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Manaus, AM, quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

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Justiça condena falsa médica por exercício ilegal da medicina em Manaus

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O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) condenou Sophia Livas de Morais Almeida, de 32 anos, pelo crime de exercício ilegal da medicina. A sentença foi divulgada nesta segunda-feira (22). O tempo total da pena não foi informado.

Sophia foi presa em maio deste ano após investigações apontarem que ela criava uma identidade falsa como médica especialista em cardiopatia infantil, além de se apresentar como professora universitária e sobrinha do prefeito de Manaus, informação posteriormente desmentida. Na realidade, ela é bacharel em Educação Física.

Carimbo furtado e uso indevido de registro médico

Segundo a investigação da Polícia Civil do Amazonas, Sophia furtou o carimbo de uma médica residente e passou a utilizar indevidamente o registro profissional (CRM) da jovem para realizar atendimentos ilegais, inclusive envolvendo crianças cardiopatas.

A falsa médica chegou a se infiltrar em ambientes frequentados por profissionais da saúde, ganhando a confiança de médicos e pesquisadores.

“Ela se infiltrou em uma comunidade médica ligada a um grupo de pós-graduação, ganhou a confiança dos profissionais e passou a integrar um programa de assistência a crianças com cardiopatia grave”, explicou o delegado Cícero Túlio.

Regime semiaberto e medidas cautelares

De acordo com a sentença, Sophia deverá cumprir pena em regime semiaberto. Como ela já está presa desde o início do ano, a Justiça determinou a aplicação de medidas cautelares, entre elas:

Uso de tornozeleira eletrônica;

Restrição ao perímetro urbano de Manaus;

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Proibição de contato com vítimas e familiares, mantendo distância mínima de 500 metros;

Impedimento de deixar a comarca sem autorização judicial.

Além do exercício ilegal da medicina, a decisão reconheceu a prática dos seguintes crimes previstos no Código Penal Brasileiro:

➡️ Exercício ilegal da medicina (art. 282)
➡️ Perigo para a vida ou saúde de outrem (art. 132)
➡️ Comunicação falsa de crime ou contravenção (art. 340)
➡️ Estelionato (art. 171)

Até a última atualização desta reportagem, a defesa de Sophia não havia sido localizada para comentar a condenação.

Hospital nega atuação como médica

Em nota, o Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV) informou que Sophia Livas nunca atuou como médica na unidade e que não há registros de atendimentos realizados por ela no hospital.

A instituição esclareceu ainda que Sophia foi aluna de mestrado da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) como educadora física e que não mantém vínculo atual com o hospital.

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Parentesco com prefeito foi desmentido

Nas redes sociais, Sophia afirmava ser sobrinha do prefeito de Manaus, David Almeida. A informação foi oficialmente desmentida pela Prefeitura de Manaus, que negou qualquer grau de parentesco.

A Secretaria Municipal de Comunicação esclareceu ainda que:

Uma foto publicada por Sophia, dizendo mostrar o prefeito com uma criança atendida por ela, era na verdade do prefeito com a própria filha, Fernanda Aryel;

Outra imagem ao lado do prefeito foi apenas uma selfie tirada em local público, prática comum quando ele é abordado por populares.

Currículo falso e uso indevido da Plataforma Lattes

No currículo publicado na Plataforma Lattes, do CNPq, Sophia afirmava, de forma falsa:

Ser especialista em Saúde Coletiva pela Fiocruz;

Ter feito cursos de extensão em saúde pública pela USP;

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Possuir formação em Portugal pela Unidade de Saúde Pública Arnaldo Sampaio;

Atuar como pesquisadora da Ufam e da UFMG;

Ser professora voluntária na Ufam e na ESBAM.

As investigações revelaram que Sophia possui apenas:

Bacharelado em Educação Física, concluído em março de 2022;

Mestrado em Ciências da Saúde, ambos pela Ufam.

Em nota, a USP confirmou que Sophia nunca foi aluna da instituição e que o curso de extensão citado por ela foi cancelado.

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Já a ESBAM informou que Sophia atuou apenas como professora convidada, ministrando dois módulos isolados em cursos de pós-graduação, sem vínculo empregatício e sem atuação na área médica.

Redes sociais e falsa autoridade

Antes de ser presa, Sophia mantinha perfis ativos nas redes sociais, onde aparecia realizando atendimentos, participando de projetos e celebrando supostos avanços científicos.

Em uma publicação, chegou a afirmar:

“Hoje iniciamos as coletas do projeto Renomica Brasil, que investiga, por meios genéticos, doenças cardiovasculares hereditárias ou não”.

Após a deflagração da operação policial, todos os perfis foram apagados.

Imagem: Divulgação

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