Brasil
Onça suçuarana morre atropelada e carne do animal é usada em ensopado
Uma onça-parda foi atropelada e morta na BR-404, em Morrinhos, no interior do Ceará, na última quinta-feira (15). O caso, que já levanta preocupações pela morte de um animal silvestre em risco de extinção, ganhou contornos ainda mais polêmicos com a atitude de moradores da região, que usaram a carne do felino para preparar um ensopado.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram a onça caída à beira da rodovia e, em seguida, pessoas manipulando pedaços do animal e cozinhando a carne. As imagens geraram indignação de ambientalistas e internautas, e levaram a Polícia Civil a abrir uma investigação para apurar as circunstâncias do atropelamento e da destinação ilegal da carcaça.
De acordo com o biólogo Hugo Fernandes, professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece), os indícios apontam para um atropelamento acidental, mas o aproveitamento da carne é considerado um possível crime ambiental.
“É uma espécie silvestre, e isso significa que pertence à União. Deveria ter sido encaminhada aos órgãos ambientais competentes”, explicou o professor em entrevista à TV Verdes Mares.
A onça-parda, também chamada de suçuarana, é uma espécie ameaçada de extinção. No Brasil, está classificada como “vulnerável”, mas no Ceará, a situação é ainda mais crítica: o animal é considerado oficialmente “em perigo de extinção” — uma categoria de ameaça ainda mais severa.
Presença comum, proteção insuficiente
Especialistas afirmam que a ocorrência da espécie em Morrinhos não é incomum, já que a suçuarana habita diversas áreas do estado. A presença do animal nas proximidades da rodovia era esperada, o que reforça o alerta sobre a falta de sinalização e medidas protetivas para a fauna silvestre ao longo das estradas cearenses.
Casos como esse, segundo ambientalistas, refletem não apenas a falta de infraestrutura adequada, mas também a carência de informação e consciência ambiental por parte da população.
A Polícia Civil informou que está apurando os fatos e que os responsáveis pela destinação ilegal da carcaça podem ser punidos conforme a Lei de Crimes Ambientais. Órgãos ambientais estaduais também acompanham o caso.








