Internacional
Brasil segue sua rotina normalmente após prisão de Bolsonaro, com dólar fechando abaixo de R$ 5,40
Dois dias após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, em 22 de novembro de 2025, o Brasil demonstra uma impressionante normalidade. Ao contrário das previsões apocalípticas que sugeriam que o país pararia, o mercado financeiro seguiu seu curso, e a economia, aparentemente, não foi abalada pelo evento.
Nesta segunda-feira, 24, o dólar fechou com um recuo de 0,13%, cotado a R$ 5,3951. O resultado da moeda norte-americana está diretamente ligado a uma expectativa otimista no cenário internacional. Especula-se que o Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos, poderá anunciar um corte de juros já no mês de dezembro, o que ajuda a pressionar o dólar para baixo. Em 2025, a moeda acumulou perdas de 12,69%.
A trajetória do real frente ao dólar se manteve favorável, sem grandes oscilações, mesmo após a detenção do ex-presidente, que, para muitos, seria um evento que desencadearia um colapso econômico. No entanto, o Brasil seguiu sua rotina normalmente, demonstrando a resiliência da economia nacional, que já enfrentou desafios mais profundos e continua se ajustando.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tem sido um dos responsáveis por manter o mercado financeiro com perspectivas mais equilibradas. Em evento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), realizado em São Paulo, Galípolo afirmou que o BC ainda não está satisfeito com o atual patamar da inflação, que não convergiu completamente para a meta de 3%. Esse posicionamento indica que o Banco Central manterá a política de juros restritivos por mais algum tempo, apesar da desaceleração da inflação observada recentemente.
No Boletim Focus, divulgado também na segunda-feira, a expectativa para a inflação em 2025 foi ajustada para 4,45%, abaixo do teto da meta. Esse dado vem após a divulgação do resultado da inflação de outubro, que foi de apenas 0,09%, a menor taxa para o mês desde 1998. A inflação acumulada nos últimos 12 meses, até outubro, ficou em 4,68%, mais uma boa notícia para a economia.
Essa projeção mais otimista para a inflação tem reflexos diretos sobre as previsões econômicas do país. A revisão para 2025 foi um avanço em relação às estimativas anteriores, quando a expectativa era de 4,56%. Para os anos seguintes, as projeções também melhoraram: 4,18% para 2026 e 3,80% para 2027. O que significa que a economia brasileira está se ajustando para um período mais estável, sem os picos inflacionários que tanto prejudicaram a vida dos brasileiros em anos anteriores.
No que diz respeito à Selic, a taxa básica de juros, atualmente em 15% ao ano, segue sendo um fator de contenção para a inflação. De acordo com o Boletim Focus, a previsão é que a Selic se mantenha em 15% até o final de 2025, o que é considerado um patamar elevado, mas necessário para garantir o controle da inflação. As previsões para os anos seguintes também foram revistas para baixo, indicando uma possível redução gradual dos juros nos próximos anos. A estimativa para 2026 agora é de 12%, enquanto a projeção para 2027 se mantém estável em 10,50%.
O cenário econômico do Brasil após a prisão de Bolsonaro mostra uma resiliência notável. Apesar de a política nacional passar por uma fase de transição, com o ex-presidente preso e várias incertezas políticas no horizonte, a economia segue seu ritmo, com a cotação do dólar abaixo de R$ 5,40 e uma inflação que, embora ainda distante da meta do Banco Central, mostra sinais claros de desaceleração.
O que os analistas apontam é que a economia brasileira, apesar de todas as turbulências políticas, continua com sua trajetória de recuperação, e o país não parou com a prisão de Bolsonaro, como muitos haviam predito. O Brasil segue mostrando que sua economia, embora afetada por desafios internos e externos, é resistente o suficiente para lidar com períodos de crise e seguir em frente, mantendo sua estabilidade.








