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Manaus, AM, sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Brasil

Aldeia COP acende o debate sobre direitos das mulheres na Cúpula das Mulheres Indígenas do Mundo

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A força e a liderança das mulheres indígenas deram o tom da Cúpula das Mulheres Indígenas do Mundo, realizada na última sexta-feira, 14 de novembro de 2025, em Belém do Pará. O encontro, marcado por reflexões profundas sobre justiça climática, equidade e protagonismo feminino, integrou a programação oficial da Aldeia COP, espaço montado na Escola de Aplicação da Universidade Federal do Pará (EAUFPA).

A Aldeia COP é fruto da parceria entre a UFPA, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), a Fepipa e a SEPI, reunindo lideranças de várias regiões do Brasil e do mundo.

A abertura da Cúpula foi marcada por uma benção das Mulheres Guajajaras, ressaltando espiritualidade, força ancestral e respeito às tradições. Logo em seguida, Joziléia Kaingang, diretora executiva da ANMIGA, reforçou que a centralidade do evento era dar voz às demandas das mulheres indígenas. “O que nós desejamos é um futuro possível para nossos povos, e também para toda a humanidade”, destacou.

Fotos: Aryanne Almeida / Kaio Cardoso

Mulheres no centro da agenda climática

Durante a plenária, participantes enfatizaram a urgência de ampliar a representação feminina nos debates internacionais sobre clima. Ceiça Pitaguary, secretária nacional de Gestão Ambiental e Territorial Indígena do MPI, lembrou que a COP 30 deve ser um marco para a implementação efetiva de medidas de combate às mudanças climáticas, e que isso só será possível com a participação ativa das mulheres.

Já Puyr Tembé, secretária estadual dos Povos Indígenas do Pará, ressaltou que além dos debates sobre mitigação dos danos ambientais, a troca de experiências e saberes entre diferentes povos é um dos grandes legados da COP 30.

Para mulheres de diferentes territórios, a Cúpula representou um momento histórico de união, escuta e reivindicação. A plenária também abriu espaço para denúncias, pedidos de apoio e relatos de emergências nas comunidades, reforçando a importância de um ambiente seguro e acolhedor.

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Fotos: Aryanne Almeida / Kaio Cardoso

Aldeia COP: convivência, articulação e protagonismo

O espaço da Aldeia COP, inaugurado no dia 12 e ativo até 21 de novembro, acolhe cerca de 3 mil indígenas do Brasil e do mundo durante a COP 30. Mais que alojamento, a estrutura tem sido um ponto de encontro político, cultural e formativo.

Para a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, a Aldeia COP simboliza um passo essencial na luta climática. “Até agora, nada do que foi discutido reduziu as emissões globalmente. Por isso é fundamental escutar a ciência, mas também quem realmente protege, e os povos indígenas são fundamentais nesse enfrentamento”, afirmou.

Sônia também destacou a parceria com a UFPA. Segundo ela, mais do que um espaço físico, está sendo construída uma relação duradoura e estratégica para o futuro. “A UFPA tem sido fundamental, acolhendo e contribuindo com todo o processo. Deixaremos aqui um legado”, completou.

O diretor da EAUFPA, Edilson Nery, ressaltou o orgulho da instituição em sediar a Aldeia COP. “Em mais de 60 anos, é a primeira vez que recebemos um evento desse porte. É uma ação prática da formação cidadã que promovemos”, afirmou.

Para o manauara Davison Silva, cientista social e produtor da Aldeia COP, o diferencial é o protagonismo indígena na organização. “Eles lideram tudo, da política à produção, para garantir qualidade e agilidade. Queremos entregar algo que as pessoas nunca viram: um espaço inclusivo, acolhedor e marcante”, disse.

Arquitetura da Aldeia COP leva assinatura de Marcelo Rosenbaum

A Aldeia COP reúne espaços pensados para acolher e fortalecer a vivência coletiva. Entre os destaques estão:

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Casa Ancestral, dedicada às práticas de medicina tradicional e espiritualidade;

Domo, onde ocorrem as principais plenárias e debates;

Pontes de palafita e áreas abertas de convivência.

Toda a estrutura fica como legado permanente para a comunidade escolar da UFPA.

O projeto arquitetônico foi assinado por Marcelo Rosenbaum, conhecido por suas criações inspiradas em culturas tradicionais, como a do povo Yawanawá, no Acre. Durante visita em 8 de novembro, ele conversou com a equipe do Movimento Ciência e Vozes da Amazônia sobre a construção do espaço.

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