Curiosidades Amazônicas
Mil gírias ameaçadas: Gírias amazonenses estão morrendo por culpa da internet!
A linguagem popular do Amazonas é uma verdadeira joia cultural, composta por mais de mil gírias e expressões que retratam o modo de vida, os costumes e a história da região. Usadas por manauaras de todas as idades — dos curumins às vovós — essas palavras refletem uma mistura rica entre heranças indígenas, nordestinas e portuguesas.
Termos como “brocado” (com fome), “de bubuia” (descansando), “carapanã” (mosquito), “kikão” (cachorro-quente) e “leso” (alguém atrapalhado) são apenas algumas das expressões que compõem esse vocabulário singular. O linguista Rafael Amoêdo alerta que, apesar da força cultural, esse patrimônio está ameaçado pela crescente influência das gírias da internet e das linguagens padronizadas nas redes sociais.
“A cultura digital modifica a forma como as pessoas se comunicam e, aos poucos, vai deixando de lado essas expressões regionais. Preservá-las é manter viva a nossa identidade”, explica o professor.
Amoêdo destaca que a fala manauara é fortemente influenciada pelos indígenas, como no caso de “ficar de bubuia” ou “só o cuí”. Além disso, muitas gírias surgem de analogias com o cotidiano. Um exemplo é “ticar bodó”, que significa “ficar maluco” — já que o bodó, peixe comum na região, não pode ser ticado (cutucado) por conta da pele dura.
A importância dessas expressões é tão significativa que inspirou o livro “Amazonês: expressões e termos usados no Amazonas”, escrito pelo linguista Sérgio Freire. A obra reúne cerca de 1.100 termos locais e se tornou uma espécie de dicionário informal da linguagem popular amazonense.
Amoêdo reforça que a linguagem é um fator de identidade social. “Cada grupo tem seus modos únicos de falar. O kikão é um ótimo exemplo: é diferente até na forma de preparo, destacando os costumes locais e a memória afetiva da região.”
Preservar essas expressões é mais do que manter palavras vivas: é proteger uma história viva. Especialistas defendem que escolas, projetos culturais e a mídia regional devem incentivar o uso e o ensino dessas gírias, garantindo que o vocabulário regional continue firme, mesmo diante das transformações do mundo digital.
Confira algumas expressões bastante características do Amazonas
Brocado: Quando o manauara está com fome, ele fala “estou brocado”.
De bubuia: Quando está descansando ou sem fazer nada, se estar “de bubuia”.
Leso: Alguém que faz alguma besteira é chamado de “leso” ou para chamar a atenção de alguém “tu é leso”.
Carapanã: Nome dado para mosquitos.
Kikão: Ao invés de falar “cachorro-quente” ou “hot dog” o manauara se refere ao pão, com salsicha e molho, como “Kikão”. Essa expressão surgiu após o sucesso de um lanche que tinha um homem chamado de Kiko onde ele vendia cachorro-quentes com este nome.
Dindim: Dindim é uma variação local da sobremesa caseira gelada, conhecida em outros locais como chopp, sacolé ou “ch up-chup”.
Maceta: Seria algo considerado muito grande.
Até o tucupi: Significa dizer que algo está lotado, cheio de gente.
Fuleiro: Usado para se referir a algo que que quebra fácil, que não presta.
Mano e Mana: É usado para chamar alguém.








