Polícia
De menina autista no porão a adolescente faminta por anos. Confira outros casos parecidos com o da Marta Isabelle!
O Brasil registra milhares de casos de violência doméstica e familiar todos os anos, muitos envolvendo tortura, cárcere privado, maus-tratos e negligência extrema contra crianças, adolescentes e mulheres. O trágico caso de Marta Isabelle dos Santos Silva, a adolescente de 16 anos encontrada morta em Porto Velho (RO) em fevereiro de 2026 — com sinais de desnutrição severa, feridas infestadas, amarrações prolongadas e indícios de abuso sexual —, infelizmente não é isolado. Ele se assemelha a outros episódios recentes que revelam padrões de isolamento, controle obsessivo e violência prolongada dentro do lar.
Um dos casos mais próximos ocorreu em Goiânia (GO), em novembro de 2025: uma adolescente de 16 anos foi mantida em cárcere privado por cerca de dois anos por um trisal (mãe, padrasto e outra mulher). A vítima sofreu torturas físicas e psicológicas, fome, agressões sexuais e privação total de liberdade.
Ela conseguiu fugir e denunciar o grupo, que foi indiciado por tortura, cárcere privado, tentativa de estupro e pornografia infantil.
O padrasto responde por crimes mais graves, incluindo tentativa de estupro, enquanto as duas mulheres foram acusadas de omissão e participação ativa.
A jovem relatou uma rotina de isolamento extremo, similar ao descrito no caso de Marta Isabelle.
Outro exemplo recente, em agosto de 2025, no Rio Grande do Norte: um homem foi preso suspeito de cárcere privado e tortura contra uma adolescente.
A vítima sofreu cortes de cabelo forçados, chutes no rosto, golpes com cabo de carregador e vassoura, além de socos e agressões constantes — punições que assemelham as relatadas em Porto Velho, como cortes de cabelo como forma de humilhação.
Em setembro de 2025, no interior de São Paulo, em Sorocaba, pais foram presos por manter uma menina de 6 anos em cárcere privado. A criança não falava, não se alimentava adequadamente, nunca fora vacinada e não frequentava escola, evidenciando negligência extrema e isolamento familiar.

Pais são presos suspeitos de manter filha de 6 anos em cárcere privado em Sorocaba / Foto : Divulgação
Esses casos destacam elementos recorrentes: violência praticada por familiares próximos (pais, madrastas, avós ou padrasto), uso de cárcere privado para impedir fugas ou denúncias, privação de alimentos e higiene, agressões físicas prolongadas e, frequentemente, omissão de socorro por outros parentes que sabiam da situação. Muitos envolvem contextos de controle obsessivo, ciúmes patológicos ou justificativas distorcidas (como “disciplina” ou “retiro religioso”, como alegado no caso de Marta Isabelle).
Dados nacionais mostram que a violência doméstica contra adolescentes e mulheres permanece alarmante. Em 2025, o Brasil registrou aumento significativo em feminicídios e tentativas (cerca de 6.904 vítimas entre consumados e tentados), com muitos ocorrendo no âmbito familiar. A ONU apontou que, globalmente, 50 mil mulheres e meninas foram mortas por parceiros ou familiares em 2024 — uma a cada 10 minutos —, e o Brasil segue padrões semelhantes, com subnotificação agravada pelo isolamento.
Esses episódios reforçam a necessidade urgente de fortalecimento da rede de proteção: denúncias anônimas via Disque 100 ou 180, fiscalização escolar mais rigorosa (Marta foi retirada da escola em 2023 sem comprovação de transferência) e conscientização comunitária para romper o silêncio. Casos como o de Marta Isabelle, Henry Borel (espancamento fatal por padrasto em 2021) ou Isabella Nardoni (2008) mostram que a violência familiar pode escalar até a morte quando não há intervenção precoce. A sociedade precisa transformar indignação em ação preventiva para evitar novas tragédias.













