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Manaus, AM, quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

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Candiru : Mitos e verdades por trás da fama de “invasor de orifícios”

Peixe‑vampiro: Candiru — mitos e verdades por trás da fama de “invasor de orifícios”

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Peixe‑vampiro: Candiru — mitos e verdades por trás da fama de “invasor de orifícios”

O candiru é um pequeno peixe de água doce da Amazônia, integrante da família Trichomycteridae, reconhecido popularmente como “peixe‑vampiro”. Ele chama atenção não pelo tamanho — geralmente mede entre 5 e 15 cm, embora haja variações — mas pelas histórias aterrorizantes sobre sua suposta capacidade de penetrar orifícios do corpo humano.

🐟 Quem é o candiru de verdade

Biologicamente, o candiru é um parasita de outros peixes: ele penetra nas brânquias (guelras) de bagres maiores e suga seu sangue.

Seu corpo é fino, alongado e quase translúcido — ideal para camuflagem nas águas turvas dos rios amazônicos.

A “posição habitual” do candiru é dentro de peixes hospedeiros, não em humanos; o comportamento de invadir pessoas é atípico e extremamente raro.

Peixe candiru na guelva de outro peixe / Foto : dr. Ivan Sazima

Peixe candiru na guelra de outro peixe / Foto : dr. Ivan Sazima

🌊 A lenda do “peixe que entra na uretra (ou outros orifícios)”

Desde o século XIX, relatos de viajantes e moradores amazônicos dão conta de que o candiru seria atraído pela urina — ou mesmo por sangue — na água, nadaria em direção ao jato e entraria na uretra humana durante o banho.

As lendas sugerem que ele poderia invadir pênis, vagina, ânus, nariz, ouvidos — até mesmo agarrar‑se com espinhos e tornar a retirada dolorosa, exigindo cirurgia.

Por essas histórias impressionantes, o candiru ganhou o apelido de “peixe‑vampiro”, alimentando o medo de muitos banhistas nas áreas amazônicas.

Um fato raro, mas documentado, aconteceu em 1997, no qual o médico urologita Dr. Anoar Samada, retirou um candiru de um paciente em Manaus.

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Cirugia pra retirada de um Candiru, notícia publicada no jornal A Crítica de novembro de 1997.

Cirugia pra retirada de um Candiru, notícia publicada no jornal A Crítica de novembro de 1997.

✅ O que a ciência realmente confirma — e o que permanece como mito

Verdades

O candiru existe — e sua alimentação normal é parasitária, atacando peixes maiores por sangue.

Ele habita rios da Bacia Amazônica e outras águas turvas típicas da região.

Mitos ou exageros

A narrativa de que candiru “nada subindo o jato de urina” até a uretra humana é considerada altamente improvável pela física da água e pelo comportamento conhecido da espécie.

Estudos recentes mostram que não há evidência confiável de que candirus sejam realmente atraídos por urina humana.

Casos documentados de penetração do candiru em humanos são excepcionais — há relatado um evento oficial em 1997, mas até hoje permanece como objeto de controvérsia.

Assim, a maioria da comunidade científica considera a fama do candiru como “invasor de corpos humanos” algo mais ligado a mitos, boatos ou exageros populares do que a realidade biológica.

Peixe‑vampiro: Candiru — mitos e verdades por trás da fama de “invasor de orifícios”

Peixe‑vampiro: Candiru — mitos e verdades por trás da fama de “invasor de orifícios”

⚠️ Riscos reais — e quando a preocupação tem fundamento

Apesar da baixa probabilidade, especialistas alertam que nadar ou urinar em águas onde o candiru existe ainda demanda precaução — especialmente se a água estiver turva, e houver ferimentos ou sangramentos.

Caso ocorra penetração — o que é muito improvável — a remoção dificilmente é simples: o peixe poderia usar espinhos ou nadadeiras para se fixar, e a retirada geralmente exigiria auxílio médico.

Portanto, usar traje de banho adequado e evitar urinar na água são medidas prudentes ao nadar em rios amazônicos.

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Peixe-candiru (Vandellia cirrhosa)

Peixe-candiru (Vandellia cirrhosa)

🔍 Conclusão: entre o mito e a ecologia real

O candiru é um peixe real, com comportamento parasítico natural sobre peixes, e desempenha seu papel ecológico nos rios amazônicos. No entanto, a sua fama de “peixe‑vampiro invasor de corpos humanos” provém em grande parte de contos populares, folclore e relatos históricos pouco confiáveis. A ciência moderna vê com ceticismo a ideia de penetrações em humanos — e os poucos casos alegados não são suficientes para comprovar que esse risco existe de forma significativa ou recorrente.

Em suma: o medo existe, mas a probabilidade de um encontro desse tipo é extremamente baixa — e vale mais conhecer o candiru pela sua real natureza biológica do que pelas lendas assustadoras.

Foto: Reprodução Instagram @csi_amazonia

Foto: Reprodução Instagram @csi_amazonia

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