e a suspensão do porte de armas, com base no Código de Processo Penal Militar.
A procuradora-geral Leda Mara Albuquerque classificou o caso como uma “violação extrema dos direitos humanos”, afirmando que o MPAM atuará com rigor para proteger a vítima e punir todos os envolvidos.
A Polícia Militar do Amazonas (PMAM) declarou que repudia veementemente qualquer ato de violência, colabora com as investigações e está empenhada no cumprimento de todos os mandados.
O caso corre em segredo de Justiça para preservar a vítima e garantir a integridade das investigações.

Três policiais militares e um guarda municipal são presos por estupro de mulher indígena em delegacia no Amazonas








