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Manaus, AM, sábado, 31 de janeiro de 2026

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Paciente descobre câncer após receber fígado transplantado com tumor do doador

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O que era para ser um recomeço virou um pesadelo para Geraldo Vaz Junior, de 58 anos, que recebeu um transplante de fígado pelo SUS em julho de 2023, em um hospital de referência em São Paulo. Sete meses depois da cirurgia, ele começou a apresentar alterações nos exames e foi surpreendido com uma notícia devastadora: o novo fígado estava com câncer.

A equipe médica realizou uma biópsia e, para espanto da família, os exames genéticos mostraram que as células cancerígenas não pertenciam ao paciente, mas ao doador do órgão.

Meu marido recebeu um órgão com câncer. Esperamos anos por essa chance e ele saiu de lá mais doente do que entrou”, desabafou Maria Helena, esposa do paciente.

O transplante, a recuperação e a reviravolta

Imagem: Reprodução

Geraldo foi diagnosticado com hepatite C em 2010, desenvolveu cirrose hepática e entrou na fila de transplante. A cirurgia foi considerada um sucesso, e a família voltou a ter esperança.

Mas sete meses depois, os exames de rotina apontaram nódulos no fígado transplantado. A biópsia confirmou um adenocarcinoma (câncer maligno), e um exame de DNA revelou que o tumor veio do órgão doado — algo considerado extremamente raro pela literatura médica, mas possível.

Geraldo recebeu um novo transplante, mas o câncer já havia se espalhado para o pulmão, e hoje ele é considerado um paciente paliativo, quando a doença não tem mais cura.

“Uma fatalidade rara, mas reconhecida pela medicina”, dizem especialistas

Segundo médicos entrevistados, casos assim são raríssimos — menos de 0,03% dos transplantes no mundo. Isso porque, mesmo com exames rigorosos no doador, células cancerígenas microscópicas podem não ser detectadas.

Além disso, pacientes transplantados precisam tomar imunossupressores, que reduzem a defesa do corpo e acabam permitindo que essas células cresçam com mais facilidade.

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Nem mesmo os melhores exames são capazes de detectar tumores invisíveis. É biologicamente plausível, mas quase impossível de prever”, explicou um oncologista ouvido pela imprensa.

Família cobra respostas e diz não ter sido informada sobre riscos

Geraldo e Maria Helena afirmam que nunca foram alertados sobre esse risco, por mais mínimo que fosse.

“Se soubéssemos, poderíamos pensar melhor. Ele estava doente, mas não estava morrendo. Não nos deram escolha”, disse a esposa.

A família buscou o Ministério da Saúde e o Ministério Público, pedindo apuração do caso. Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que todas as normas foram seguidas e que nenhum indício de câncer foi identificado no doador na época da coleta.

Uma história rara que abre debate sobre transplantes e transparência

O caso de Geraldo reacende uma discussão importante: pacientes têm direito de ser informados até mesmo sobre riscos mínimos?

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Enquanto isso, ele continua lutando pela vida, com apoio da família — e cobrando que sua história ajude a impedir que outros passem pelo mesmo drama.

Com informações: G1

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