Política
Agressões, censura e cassação: Saiba o que aconteceu na tarde de terror do Congresso em 2025
A tarde de terça-feira (9) se transformou em um dos episódios mais graves de censura, violência institucional e ataque à imprensa já registrados na Câmara dos Deputados.
Por ordem direta do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), a TV Câmara foi desligada exatamente no momento em que a Polícia Legislativa partia para dentro do plenário, empurrando o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) e expulsando jornalistas à força.
O gesto provocou forte repúdio de entidades jornalísticas, parlamentares e especialistas, e abriu uma crise institucional que já tem desdobramentos jurídicos.
🔥 Como a confusão começou: plenário tensionado após anúncio da cassação
O tumulto teve início após Hugo Motta anunciar que colocaria em votação o processo de cassação de Glauber Braga.
O parlamentar, que denuncia o orçamento secreto, os atos do ex-presidente da Câmara Arthur Lira e se opôs à votação que reduz penas de Jair Bolsonaro e envolvidos na tentativa de golpe de 8 de janeiro, reagiu ocupando a cadeira da Presidência da Mesa Diretora.
Foi nesse momento que a situação escalou.

Imagem: Reprodução
🚨 Câmeras desligadas, imprensa expulsa e violência da Polícia Legislativa
Com o plenário em ebulição, uma ordem surpreendente saiu da Presidência: desligar a TV Câmara, impedindo que a sociedade acompanhasse o que aconteceria a seguir.
Sem as câmeras, a Polícia Legislativa avançou para remover Glauber Braga.
Relatos de jornalistas, parlamentares e assessores apontam:
Empurrões e contenção física contra Glauber
Profissionais da imprensa sendo arrancados do plenário sob gritos
Repórteres fotográficos impedidos de registrar o ocorrido
Agentes barrando cinegrafistas que tentavam filmar com celulares
A cena, que deveria ser pública por direito constitucional, foi transformada em um vazio institucional de absoluta escuridão informativa.
🗣️ Fenaj e SJPDF repudiam censura e violência: “Gravíssimo atentado à democracia”
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) divulgaram nota dura repudiando o episódio.
Segundo as entidades:
“Profissionais foram agredidos pela Polícia Legislativa, impedidos de trabalhar e expulsos do plenário. O desligamento da TV Câmara configurou censura e violação do direito à informação.”
Ambas ressaltam que o ataque ocorre em um momento no qual o Congresso deveria garantir máxima transparência, especialmente diante de votações sensíveis, como:
a possível cassação de um deputado que denuncia esquemas poderosos;
a análise de projeto que tentaria reduzir a pena de condenados por atos golpistas.
As entidades exigem:
explicações públicas de Hugo Motta,
responsabilização dos agentes envolvidos,
e o fim da normalização de medidas autoritárias que “remontam à ditadura”.
📰 ABI anuncia ações judiciais contra Hugo Motta
A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) informou nesta quarta (10/12) que irá acionar judicialmente o presidente da Câmara.
A entidade anunciou três iniciativas formais:
Representação na Procuradoria-Geral da República por crime de responsabilidade ao interferir na liberdade de imprensa.
Denúncia internacional à Relatoria Especial de Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (OEA).
Representação na Comissão de Ética da Câmara por quebra de decoro parlamentar e infração disciplinar.
A ABI classificou o episódio como
“Violência institucional contra jornalistas, parlamentares, servidores e contra a própria democracia”.
⚖️ Glauber Braga: BO contra Motta e denúncia de perseguição
Retirado à força, Glauber afirmou que irá registrar boletim de ocorrência contra Hugo Motta.
O deputado diz ser alvo de perseguição política desde que denunciou:
o orçamento secreto,
abusos de Arthur Lira,
e casos de interferência no Legislativo.
Sua cassação foi aprovada na Comissão de Ética após discutir com um militante de extrema direita dentro da Câmara.
🔄 O contraste gritante: motim bolsonarista foi tratado de forma branda
A repressão contra Glauber e a imprensa contrasta fortemente com o episódio de agosto deste ano, quando aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro promoveram um motim ilegal dentro do Congresso Nacional.
Na ocasião:
os manifestantes ocuparam a Mesa Diretora,
impediram os trabalhos,
exigiam anistia a condenados por atos golpistas,
protestavam contra a decisão de Alexandre de Moraes que colocou Bolsonaro em prisão domiciliar.
A ocupação durou 47 horas no Senado e 36 horas na Câmara — sem qualquer ação violenta da Polícia Legislativa.
Nenhuma transmissão foi interrompida. Nenhum jornalista foi agredido. A ordem só foi restaurada sem uso da força.
A comparação tem pautado críticas à postura de Hugo Motta e ao padrão seletivo de repressão.
📌 Linha do tempo dos acontecimentos
1. Motta anuncia votação da cassação e do projeto que reduz penas de golpistas.
2. Glauber ocupa cadeira da Presidência em protesto.
3. Motta ordena: “Desliga a TV Câmara.”
4. Polícia Legislativa invade, agride e remove Glauber.
5. Jornalistas são expulsos; câmeras impedidas de operar.
6. Fenaj, SJPDF e ABI publicam notas duríssimas.
7. ABI anuncia ações legais no Brasil e no exterior.
8. Glauber registra BO e denuncia perseguição.
9. Comparações com motim bolsonarista expõem contradições.
🏛️ Democracia em xeque
Para entidades jornalísticas, o episódio representa um ponto de ruptura:
se o plenário da Câmara — a “casa do povo” — passa a desligar suas câmeras, expulsar jornalistas e reprimir parlamentares opositores, qual o próximo limite?
A pressão agora recai sobre Hugo Motta, que será cobrado judicial e politicamente pelas decisões tomadas.
Confira o momento exato que a policia legislativa age com truculência contra o deputado Glauber e contra a imprensa:
🚨 VERGONHOSO!
Após o sinal da TV Câmara ser cortado, o deputado Glauber Braga ser retirado com violência da Câmara e a imprensa ser proibida de estar no Plenário, a Polícia Legislativa simplesmente saiu AGREDINDO JORNALISTAS.
É assim que vão aprovar a anistia pro Bolsonaro?… pic.twitter.com/NqoXp0P2CY
— ERIKA HILTON (@ErikakHilton) December 9, 2025
Tenho mais de 40 anos de vida pública e nunca vi nada parecido no Parlamento brasileiro. Tirar o deputado @Glauber_Braga à força da presidência da Câmara foi um soco na democracia. pic.twitter.com/1r2AaZI7cV
— Benedita da Silva (@dasilvabenedita) December 10, 2025








