Internacional
Vírus Nipah, sem vacina e com alta mortalidade, acende alerta no mundo
O Ministério da Saúde da Índia informou, na noite de terça-feira (27), que os riscos de propagação do vírus Nipah, uma infecção considerada potencialmente fatal para humanos, foram “contidos em tempo hábil”, após a confirmação de dois casos no estado de Bengala Ocidental, no nordeste do país.
Apesar do controle anunciado, países vizinhos passaram a adotar medidas preventivas em aeroportos e postos de fronteira, temendo a possibilidade de disseminação do vírus.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a taxa de mortalidade do Nipah varia entre 40% e 75%, percentual superior ao observado na Covid-19, o que mantém o vírus na lista de doenças com alto potencial de risco global.

O vírus, que possui alto índice de letalidade, tem afetado países na Ásia desde que foi descoberto, em 1999 – imagem: Divulgação
Sem vacina e sem tratamento específico
Atualmente, não existe vacina nem medicamento específico contra o vírus Nipah. A transmissão ocorre principalmente por meio de contato com animais infectados, como morcegos e porcos, ou pelo consumo de alimentos contaminados.
O tratamento disponível se restringe ao controle dos sintomas e das complicações, além da manutenção do conforto do paciente durante a internação.
Sintomas podem confundir com gripe
Nos estágios iniciais, os sintomas podem se assemelhar aos de uma gripe comum, incluindo:
- Febre
- Dor de cabeça
- Dores musculares
- Dor de garganta
- Vômitos
- Sonolência e vertigem
Em casos mais graves, podem ocorrer dificuldades respiratórias, alterações do nível de consciência, convulsões e inflamação cerebral, que pode evoluir para coma.
O período de incubação costuma variar entre quatro e 14 dias, podendo chegar a até 45 dias.
Quarentena e monitoramento
De acordo com o governo indiano, quase 200 pessoas que tiveram contato com os dois pacientes foram colocadas em quarentena. As autoridades informaram que as 196 pessoas identificadas como contatos testaram negativo.
“O monitoramento contínuo e as medidas de vigilância ampliadas permitiram conter o número de casos em tempo hábil”, informou o ministério em comunicado oficial.
O estado de saúde dos pacientes não foi divulgado.
Países reforçam triagem em aeroportos
Mesmo sem registro de casos fora da Índia, diversos países asiáticos intensificaram ações preventivas:
Indonésia e Tailândia passaram a exigir declarações de saúde, medição de temperatura e monitoramento visual de passageiros vindos da Índia.
No aeroporto internacional de Suvarnabhumi, em Bangcoc, scanners térmicos foram instalados para voos diretos do estado de Bengala Ocidental.
Myanmar recomendou evitar viagens não essenciais à região afetada e reforçou a vigilância sanitária nos aeroportos.
Vietnã solicitou o fortalecimento da segurança alimentar e intensificação da vigilância em fronteiras e unidades de saúde.
China ampliou avaliações de risco, treinamento de profissionais e capacidade de testagem nas regiões fronteiriças.
Autoridades destacaram que informações divulgadas anteriormente por parte da imprensa eram consideradas “especulativas e imprecisas”.
Histórico do vírus
O primeiro surto de Nipah foi registrado em 1998, na Malásia, entre criadores de porcos. Na Índia, os primeiros casos surgiram em 2001, também em Bengala Ocidental. Em 2018, um surto no estado de Kerala provocou 17 mortes.
Até hoje, não há registros de casos em humanos na Europa.
Especialistas avaliam que a possibilidade de uma pandemia é baixa, pois a transmissão entre humanos exige contato próximo e prolongado, além da inexistência de casos assintomáticos, o que facilita a identificação.
Mesmo assim, a OMS mantém o vírus Nipah na lista de doenças prioritárias para pesquisa, ao lado de Ebola, Zika e Covid-19, devido ao seu potencial epidêmico.








