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Manaus, AM, sexta-feira, 6 de março de 2026

Memórias do Amazonas

A história do homem que nasceu, trabalhou e morreu em um avião depois de um trágico acidente aéreo no Amazonas!

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A história do paranaense que nasceu, trabalhou e morreu em um avião. Ele morreu aqui no Amazonas!

Existem algumas histórias que nunca deixam de nos chocar, sejam pela forma como ela aconteceu, sejam pelas curiosidades em torno dela. Uma dessas histórias é a do Miguel Vaspeano Lepeco.

Miguel Vaspeano Lepeco, nasceu no dia 10 de junho de 1957 de uma forma muito surpreendente! Ele nasceu a bordo de um avião da Viação Aérea de São Paulo (VASP) E claro, que foi daí que veio seu segundo nome “Vaspiano”.

Esta história é tão singular quanto curiosa. Miguel Vaspeano é natural de Maringá, no Paraná.

Grávida, a mãe dele começou a sentir as dores do parto e enquanto o avião sobrevoava Maringá, o filho acabou vindo ao mundo, sendo concebido ali mesmo, com a ajuda de quem ocupava a aeronave. A intenção era fazer o parto em um hospital de Curitiba, mas não deu tempo.

Naquele dia normal, uma aeronave DC-3, que pertencia à antiga VASP, estava chegando a cidade, quando um fato mudou completamente o trabalho dos comissários de bordo e tripulantes: um nascimento.

O comandante do voo foi convidado para ser padrinho do bebê e foi ele quem pediu à família para darem à criança o nome de Vaspeano.

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Miguel Vaspeano Lepeco / Foto : Divulgação

Miguel Vaspeano Lepeco / Foto : Divulgação

Sem nenhuma experiência em realizar partos, os comissários de bordo iniciaram o processo, no improviso mesmo. Com o desejo de que a espera da mãe para dar a luz ao menino fosse o mais rápido e menos doloroso possível.

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Ao entrar no espaço aéreo da pequena Maringá, uma surpresa: nascia mais uma criança. Uma criança que não somente tinha um destino qualquer como as outras. Esta criança já tinha a sua vida traçada naquele mesmo exato momento: o destino de se tornar um piloto.

O fato tornou-se destaque em todos os jornais da região e, a sua mãe, contente com o esperado, começou a desembarcar da aeronave, descendo degrau por dregau, com os olhos cheios de alegria e com um rosto bem alegre e atenta aos movimentos da criança.

Aquele simples menino até teve no sobrenome um grande presente. A mistura se formou em Vaspiano, dando como homenagem à empresa onde teve seu nascimento.

A homenagem lhe rendeu voos vitalícios na VASP e até menções honrosas, como conta no jornal.

Lepeco ganhou passagens até o fim da empresa, que faliu em 2008.

Miguel Vaspeano

Miguel Vaspeano

Miguel Vaspeano Lepeco então tornou-se funcionário da empresa e posteriormente piloto de avião.

Coincidência ou destino, o sonho de Vaspeano sempre foi ser piloto de avião, conforme lembra a filha, Andréa Lepeco.

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“As histórias dele eram sempre sobre os voos que ele fazia, as coisas que aconteciam no ar, os problemas e as soluções rápidas que ele encontrava”, contou a filha em uma entrevista.

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Vaspeano passou a vida todo trabalhando entre as nuvens. Ele foi, na maior parte de sua carreira vida, piloto de garimpo. Isso porque, lembra a filha, o pai gostava da liberdade de voar sozinho, não se interessando muito pela aviação comercial.

O trabalho exigiu que a família de Vaspeano morasse em diversos lugares: São Paulo, Curitiba, Manaus, entre outros municípios espalhados pelo Brasil.

“Muitas vezes ele levava a gente para andar de avião, quando o patrão deixava”, recorda Andréa.

Ela diz que antes da queda do avião, o pai havia passado por vários perrengues, como pousos de emergência, mas nunca por um acidentes aéreos.

Em 13 de maio de 2010, aos 52 anos, Vaspeano pilotava um bimotor Sêneca, da empresa de táxi aéreo pela qual estava trabalhando, e ali terminava a sua vida da mesma forma que veio: através das alturas.

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Por volta das 14h30, iniciava um procedimento rotineiro: transportar pessoas para outros lugares. Decolava do aeroclube de Manaus, levando junto uma comitiva de funcionários da Secretaria de Estado e Qualidade do Ensino do Amazonas (SEDUC), entre eles, a secretária de educação, Cínthia Régia.

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Minutos depois de decolar do aeroclube, segundo informações, o comandante Vaspeano (como era conhecido), falou à torre que iria retornar à origem.

O destino estava traçado e o menino que nasceu nas alturas já não podia mudar o destino que foi colocado.

Ele tentou ainda pousar sobre a área do Colégio Salesiano Dom Bosco Leste, mas a aeronave estava em alta altitude e começava a perder altura rapidamente. Ainda tentou acionar o trem de pouso e pousar no lugar; mas era impossível fazer o procedimento.

A perícia que o comandante Maciano em escolher aquele lugar para miminizar a tragédia foi marcante. Caso aquele lugar não fosse usado, a aeronave poderia cair em várias casas ou até mesmo próximo ao Terminal 5.

Mas, aquele fato que mudou a rotina daquele aeroporto no dia 10 de junho de 1957, acabou reeacontecendo ao contrário no dia 13 de maio de 2010, onde, o menino que nasceu nas alturas, acabou deixando sua vida nas alturas.

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“O voo foi fretado para transportar funcionários da Secretaria de Educação do Amazonas. Meu pai reportou falha elétrica para torre, avisou que estava voltando, mas no que ele tentou retornar para fazer o pouso, o terreno era muito acidentado e não deu. A aeronave acabou caindo ao lado de um colégio e a poucos metros de algumas casas”, detalha Andréa.

A investigação do acidente apontou problema de sobrepeso e peças danificadas.

 

 

Acidente aéreo do Comandante Miguel Vaspeano Lepeco / Foto : Michael Dantas / ACrítica

Acidente aéreo do Comandante Miguel Vaspeano Lepeco / Foto : Michael Dantas / ACrítica

Sou o idealizador do No Amazonas é Assim e um apaixonado pela nossa terra. Gravo vídeos sobre cultura, comunicação digital, turismo e empreendedorismo além de políticas públicas.