Polícia
Cenário de guerra no Rio: 64 mortos e 81 presos em megaoperação contra o Comando Vermelho
O Rio de Janeiro viveu nesta terça-feira (28/10) um verdadeiro cenário de guerra. Uma megaoperação contra o Comando Vermelho (CV) nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte, deixou 64 mortos — entre eles quatro policiais — e 81 presos, segundo o governo do estado. O número faz desta a operação mais letal da história fluminense.
Logo após o início da ação, o tráfico reagiu com violência: barricadas e veículos incendiados bloquearam trechos da Linha Amarela, da Grajaú-Jacarepaguá e da Rua Dias da Cruz, no Méier. O Centro de Operações do Rio elevou o nível de alerta para estágio 2, e a Polícia Militar colocou todo o efetivo nas ruas, suspendendo serviços administrativos.
Vídeos registraram centenas de disparos em poucos minutos e colunas de fumaça se espalhando sobre as comunidades, que tiveram escolas, postos de saúde e linhas de ônibus paralisados. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, 45 unidades escolares não abriram nas áreas afetadas.

Imagem: Divulgação
Repercussão e críticas ao governador
A escalada de violência reacendeu críticas ao governador Cláudio Castro (PL), que agora pede ajuda ao governo federal para conter a crise — após ter se posicionado contra a PEC da Segurança Pública, proposta encaminhada ao Congresso em abril deste ano pelo governo Lula.
A PEC prevê a integração das forças federais, estaduais e municipais em um sistema unificado de segurança, mas foi ignorada por parte da bancada bolsonarista na Câmara, que se recusa a pautar o tema e concentra esforços em discussões sobre anistia aos atos de 8 de janeiro.
O comportamento do governador gerou indignação popular. Críticos apontam contradição entre o discurso de autonomia estadual e o pedido de socorro ao Planalto. Nas redes sociais, internautas acusam Cláudio Castro de “colocar os próprios policiais em risco”, após a morte de dois agentes do BOPE durante os confrontos.
A operação
A ação faz parte da Operação Contenção, programa permanente de combate ao tráfico e à expansão do CV.
Mais de 2.500 agentes participaram, cumprindo 100 mandados de prisão. No início da incursão, ainda de madrugada, criminosos reagiram com tiros, barricadas em chamas e bombas lançadas por drones.
Entre os presos estão Thiago do Nascimento Mendes, o Belão do Quitungo, um dos chefes do CV, e Nicolas Fernandes Soares, apontado como operador financeiro do alto comando da facção.
O secretário de Segurança Pública do RJ, Victor Santos, afirmou que a operação “foi planejada com antecedência e executada apenas com recursos estaduais”.
“São nove milhões de metros quadrados de desordem. Lamentamos profundamente as vidas perdidas, mas essa é uma ação necessária e planejada”, disse o secretário.
Balanço parcial
64 mortos (60 suspeitos e 4 policiais, sendo 2 do BOPE);
81 presos;
75 fuzis, 2 pistolas e 9 motos apreendidos;
3 civis feridos, entre eles uma mulher atingida dentro de uma academia e um homem em situação de rua baleado nas costas.
Contexto político
A PEC da Segurança Pública, enviada pelo presidente Lula em abril, propõe um Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) para melhorar a coordenação entre polícias e forças armadas. O projeto, no entanto, não avançou na Câmara, dominada por parlamentares bolsonaristas aliados de Castro.
Agora, diante da crise e da repercussão internacional do massacre, o governador corre para buscar apoio federal.
A contradição entre a postura política e o apelo emergencial intensificou as críticas, colocando o governo fluminense sob pressão.
Confira nos vídeos que mostram como foi a mega operação no Rio de Janeiro:








