História completa sobre o Caso do menino Jairzinho

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Recentemente reabrimos as investiga√ß√Ķes sobre o que ocorreu com menino jairzinho, morto brutalmente em 1991 no bairro S√£o Francisco de Assis, em Manaus. Esse √© um tipo de conte√ļdo que de forma misteriosa desapareceu da internet e √© realmente muito dif√≠cil encontrar material sobre o caso.

Ap√≥s nosso texto, uma f√£ sugeriu a leitura e a vers√£o do blog Hist√≥ria Inteligente , pesquisa feita por : Fabio Augusto em 08/09/17 que narra como pode ter acontecido e d√° mais informa√ß√Ķes sobre o caso. Segue abaixo o texto na integra do blog Hist√≥ria Inteligente.

Esse √© um daqueles casos cujos desdobramentos se arrastam por anos e, de forma abrupta, desaparecem dos notici√°rios. Como o assassinato de uma rica fam√≠lia, dona de uma transportadora, desaparece t√£o r√°pido dos grandes jornais da capital? O Caso Jairzinho, diferente dos casos do Monstro da Colina ou do Morto-vivo do Morro da Liberdade, tem uma constru√ß√£o narrativa mais dif√≠cil, pois at√© hoje, de acordo com aqueles que foram contempor√Ęneos ao crime, teve uma conclus√£o ainda envolta de incertezas.

Bairro de S√£o Francisco, 28 de dezembro de 1991. O natal j√° tinha passado, e esperava-se o ano novo. Mal sabiam os moradores daquele bairro que o in√≠cio do novo ano seria macabro: No dia 01 de janeiro de 1992, o corpo de Jair de Figueiredo Guimar√£es, o ‚ÄėJairzinho‚Äô, uma crian√ßa de oito anos, era encontrado em uma cova rasa nas proximidades do p√°tio da Igreja de S√£o Francisco. Esse crime juntava-se a outros infantic√≠dios registrados naquela √ļltima d√©cada, deixando a popula√ß√£o do bairro de S√£o Francisco em alerta. Manoel Brand√£o Neto (32), antigo morador do bairro, lembra que os ‚Äúav√≥s, pais e demais respons√°veis n√£o deixavam que se brincasse no local onde o corpo foi achado‚ÄĚ. Os adultos, ainda de acordo com esse depoente, diziam para as crian√ßas que aquela situa√ß√£o era como na novela Carrossel, uma fantasia, de forma para minimizar o terror que passou a reinar naquele local.

Marizete Brand√£o, moradora do bairro h√° 50 anos, lembra desse dia:

‚Äúlembro como se fosse hoje, dia 31 de dezembro. Passei na rua ao lado por volta de 13.00 hrs, era um mal cheiro horr√≠vel. Falei para meu marido que parecia carni√ßa. Dia primeiro foi o maior alvoro√ßo, tinham achado o corpo. O pavor era t√£o grande que minha filha n√£o quis mais ir para a igreja. M√£es j√° n√£o deixavam seus filhos brincarem na rua‚ÄĚ.

Ap√≥s as an√°lises do perito da Universidade de Campinas, o m√©dico Nelson Mansini, o mesmo que realizou a per√≠cia do assassinato de Chico Mendes, foi constatado que Jair de Figueiredo Guimar√£es foi morto estrangulado pelo m√©todo do torniquete, processo bastante utilizado para estancar hemorragias. Antes, um dos suspeitos afirmara que matou a crian√ßa com um forte golpe na cabe√ßa. Outras pessoas, como Sullivan Nascimento, afirmavam que o garoto fora estuprado e teve o √≥rg√£o genital cortado, e que seu assassino jogou soda c√°ustica ou √°cido para disfar√ßar o odor do cad√°ver. Foi ‚Äúum dia sinistro‚ÄĚ, conta Anderson P. de Souza. Ainda de acordo com a per√≠cia, no dia em que o corpo foi encontrado j√° haviam se passado 11 ou 12 dias do assassinato.

OS SUSPEITOS

No Jornal do Com√©rcio de 07 de fevereiro de 1992, a principal manchete informava que ‘o suspeito do crime est√° preso’. Era o lanterneiro Afr√Ęnio Cardoso de Moraes, de 19 anos. Ele foi preso em uma blitz de rua ap√≥s ter comentado com um colega de cela que tinha sido o autor do golpe que matou Jairzinho. Levado √† Delegacia, confessou que cometeu o crime a mando de Frei Silvestre, da par√≥quia daquele bairro.

Afr√Ęnio disse que, passando em frente a Igreja de S√£o Francisco, foi chamado pelo Frei que perguntou se este n√£o queria ganhar algum dinheiro. Perguntando qual era o servi√ßo, ouviu do religioso que era para pegar um garoto que estava jogando bola e lev√°-lo para os fundos da Igreja. Afr√Ęnio afirmou que, quando recebeu aquele pedido, estava embriagado, aceitando-o sem qualquer obje√ß√£o. Chegando ao local, disse que o Frei disse o seguinte para a crian√ßa: ‚ÄúEu n√£o disse que voc√™ estava me devendo uma‚ÄĚ? Jairzinho disse que n√£o sabia de nada. Foi nesse momento que Frei Silvestre ordenou que Afr√Ęnio golpeasse o menor. O lanterneiro disse que n√£o bateu com for√ßa, saindo correndo da cena do crime. Soube dias depois que Jairzinho tinha morrido. Ao delegado, dizia-se arrependido, e que n√£o tinha inten√ß√£o de matar.

O poss√≠vel envolvimento de um membro do clero causou grande reboli√ßo nas lideran√ßas cat√≥licas da cidade, com o monsenhor da capital afirmando que ‚Äúh√° algu√©m por tr√°s fazendo com que a Igreja Cat√≥lica seja desacreditada‚ÄĚ. O Arcebispo Metropolitano de Manaus n√£o quis se pronunciar a respeito do caso. Dias ap√≥s essa mat√©ria, a Arquidiocese de Manaus, O Centro de Defesa dos Direitos Humanos da CNBB Norte I e outras entidades da Igreja Cat√≥lica se manifestaram sobre os rumos que as investiga√ß√Ķes estavam tomando. Para esses grupos, elas atingiram ‚Äúpessoas e institui√ß√Ķes, causaram preju√≠zos morais, retardando a elucida√ß√£o do crime e confundindo a opini√£o p√ļblica‚ÄĚ. Afirmavam tamb√©m que estavam sendo forjados suspeitos e culpados.

Também foi investigado um senhor dono de um mercado próximo ao local do crime, mas contra ele nada foi comprovado. Era inocente.

Em 29 de dezembro de 1994, um dia ap√≥s os tr√™s anos do assassinato de Jairzinho, mais um suspeito era investigado: Jair de Figueiredo Guimar√£es, t√©cnico em eletr√īnica, morador da rua Val√©rio Botelho de Andrade, em frente a Igreja. Quem ele era? O pai da crian√ßa assassinada. Nesse mesmo dia, os moradores do bairro protestavam em frente a sua casa, fixando faixas e cartazes pedindo justi√ßa.

Jair Guimar√£es, negando a todo momento o crime, teve decretada a pris√£o preventiva, sendo levado para a Cadeia P√ļblica Raimundo Vidal Pessoa. Mas como se chegou a mais esse suspeito? O frei Silvestre foi ouvido pela Pol√≠cia, sendo constatado que nada havia contra ele. O que levou Jair Guimar√£es √† pris√£o foi a exist√™ncia de uma carta na qual o pai da crian√ßa pedia uma grande soma de dinheiro para sequestrar o pr√≥prio filho. Desconfiado, o titular da Delegacia Especializada de Homic√≠dios e Sequestros solicitou um exame grafol√≥gico, no qual foi confirmado que aquela carta fora escrita pelo pai de Jairzinho. Dessa forma, o representante do Minist√©rio P√ļblico do 1¬į Tribunal do J√ļri Popular, ao denunciar Jair Guimar√£es, enquadrou-o nas san√ß√Ķes de homic√≠dio qualificado com o agravante da oculta√ß√£o de cad√°ver. Antigos afirmavam que ele era alco√≥latra e viciado em drogas. Em 1995, o Promotor Jo√£o Bosco Valente, reviu o caso, pensando seriamente em pedir o arquivamento do processo pela confus√£o e falta de provas. Uma pessoa, que n√£o quis se identificar, afirma que, anos depois, ouviu por uma r√°dio que uma pessoa tinha se entregado, afirmando ter matado a crian√ßa porque seu pai lhe devia dinheiro.

Falta de paci√™ncia de um Frei, por causa das brincadeiras de uma crian√ßa? As a√ß√Ķes de um comerciante, com motiva√ß√Ķes ainda n√£o esclarecidas? Um pai em um momento de descontrole? Acerto de contas? Quem, de fato, matou Jairzinho naquele final de ano de 1991? Essa √© uma de v√°rias perguntas cujas respostas nem o tempo foi capaz de dar‚Ķ

FONTES:

Jornal do Comércio, 07 de fevereiro de 1992
Jornal do Comércio, 29 de dezembro de 1994
Jornal do Comércio, 29 de abril de 1995

DEPOIMENTOS:

Manoel Brand√£o, 18/06/17
Marizete Brand√£o, 18/06/17
Anderson P. de Souza, 18/06/17
Sullivan Nascimento, 18/06/17

Paróquia de São Francisco de Assis, no bairro São Francisco em Manaus / Foto : Rede Rio Mar
Paróquia de São Francisco de Assis, no bairro São Francisco em Manaus / Foto : Rede Rio Mar

 

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