Amazonas
Caprichoso abre Festival de Parintins com espetáculo que une tradição, ancestralidade e inovação
O Boi Caprichoso deu início à disputa do 59º Festival de Parintins, na noite de sexta-feira (26/06), com um espetáculo marcado pela emoção, pela força da cultura amazônica e pela valorização de suas origens. Com o subtema “O Chão de Origem”, o bumbá azul e branco transformou o Bumbódromo em um grande palco de memória, identidade e resistência, exaltando Parintins como território de ancestralidade, promessas e pertencimento.
A apresentação começou de forma grandiosa com a entrada do boi ao lado da tradicional Vaqueirada. O apresentador Edmundo Oran, o levantador de toadas Patrick Araújo, o Amo do Boi Caetano Medeiros, além de Pai Francisco e Mãe Catirina, conduziram o público para a narrativa que abriu oficialmente a disputa.
Em versos, Caetano Medeiros apresentou o dono da festa enquanto o Tripa Edson Jr. conduzia o Caprichoso em uma evolução marcada pela presença dos guardiões da cultura popular.
A primeira grande alegoria da noite homenageou os brincadores de boi-bumbá e transformou a arena em um enorme boi de rua. A Figura Típica Regional “O Brincador de Boi-Bumbá de Parintins” reverenciou comunidades tradicionais como Francesa, Santa Clara, Aninga, Parananema, Cordovil e Palmares, reconhecidas como berços da tradição azulada.
Mais de 400 figurantes e alunos da Escola de Arte Irmão Miguel de Pascale participaram da encenação, reforçando o compromisso do Caprichoso com a preservação de sua identidade cultural. O momento também marcou a entrada da Porta-Estandarte Marcela Marialva e da Sinhazinha da Fazenda, Valentina Cid, que surpreendeu o público ao flutuar sobre a arena em uma apresentação marcada por efeitos cênicos e tecnologia.

Fotos: Alexandre Vieira, Clara Mourão e Michel Amazonas
Na sequência, Patrick Araújo interpretou a toada “Caprichoso – Brinquedo que Canta Seu Chão”, de Adriano Aguiar, enquanto a Celebração Indígena reuniu as vozes de Gilvana e Tainá Borari em uma homenagem aos povos originários, ao lado do Pajé e da Cunhã-Poranga.
Um dos pontos altos da noite foi a apresentação da Lenda Amazônica “Cobra Grande – A Deusa da Encantaria”. A alegoria, assinada pelo artista Alex Salvador, utilizou painéis de LED, efeitos de CO₂, gelo seco e recursos cenográficos para representar a entidade considerada guardiã de Parintins. O momento culminou na entrada triunfal da Cunhã-Poranga Marciele Albuquerque, arrancando aplausos da galera azulada.
Outro momento de forte emoção aconteceu com o retorno à arena do ex-Amo do Boi, Rei Azevedo. Mesmo após perder a visão em decorrência de complicações da diabetes, o artista emocionou o público ao dividir versos com Caetano Medeiros e mostrar que sua ligação com o Caprichoso permanece viva.

Fotos: Alexandre Vieira, Clara Mourão e Michel Amazonas
A coreografia “Trilha do Curupira” reforçou a mensagem de proteção da floresta por meio da dança e da expressão corporal, preparando o público para uma das alegorias de maior impacto da noite.
Assinado pelo artista Nildo Costa, o módulo “O Monstro Correntão” denunciou os impactos do desmatamento na Amazônia. Com movimentos mecanizados, iluminação especial e efeitos visuais, a alegoria representou a destruição provocada pelo correntão, uma das práticas mais agressivas de devastação florestal. O momento também destacou a evolução da Rainha do Folclore, Cleise Simas.
Encerrando a apresentação, o Ritual Indígena “Wat-Amã – O Ritual da Tucandeira”, inspirado na tradição do povo Sateré-Mawé, celebrou a força da ancestralidade indígena. Assinada por Algles Ferreira, a alegoria trouxe uma gigantesca tucandeira que conduziu a entrada do Pajé Erick Beltrão em um espetáculo que reuniu mais de 200 figurantes e impressionou pela grandiosidade cênica.
Ao final da apresentação, o presidente do Conselho de Arte do Caprichoso, Ericky Nakanome, destacou que o objetivo de apresentar as raízes do boi foi plenamente alcançado.
“Mostramos nossa tradição, nossas raízes, em um dos três espetáculos do projeto ‘Caprichoso – Brinquedo que Canta Seu Chão’. A reação da galera foi maravilhosa e entregamos mais uma vez um espetáculo grandioso e com padrão artístico de excelência“, afirmou.
O diretor de arena, Edwan Oliveira, também comemorou o desempenho técnico da equipe, ressaltando que toda a apresentação foi concluída dentro do tempo previsto.
“Conseguimos executar tudo no tempo certo. Isso demonstra a competência de uma equipe extremamente preparada. Sair da arena com tempo sobrando é sinal de organização e de um Caprichoso forte na disputa”, destacou.
Ao unir tradição popular, tecnologia, inovação e valorização dos povos da Amazônia, o Boi Caprichoso encerrou a primeira noite do festival reafirmando sua identidade cultural e emocionando o público com um espetáculo de forte impacto visual e simbólico.







