Polícia
Síndico é denunciado por stalking no caso da corretora que desapareceu em Goiás
O mistério em torno do desaparecimento da corretora de imóveis Daiane Alves de Souza, de 43 anos, em Caldas Novas (GO), ganhou um novo e grave desdobramento. O síndico do prédio onde ela morava, Cleber Rosa de Oliveira, foi denunciado pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) pelo crime de perseguição (stalking), com agravante de abuso de função.
A informação foi confirmada pelo advogado da família da vítima.
A nova denúncia foi apresentada no dia 19 de janeiro e enquadra Cleber no artigo 147-A do Código Penal, combinado com o artigo 61, que trata do agravamento quando há abuso de cargo ou função. Com esse novo processo, já somam 12 procedimentos judiciais envolvendo Daiane e o síndico.
Monitoramento, constrangimento e abuso de poder
De acordo com a denúncia assinada pelo promotor de Justiça Cristhiano Menezes da Silva Caires, Cleber teria usado sua posição de síndico para criar obstáculos na rotina da corretora, passando a monitorá-la constantemente pelas câmeras do condomínio.
Ainda segundo o documento, o síndico submetia Daiane a situações de constrangimento e intimidação, interferindo inclusive no fornecimento de serviços essenciais dos imóveis administrados por ela, como:
Energia elétrica
Água
Gás
Internet
Em um dos episódios, há inclusive registro de agressão física, conforme aponta a denúncia.
O MP também relata que Cleber fazia exigências fora do padrão administrativo, como solicitações presenciais com firma reconhecida em cartório, além de monitorar a movimentação da corretora e de hóspedes pelas câmeras, enviando imagens à própria irmã.
Mais um crime identificado pelo Ministério Público
Segundo a família, após análise detalhada dos processos já existentes, o Ministério Público identificou mais um possível crime cometido pelo síndico, caracterizando perseguição reiterada.
Os familiares ressaltam que o MP e o Judiciário vêm atuando de forma contínua nos procedimentos anteriores.
O conflito entre Daiane e Cleber teria começado após um desentendimento envolvendo a locação de um imóvel com número de hóspedes acima do permitido pelo condomínio.
Pedido de indenização
Além da responsabilização criminal, o Ministério Público também solicitou que a Justiça fixe uma indenização mínima por danos morais, no valor de dois salários mínimos.
De acordo com o advogado da família, Plínio César Cunha Mendonça, todas as linhas de investigação seguem sob sigilo, e ainda são aguardados os resultados de laudos periciais realizados no condomínio e em objetos apreendidos.
O desaparecimento que intriga a polícia
Daiane foi vista pela última vez no prédio onde morava, no centro de Caldas Novas, no dia 17 de dezembro.
Segundo a mãe da corretora, Nilse Alves Pontes, a filha desceu até o subsolo do prédio para tentar restabelecer a energia elétrica do apartamento, que estava sem luz.
Imagens de câmeras de segurança mostram Daiane entrando no elevador por volta das 19h, enquanto gravava um vídeo para uma amiga. Ela sai da cabine logo depois e não retorna.
Porta aberta e nenhum movimento bancário
Outro detalhe que chama atenção é que Daiane deixou a porta do apartamento aberta, indicando que pretendia voltar rapidamente. No entanto, quando a mãe chegou ao local, encontrou a porta já fechada.
A polícia também quebrou o sigilo bancário da corretora e constatou que não houve nenhuma movimentação financeira após o desaparecimento.
O carro de Daiane estava em uma oficina em Uberlândia (MG), e ela costumava utilizar aplicativos de transporte para se deslocar dentro da cidade.
O caso segue cercado de perguntas, silêncio investigativo e crescente expectativa por respostas.

Imagem: Reprodução








