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Manaus, AM, quarta-feira, 27 de maio de 2026

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O Amazonas fez história : Milton Hatoum toma posse na Academia Brasileira de Letras!

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Milton Hatoum / Foto : Divulgação

Ontem, 24 de abril de 2026, na sede da Academia Brasileira de Letras, no Petit Trianon, no Rio de Janeiro, o escritor amazonense Milton Hatoum tomou posse na cadeira nº 6. Ele sucede o jornalista e acadêmico Cícero Sandroni, falecido em junho de 2025. Eleito em agosto do ano passado com 33 dos 34 votos possíveis, Hatoum, aos 73 anos, tornou-se o primeiro imortal nascido no Amazonas na história da ABL – a Casa de Machado de Assis.

Sobre Milton Hatoum

Nascido em Manaus em 19 de agosto de 1952, filho de imigrantes libaneses, Milton Assi Hatoum cresceu entre as ruas arborizadas do centro antigo da capital, cercado pela diversidade cultural do Rio Negro e pela memória viva de uma cidade que misturava tradições indígenas, ribeirinhas e imigrantes do Oriente Médio. Até os 15 anos, viveu na capital amazonense. Depois, mudou-se para Brasília, onde estudou no Colégio de Aplicação da UnB.

Em São Paulo, formou-se em Arquitetura pela USP. Na França, aprofundou-se em literatura na Sorbonne, em Paris. De volta ao Brasil, foi professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) até 1999, além de lecionar em Taubaté e ser professor visitante na Universidade da Califórnia. Colunista do jornal O Estado de S. Paulo, tradutor e cronista, Hatoum transformou a própria vida em ficção, como ele mesmo declarou na cerimônia de posse.

Sua obra, traduzida para mais de 17 idiomas e com mais de 500 mil exemplares vendidos, é um dos maiores patrimônios da literatura brasileira contemporânea. O romance de estreia, Relato de um Certo Oriente (1989), ganhou o Prêmio Jabuti e colocou Manaus no mapa da ficção nacional. Com prosa lírica e precisa, o livro reconstrói a cidade dos anos 1950 e 1960 vista pelos olhos de uma família de imigrantes libaneses, explorando temas como memória, identidade cultural e o peso do tempo. Foi o início de uma trajetória marcante.

Em Dois Irmãos (2000), outro Jabuti, Hatoum mergulha nos conflitos familiares e nas transformações sociais de Manaus. O romance ganhou adaptação para minissérie da Globo e consolidou o autor como um dos grandes narradores do Brasil. Cinzas do Norte (2005), também Jabuti, e Órfãos do Eldorado (2008) aprofundam o olhar sobre a Amazônia em mutação: a chegada do progresso, o fim de um mundo ribeirinho, a melancolia de quem vê a cidade mudar. Outros títulos importantes são A cidade ilhada (2009, contos), A noite da espera (2017) e Pontos de fuga (2019), nos quais o autor continua a costurar dramas íntimos com o pano de fundo histórico e político do país.

 

Milton Hatoum / Foto : Divulgação

Milton Hatoum / Foto : Divulgação

Na Posse da ABL

Na posse, Hatoum foi recebido pela presidente da ABL, Ana Maria Machado, que destacou a relação do escritor com o tempo e a permanência. Em seu discurso, ele homenageou antecessores, falou da fronteira entre literatura e realidade e reafirmou o compromisso de toda uma vida: falar de livros e da importância da leitura, especialmente para jovens de escolas e universidades. “Eu, sendo membro da ABL, não sou mais apenas um escritor”, disse ele em entrevista recente.

Para o Amazonas, o momento é histórico. Hatoum não é apenas um escritor premiado – ele é a prova de que a periferia do Brasil produz literatura universal sem abrir mão de suas raízes. Suas páginas eternizam o cheiro de igarapé, o barulho das canoas, as histórias de imigrantes e a força da cultura amazônica. Ao entrar na ABL, ele carrega o Rio Negro, o Teatro Amazonas e a voz de milhares de amazonenses que, como ele, sonharam grande sem esquecer de onde vieram.

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O reconhecimento da Academia não é só para um homem. É para uma terra que, mesmo distante dos grandes centros, forma gigantes da literatura. Milton Hatoum leva o Amazonas para o panteão da língua portuguesa. E nós, amazonenses, sentimos o peito inflar de orgulho.

Milton Hatoum / Foto : Divulgação

Milton Hatoum / Foto : Divulgação

Porque, como ele mesmo mostra em cada livro, aqui a gente não perde a essência. A gente a transforma em arte. E hoje, essa arte é imortal.

Sou o idealizador do No Amazonas é Assim e um apaixonado pela nossa terra. Gravo vídeos sobre cultura, comunicação digital, turismo e empreendedorismo além de políticas públicas.

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