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Manaus, AM, sábado, 31 de janeiro de 2026

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Sem provas, Trump associa uso do Tylenol ao autismo

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Nesta segunda-feira (22/9) o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a FDA, agência reguladora de medicamentos do país, irá notificar médicos sobre um “suposto risco” aumentado de autismo em crianças associado ao uso do Tylenol, o paracetamol (acetaminofeno), durante a gravidez.

Sem provas nenhuma, Trump declarou repetidas vezes: “Tomar Tylenol não é bom. Vou dizer, não é bom”. Segundo ele, autoridades de saúde do país vão recomendar que grávidas evitem o medicamento, a menos que seja algo “estritamente necessário”.

O paracetamol, ingrediente ativo do Tylenol, é um dos analgésicos e antitérmicos mais consumidos no mundo, usado para tratar dores e febre. Ele também é reconhecido por ter uso seguro na gravidez, já que as gestantes NÃO devem usar anti-inflamatórios não esteroidais, como o ibuprofeno.

Apesar de ser seguro e poder ser usado sob prescrição médica por grávidas, o risco de impacto do uso do paracetamol, no desenvolvimento fetal vem sendo cada vez mais estudado.

É importante destacar que NÃO existe evidência conclusiva de que o uso da droga na gestação provoque autismo.

Nos Estados Unidos, o medicamento é vendido sob o nome comercial de Tylenol, produzido pela farmacêutica Kenvue, que foi desmembrada da Johnson & Johnson em 2023. A empresa inclusive afirmou nesta segunda-feira que “não há base científica” para a associação feita pelo presidente estado unidense.

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O Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia afirmou que “estudos realizados no passado não mostram evidências claras que comprovem uma relação direta entre o uso prudente de paracetamol durante qualquer trimestre e problemas de desenvolvimento de fetos”.

O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido afirmam que o paracetamol é a “primeira escolha” de analgésico para tratar gestantes. “É comumente tomado durante a gravidez e não faz mal ao bebê”, afirmam as diretrizes britânicas.

Leucovorina contra o autismo

Trump também defendeu o uso da leucovorina — uma forma de ácido fólico já indicada em alguns tratamentos contra o câncer — como possível terapia para sintomas de autismo. O governo americano não apresentou novo estudo de eficácia que embasasse a recomendação do uso.

A FDA anunciou oficialmente a aprovação de uma versão da leucovorina fabricada pela britânica GSK, que havia sido retirada do mercado anos atrás por motivos comerciais.

De acordo com o comunicado, a suposta análise de dados de mais de 40 pacientes, incluindo crianças, diagnosticados com uma condição metabólica rara chamada deficiência cerebral de folato (CFD), que pode causar sintomas neurológicos semelhantes aos observados em pessoas com autismo.

Estudos clínicos de alcance limitado apontaram algum potencial de melhora no caso da leucovorina, em sintomas relacionados ao autismo, mas a comunidade científica reforça que são necessárias pesquisas de maior escala, randomizadas, para comprovar qualquer benefício.

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O que é o autismo?

Autismo é uma condição do desenvolvimento neurológico, conhecida como transtorno do espectro autista (TEA), que se manifesta de formas muito diferentes em cada pessoa.

Pode envolver atrasos na linguagem, na aprendizagem e nas habilidades sociais ou emocionais.

Em casos mais graves, há ausência de fala e deficiência intelectual, mas a maioria dos indivíduos no espectro apresenta quadros bem mais leves.

Casos de autismo estão aumentando pelo mundo?

A sensação do aumento de casos de autismo, está ligado principalmente à ampliação do conceito de autismo e às mudanças nos critérios diagnósticos médicos.

Até os anos 1990, apenas os quadros mais severos eram incluídos. Com a revisão das definições a partir dos anos 2000, casos mais leves passaram a ser identificados.

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A prevalência, que era estimada em 1 para cada 150 crianças no início do século, hoje é de cerca de 1 em cada 31.

O que diz as pesquisas?

A ciência já mostrou que o autismo tem base principalmente genética. Mais de uma centena de genes associados à condição já foram identificados. Esses genes podem ser herdados, mesmo que os pais não apresentem sinais de autismo, ou resultar de mutações que ocorrem ainda durante o desenvolvimento fetal.

Donald Trump citou uma revisão publicada em agosto de 2025 na revista científica “Environmental Health” que analisou 46 estudos sobre o uso de paracetamol na gravidez e possíveis efeitos no desenvolvimento neurológico das crianças. O trabalho encontrou indícios de associação do medicamento com maior risco de TDAH ou autismo em parte das pesquisas, mas outras não confirmaram essa relação.

Como esses estudos são observacionais, com limitações na forma de medir a exposição e possíveis fatores de confusão, os autores optaram por não calcular um risco único. A conclusão é que há sinais consistentes, mas sem prova de causalidade, e que o paracetamol continua sendo o analgésico mais indicado na gestação — desde que usado na menor dose e tempo possível, sempre com orientação médica.

Outros fatores

Fatores como idade avançada do pai, parto prematuro ou condições de saúde da mãe durante a gestação, como febre, infecções ou diabetes, podem aumentar o risco quando combinados com predisposição genética, apontam pesquisadores.

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Vacinas não causam autismo

Já a hipótese de que vacinas, como a tríplice viral contra o sarampo, estariam relacionadas ao autismo já foi amplamente desmentida pela ciência.

Existe relação entre paracetamol e autismo?

A conclusão é que os sinais encontrados em estudos anteriores provavelmente se devem a fatores de confusão, como as condições de saúde que motivaram o uso do paracetamol, e não a um efeito causal do remédio.

Médicos também alertam que não tratar febres na gravidez pode trazer riscos sérios, como aborto espontâneo ou parto prematuro.

Imagem: Divulgação

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