Polícia
O que se sabe sobre a morte do menino de 3 anos em Japurá. Polícia revela novos detalhes
A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) apresentou, nesta terça-feira (27/1), em coletiva de imprensa, novos detalhes sobre a prisão em flagrante de um homem, de 51 anos, suspeito de matar o próprio filho, de apenas três anos, e de agredir violentamente a ex-companheira, de 28 anos, no município de Japurá, a 744 quilômetros de Manaus.
O crime ocorreu na segunda-feira (26/1) e a prisão foi realizada no mesmo dia por equipes da 59ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP), com apoio da Guarda Civil Municipal (GCM).
Durante a coletiva, o delegado-geral da PC-AM, Bruno Fraga, destacou a gravidade do caso e comparou o episódio a uma ocorrência recente registrada em Manaus, onde um pai também matou o próprio filho após um conflito familiar.
“É um fato extremamente triste, que causa profunda consternação. Mas a Polícia Civil atuou de forma rápida, reuniu provas e conseguiu efetuar a prisão, dando uma resposta imediata à sociedade”, afirmou.

Imagem: Divulgação
Relacionamento marcado por violência
Segundo o delegado Jandervan Rocha, a vítima manteve relacionamento com o suspeito por cerca de oito anos, período marcado por ciúmes excessivos, ofensas verbais constantes e comportamento possessivo. O casal estava separado havia aproximadamente dois meses.
Na noite de sábado (24/1), a mulher entregou o filho ao pai após ele afirmar que deixaria a cidade e permaneceria alguns dias com a criança. No entanto, no dia seguinte, ao passar pelo local onde o menino estava, a mãe percebeu que o homem consumia bebida alcoólica na presença da criança e solicitou que o filho fosse devolvido. O pedido foi negado.
De acordo com a investigação, o homem levou a criança à força para um hotel da cidade. A mulher seguiu o suspeito e, no quarto, passou a ser alvo de ameaças, humilhações e xingamentos, tudo na presença do filho, que demonstrava estar assustado.

Imagem: Divulgação
Agressão e ameaça
Ainda conforme o delegado, o homem ameaçou matar a ex-companheira e afirmou que ingeriria veneno caso ela não aceitasse retomar o relacionamento. Em seguida, ele desferiu um soco no rosto da mulher, causando corte no lábio, fratura parcial de um dente e sangramento intenso.
Funcionários do hotel socorreram a vítima e acionaram as autoridades. A Polícia Civil e a Guarda Municipal constataram as lesões e seguiram até o quarto, onde encontraram o suspeito deitado na cama, abraçado ao filho.
O homem confessou a agressão e recebeu voz de prisão em flagrante.
Durante a vistoria no local, os policiais localizaram copos contendo uma substância escura semelhante ao veneno conhecido como “chumbinho”, além de um recipiente plástico que pode ter sido utilizado para armazenar o produto.
Criança apresentou intoxicação horas depois
Inicialmente, não havia confirmação de que a criança tivesse ingerido qualquer substância tóxica. O menino aparentava apenas estar assustado e foi entregue a um familiar.
Horas depois, já sob custódia policial, o suspeito passou mal e foi encaminhado ao hospital. Neste momento, a polícia tomou conhecimento de que a criança também havia dado entrada em unidade de saúde, apresentando quadro grave de intoxicação.
Apesar das tentativas médicas de reanimação, o menino não resistiu e morreu. A equipe médica apontou, de forma preliminar, o envenenamento como causa provável da morte.
As investigações indicam que o homem teria administrado intencionalmente a substância venenosa ao próprio filho como forma de vingança emocional e tentativa de controle psicológico sobre a ex-companheira.
Perícia vai confirmar causa da morte
Os materiais apreendidos no quarto do hotel, incluindo copos, além de amostras de sangue e urina da criança, foram encaminhados para perícia técnica. Os exames deverão confirmar a presença do veneno e esclarecer definitivamente o nexo causal da morte.
O diretor do Instituto Médico Legal (IML), perito Sérgio Machado, informou que o prontuário hospitalar será analisado detalhadamente, mas tudo indica que o óbito foi provocado por intoxicação.
“Quanto mais rápido ocorre o atendimento, maiores são as chances de sobrevivência. Infelizmente, em casos como esse, o desfecho costuma ser fatal, dependendo da quantidade ingerida e da resposta do organismo”, explicou.
Suspeito permanece internado
O homem segue internado sob observação médica após também ter ingerido a substância tóxica. Segundo a equipe médica, ele não corre risco imediato de morte e permanece sob custódia policial.
Procedimentos
O suspeito responderá por homicídio qualificado contra o próprio filho, além de lesão corporal grave e violência psicológica no contexto de violência doméstica contra a ex-companheira. Ele ficará à disposição da Justiça.
Suspeito de provocar a morte do próprio filho por envenenamento é preso em Japurá no Amazonas








