Mãe e filha são presas após acusarem um rapaz de estupro de crianças. Ele foi morto a pedradas por populares - No Amazonas é Assim
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Manaus, AM, terça-feira, 19 de maio de 2026

Polícia

Mãe e filha são presas após acusarem um rapaz de estupro de crianças. Ele foi morto a pedradas por populares

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A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) divulgou, nesta quarta-feira (28/10), a prisão de duas mulheres que acusaram falsamente um homem de estuprar crianças para incitar o linchamento dele, na Grande Vitória. A vítima foi morta a pedradas, pauladas e enxadadas. O crime ocorreu em 9 de junho, quando Bruna Hoffman, de 26 anos, e a mãe, Lucineia Pereira da Silva, de 50, espalharam a mentira contra Miguel Inácio Santos, de 49 anos, após uma briga entre os três.

“Era uma mentira criada pelas duas. A vítima era inocente, um rapaz trabalhador. A família dele sofre porque na época a informação do estupro se espalhou pelo bairro e muitos, até hoje, acreditam”, esclarece Daniel Fortes, delegado responsável pelo caso. Para esclarecer o caso para a população, a Polícia Civil promoveu uma entrevista coletiva onde contou os verdadeiros acontecimentos.

Miguel e Bruna se conheceram por meio de um aplicativo de relacionamento, usado pela mulher trans para divulgar serviços sexuais. O homem marcou um programa, que ocorreu na casa da mãe, Lucineia, no bairro Costa Dourada. Foi na hora do pagamento que o desentendimento começou.

“No aplicativo, eles combinaram um valor, mas na hora de pagar, Bruna falou um preço mais alto. Ela disse, em depoimento, que, na verdade, o homem pagou R$ 200 a menos, mas nossa investigação apurou que foi a Bruna que não respeitou o combinado”, disse o delegado.

Os dois discutiram, mas Miguel pagou o valor pedido pelo programa e deixou o local. Bruna também saiu de casa logo depois, para ir a outro compromisso. Cerca de 40 minutos depois, Miguel voltou ao local.

Miguel Inácio

“Ele se sentiu coagido por causa da questão dos valores, acreditamos que esse tenha sido o motivo da revolta dele. De volta para a casa, ele arremessou uma pedra na janela e quebrou a porta. A mãe de Bruna estava lá dentro”, revelou Daniel.

Lucineia e Miguel discutiam quando Bruna voltou para a casa e viu a cena. De imediato, ela pegou uma madeira que estava no quintal e foi em direção ao homem, que começou a correr para fugir dela.

Foi nesse momento que a mulher teve a ideia fatal que incitou o linchamento. Ao ver que não iria alcançá-lo, Bruna começa a gritar, para pessoas que estavam na rua, que ele era um estuprador que abusou de crianças do bairro.

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“No depoimento, ela deixa claro que fez isso porque viu que não ia alcançar a vítima. A população consegue pegar a vítima, começa a agredi-la, Bruna e a mãe alcançam eles e participam da agressão. Bruna estava com a madeira e a mãe de posse de uma enxada. Todos agrediram a vítima com pauladas, pedradas e enxadadas”, revela o delegado. Cerca de 10 pessoas participaram do crime.

O corpo do homem foi abandonado em um matagal perto do local e só foi encontrado por volta das 16h, quando a Polícia foi acionada. Ele tinha marcas de pedradas na cabeça e ferimentos por todo o corpo.

Bruna Hoffman e a mãe, Lucineia Pereira, foram acusadas de incitar o linchamento de um homem após uma briga pelo valor de um programa

Polícia chegou a suspeitas com auxílio de denúncias anônimas

O delegado Daniel Fortes afirmou que denúncias recebidas pelo 181 foram fundamentais na investigação. Depoimentos de moradores do local também auxiliaram na resolução do caso. Bruna e Lucineia foram presas preventivamente em 22 de setembro.

“Elas confirmam que participaram da agressão mas tentam minimizar a participação no homicídio. A mãe fala ‘ah eu só dei uma enxadada’. A Bruna diz que não correu atrás dele, mas a mãe a contradiz, porque afirma que elas estavam juntas na agressão”, conta o delegado.

O policial lamentou o episódio e o envolvimento de pessoas que se dispuseram a cometer um crime fatal mesmo sem saber se a acusação de estupro era verdadeira. “A população, fazendo justiça pelas próprias mãos, comete um erro gravíssimo de matar um rapaz inocente. Ele nunca cometeu nenhum estupro, a única coisa que ocorreu foi um desacordo comercial”, diz.

Esse é o segundo caso de linchamento por falsa acusação que ocorre no Espírito Santo apenas neste ano. Em julho, um mês após o assassinato de Miguel, um idoso de 74 anos foi linchado no bairro Central Carapina, também na Grande Vitória.

A conclusão do inquérito mostra que Antônio Batista Fonseca também foi acusado falsamente por quatro pessoas de abusar sexualmente de duas crianças. A ideia foi da ex-namorada da vítima, mãe das crianças, que quis se vingar após Antônio pedir de volta um celular que deu de presente para ela.

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Homem foi morto a pedradas na Serra — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Sou o idealizador do No Amazonas é Assim e um apaixonado pela nossa terra. Gravo vídeos sobre cultura, comunicação digital, turismo e empreendedorismo além de políticas públicas.

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