Manaus
Nova metodologia de controle do Aedes aegypti em Manaus é apresentada a técnicos de saúde
A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), por meio da Divisão de Controle de Doenças Transmitidas por Vetores, realizou, nesta quinta-feira, 29/1, uma reunião técnica para apresentar a metodologia de implantação do sistema de ovitrampas, que passará a ser adotado em 2026 no controle do Aedes aegypti em Manaus. O encontro ocorreu no complexo de Saúde Oeste, no bairro da Paz, zona Oeste da capital, reunindo técnicos e gestores de Vigilância em Saúde e Controle das Arboviroses dos Distritos de Saúde (Disas) Norte, Sul, Leste e Oeste.

Fotos – Divulgação/Semsa
O chefe da Divisão de Controle de Doenças Transmitidas por Vetores, Alciles Comape, explicou que a nova estratégia, cuja implementação está prevista para iniciar em fevereiro, atende a uma determinação do Ministério da Saúde e representa um avanço significativo no monitoramento entomológico, fortalecendo as ações de vigilância e controle das doenças transmitidas pelo mosquito.
Segundo Alciles, as ovitrampas são recipientes de plástico contendo palhetas de madeira Eucatex, instaladas em domicílios localizados em pontos estratégicos. A função do equipamento é atrair as fêmeas do Aedes aegypti para a deposição de ovos, permitindo identificar a presença e a intensidade da infestação em cada localidade.
Após alguns dias da instalação, os agentes de saúde recolherão as palhetas para a contagem dos ovos, possibilitando o mapeamento das áreas com maior concentração do mosquito e a adoção de medidas de controle direcionadas às comunidades com maior risco.
“A reunião com os técnicos e gestores dos Disas foi o primeiro momento para esclarecer como o trabalho será desenvolvido ao longo do ano. Também estão previstas reuniões específicas com cada distrito, para que a metodologia seja construída de forma conjunta e adaptada às características de cada território”, destacou Alciles Comape.
De acordo com o planejamento da Semsa, serão instaladas 240 ovitrampas em cada uma das quatro zonas urbanas de Manaus — Norte, Sul, Leste e Oeste — priorizando bairros classificados como de alta vulnerabilidade pelo 4º Levantamento do Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa), realizado em novembro de 2025.
“A proposta é instalar, no prazo de duas semanas, 240 ovitrampas por Disa, em imóveis localizados na área central de nove quarteirões. Inicialmente, a ação será concentrada nos 18 bairros com maior vulnerabilidade, mas o planejamento é flexível. Caso haja melhora nos indicadores de infestação ou redução no número de notificações, as ovitrampas poderão ser remanejadas para outras áreas ao longo do ano”, explicou.
As ovitrampas deverão ser retiradas pelos agentes de saúde no período de cinco a seis dias após a instalação, antes do nascimento das larvas, evitando que se tornem criadouros do mosquito. As palhetas recolhidas serão encaminhadas para laboratório, onde será realizada a contagem e o registro do número de ovos.
Os 18 bairros classificados como de alta vulnerabilidade, conforme o 4º LIRAa de 2025, são: Tarumã-Açu, Tarumã, Cidade Nova, Parque 10 de Novembro, Flores, Aleixo, Jorge Teixeira, Gilberto Mestrinho, Zumbi, São José Operário, Compensa, Centro, Santa Etelvina, Colônia Terra Nova, Alvorada, Nova Esperança, Santo Antônio e Petrópolis.
Casos
Em 2025, Manaus registrou 1.237 casos confirmados de dengue, uma redução de 52,7% em relação a 2024, quando foram contabilizados 2.615 casos. No mesmo período, a Semsa confirmou ainda 10 casos de zika e 79 de chikungunya.
O chefe do Núcleo de Controle de Agravos Transmitidos por Aedes da Semsa, Edvaldo Raimundo Rocha, reforçou que, mesmo com a adoção da nova estratégia, a participação da população continua sendo fundamental no combate ao mosquito.
“Apesar da redução dos casos no ano passado, não podemos baixar a guarda. As notificações ocorrem ao longo de todo o ano e, em 2025, municípios do interior do Amazonas e estados vizinhos enfrentaram surtos e epidemias. Por isso, é essencial manter a vigilância constante, com a eliminação semanal de possíveis criadouros nos domicílios”, concluiu.








