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Caso Orelha: o que se sabe sobre a morte do cachorro que comoveu o Brasil
A morte brutal do cachorro comunitário Orelha, na Praia Brava, no Norte de Florianópolis (SC), deixou moradores, turistas e internautas revoltados. O animal, conhecido por ser dócil, brincalhão e parte da rotina da comunidade, foi vítima de agressões violentas atribuídas a um grupo de adolescentes. O caso ganhou repercussão nacional e segue em investigação pela Polícia Civil.
Novos desdobramentos da investigação
Segundo informações divulgadas nesta terça-feira (27), três homens, familiares dos adolescentes suspeitos, foram indiciados por coagir o vigilante que denunciou o crime.
Segundo o delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, imagens levantaram a suspeita de intimidação armada:
“Existia um volume debaixo da camisa. Não sabemos se era uma arma, mas há indícios. Por isso pedimos busca e apreensão, embora ainda não tenha sido localizada nenhuma arma.”
A delegada Mardjoli Adorian também apontou que os jovens são investigados por outros atos infracionais, incluindo crimes contra a honra, depredação de patrimônio e ocorrências patrimoniais na região da Praia Brava.
Quem era Orelha
Orelha era um cachorro vira-lata, com cerca de 10 anos, que não tinha um tutor específico, mas era cuidado por toda a comunidade. Ele circulava livremente pelo bairro, recebia alimentação, cuidados veterinários e carinho de moradores e turistas.
Seu desaparecimento repentino chamou atenção. Dias depois, ele foi encontrado gravemente ferido, agonizando. Levado às pressas para uma clínica veterinária, acabou sendo submetido à eutanásia, devido à gravidade dos ferimentos.
A veterinária Fernanda Oliveira, que acompanhava o animal, descreveu Orelha como:
“Sinônimo de alegria. Extremamente dócil, brincalhão e muito amado. Bastava alguém falar com ele de forma carinhosa que ele abanava o rabo e se deitava pedindo carinho.”

Caso Orelha o que se sabe sobre a morte do cachorro que comoveu o Brasil – Foto: Reprodução/Redes sociais
Violência confirmada por laudo pericial
As agressões ocorreram entre os dias 3 e 4 de janeiro na Praia Brava, que concentra condomínios de alto padrão em Florianópolis. Orelha foi encontrado por moradores já em estado crítico. Ele teve que ser submetido à eutanásia no dia 5, em um hospital veterinário.
O laudo confirmou que a lesão na cabeça de Orelha pode ter sido causada por um pedaço de pau ou uma garrafa. Câmeras de segurança registraram seis adolescentes caminhando pela praia durante a noite, sendo quatro deles identificados como suspeitos diretos.

Caso Orelha o que se sabe sobre a morte do cachorro que comoveu o Brasil – Foto: Reprodução
A polícia cumpriu mandados de busca e apreensão nas casas de alguns dos jovens, recolhendo celulares e computadores para perícia. Dois adolescentes estão de férias nos Estados Unidos e devem prestar depoimento assim que retornarem ao Brasil.
Outro cachorro também foi vítima
Além de Orelha, um segundo cachorro comunitário, conhecido como Caramelo, também sofreu agressões e quase morreu afogado. Ele sobreviveu e acabou sendo adotado pelo delegado responsável pelo caso. A polícia ainda investiga se o mesmo grupo tentou afogar outro animal na região.

Caramelo – Foto: Reprodução/ Redes sociais
O que dizem as famílias dos suspeitos
Dias após a repercussão do crime, famílias de dois adolescentes se manifestaram. Em nota, os pais afirmaram que os filhos não tiveram envolvimento no caso, disseram confiar na investigação e também declararam querer justiça por Orelha.
O que diz a lei?
O crime de maus-tratos a animais pode resultar em até cinco anos de prisão. No entanto, como os suspeitos são menores de idade, eles estão sujeitos a medidas socioeducativas, como advertência, prestação de serviços comunitários ou reparação de danos.
Segundo o advogado criminalista Henrique Comeli, os pais não respondem criminalmente, mas podem ser responsabilizados civilmente, conforme prevê o Código Civil.
Comoção, protestos e mobilização social
Desde a morte de Orelha, moradores, ONGs, autoridades e celebridades se mobilizam por justiça. Protestos foram realizados nos dias 17 e 24, reunindo dezenas de pessoas vestidas com camisetas personalizadas, cartazes com a frase “Justiça por Orelha” e acompanhadas de seus próprios cães.
A mobilização também tomou conta das redes sociais com a hashtag #JustiçaPorOrelha.

Caso Orelha o que se sabe sobre a morte do cachorro que comoveu o Brasil – Foto: Divulgação
Um símbolo que não será esquecido
A Associação de Moradores da Praia Brava destacou que Orelha se tornou um símbolo de afeto, cuidado e convivência comunitária.
“Orelha fazia parte do cotidiano do bairro há muitos anos. Um símbolo simples, mas profundamente querido.”









