Polícia
RJ: Moradores resgatam e expõem dezenas de corpos após operação histórica
Uma cena de horror e desespero marcou a madrugada desta quarta-feira (29) no Complexo da Penha, zona norte do Rio de Janeiro.
Moradores resgataram e reuniram ao menos 54 corpos de pessoas mortas durante uma megaoperação policial e levaram os corpos para a Praça São Lucas, em um ato de denúncia e dor coletiva.
A operação, que começou na terça-feira (28) e durou mais de 17 horas, já é considerada a mais letal da história do estado.
Segundo os relatos de moradores, os corpos estavam espalhados na região da Vacaria, na Serra da Misericórdia, onde muitas das vítimas teriam tentado fugir.
“Eles estavam lá, largados na mata. A gente só quer dignidade pra enterrar nossos mortos”, contou uma moradora, em prantos.
Números em conflito
Inicialmente, as autoridades informaram 64 mortos. Mas, segundo testemunhas e vídeos registrados no local, o número real pode ultrapassar 100 pessoas, já que muitos corpos recuperados pelos moradores ainda não foram contabilizados oficialmente.
O coronel Marcelo de Menezes, da Polícia Militar do Rio, confirmou que os novos corpos encontrados não estão na contagem oficial divulgada até o momento.
Confronto e consequências
Além dos supostos integrantes de facções criminosas, quatro policiais morreram durante a ação.
Outras nove pessoas ficaram feridas, entre elas três moradores, dois PMs e quatro civis.
Mais de 80 pessoas foram presas, incluindo líderes de facções criminosas que atuariam não só no Rio, mas também em outros estados.
Durante a madrugada, familiares choravam ao lado dos corpos na praça, gritando por justiça e denunciando o uso excessivo da força.

Foto – Estadão








