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Ex-funcionária vítima de racismo em vídeo ganha ação e recebe indenização
A Justiça do Trabalho condenou a rede de farmácias Drogasil ao pagamento de uma indenização de R$ 37 mil por danos morais à atendente Noemi Ferrari, vítima de racismo dentro da empresa. O caso aconteceu em 2018, em uma loja de São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, e ganhou repercussão nesta semana após a ex-funcionária postar nas redes sociais o vídeo do dia em que foi apresentada às novas colegas de trabalho.
Conforme o Tribunal Regional do Trabalho da 2º Região, no caso em questão, o Regional fixou a indenização por danos morais no valor de R$ 37.258,05. Com correções monetárias, ela recebeu cerca de R$ 52 mil, de acordo com a advogada de defesa Daniela Calvo Alba. O processo chegou ao fim em 2024. Após o período de execução, o pagamento foi feito pela empresa em fevereiro de 2025.
Caso de Racismo sofrido por Noemi
As imagens mostram Noemi sendo filmada por outra funcionária da drogaria, que enviou a cena por WhatsApp para os colegas. Durante a gravação, a agressora faz diversos comentários racistas sobre a cor da pele da nova colaboradora:
“Essa daqui é a Noemi, nossa nova colaboradora. Fala um ‘oi’, querida. Tá escurecendo a nossa loja? Acabou a cota, tá? Negrinho não entra mais”, diz em um trecho do vídeo.
Na sequência, a funcionária continua os ataques, questionando as tarefas que Noemi deveria fazer no trabalho:
“Vai ficar no caixa? Que incrível. Vai tirar lixo? Que incrível. Paninho também, passar no chão?”
Em sua decisão, a juíza Rosa Fatorelli Tinti Neta rejeitou a tese de que tudo não passava de “brincadeira” e destacou que o vídeo comprova a prática de racismo. Para ela, “o combate à discriminação racial nas relações de trabalho exige a tomada de consciência da existência do racismo estrutural”, frisando que a alegação de “humor” não afasta a gravidade dos fatos.
A magistrada entendeu também que a empresa falhou ao não zelar por um ambiente de trabalho adequado. A sentença foi confirmada pela 6ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2).
Em nota, a Raia Drogasil Saúde (RD Saúde) lamentou “profundamente o episódio” e reiterou seu compromisso com o respeito, a diversidade e a inclusão. A rede informou que encerrou 2024 com mais de 34 mil funcionários pretos e pardos e 50% das posições de liderança ocupadas por pessoas negras, resultado de programas estruturados de inclusão.
Vídeo: Mulher sofre raclsm0 no 1º dia de trabalho em gravação de colega
Veja como está Noemi hoje

Imagem: Reprodução
Depois de anos de batalha judicial, Noemi conta com a família e amigos para seguir em frente. Atualmente, ela é gestora na área da saúde.
“Hoje eu estou bem, graças a Deus. Ir para a igreja, ter uma rede de apoio, estar com pessoas que eu amo, isso tem me feito bem. Minha psicóloga e meus advogados estão me apoiando bastante”, declarou Noemi.
Noemi disse ainda que guardou a indenização por um tempo, deixou o valor rendendo e comprou um apartamento, a indenização rendeu e proporcionou que Noemi desse a entrada do valor do imóvel.

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