Memórias do Amazonas
Grande Enchente de 1953: Quando Manaus se tornou um mar infindo!
A cidade de Manaus foi palco, em 1953, de uma das maiores tragédias naturais de sua história: a grande enchente que transformou a paisagem urbana e ribeirinha em um verdadeiro mar de águas turvas e incontroláveis. O fenômeno, descrito com dramaticidade e sensibilidade na revista Bom Dia, retrata um Amazonas vencido pelas águas, em que o rio deixou de seguir seu leito e passou a invadir ruas, casas e destinos.
As cenas da enchente de 1953 mostram a força de uma natureza indomável. Igarapés, furos e paranás transbordaram, rompendo suas margens e levando consigo barrancos, plantações e construções inteiras. A água cobria a terra em uma vastidão líquida, apagando os contornos conhecidos da cidade e tornando impossível distinguir onde começava o rio e terminava a terra firme. Com isso, o Lago do Baixio e suas adjacências viraram um cenário de destruição constante.
Moradores, sem ter para onde fugir, improvisaram suas moradias em esteios de tábuas, ou nas frágeis bases de barracões e tapiris que oscilavam perigosamente sobre a correnteza. Os mais pobres, sobretudo os ribeirinhos, conviviam com a angústia diária de ver seus poucos pertences boiando ou sendo levados pelas águas. A enchente também provocou o isolamento de inúmeras comunidades. Marombas, ilhas artificiais construídas com toras de madeira e palha, não conseguiam conter o fluxo das águas e acabavam se desmanchando, deixando famílias inteiras à deriva.
A população sofria não só com a perda material, mas também com o impacto psicológico e sanitário. Animais mortos, escombros e restos de construções flutuavam lado a lado com os sobreviventes. Baratas, ratos, escorpiões e outras pragas invadiam as áreas alagadas, intensificando o clima de medo e desespero.
À noite, a cidade mergulhava em uma escuridão ainda mais cruel, iluminada apenas por velas ou lampiões a querosene, refletindo nas águas barrentas os rostos cansados e aflitos de um povo que resistia. Como descreve poeticamente a crônica da época: “Manaus era um mar que corria e refluiu, cansado de lutar de muitos anos.”
A enchente de 1953 permanece como símbolo da força amazônica e da resiliência de seu povo. Um evento que marcou gerações e reforçou a necessidade de respeito e preparo diante dos fenômenos naturais.
Abaixo, uma das fotos mais emblemáticas do período, tirada por Silvino Santos, e colorida com inteligência artificial. Em primeiro lugar, vista da rua Floriano Peixoto, em Manaus, com uma enchente pela cheia do rio Negro, em 1953, com as pontes de madeira construídas para a população transitar.
Em segundo lugar, à esquerda, temos o gradil de ferro da Praça da Matriz. A água invadiu os prédios da Alfândega, da praça e dos estabelecimentos comerciais localizados na referida rua e adjacências.

A água invadiu os prédios da Alfândega, da praça e dos estabelecimentos comerciais localizados na referida rua e adjacências.
Foto: Silvino Santos.



























