Polícia
Familiares de policias presos tentam barrar transferência para nova unidade após fuga em massa do antigo Núcleo Prisional da PM
Em meio a protestos e muita tensão, o Ministério Público do Amazonas (MP-AM), a Polícia Militar (PM-AM) e a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) desativaram nesta terça-feira (12/5) o antigo Núcleo Prisional da PM, no bairro Monte das Oliveiras, Zona Norte. Mais de 70 policiais militares custodiados foram transferidos para a nova Unidade Prisional da Polícia Militar do Amazonas (UPPM/AM), na BR-174, em operação batizada de “Sentinela Maior”.
A ação mobilizou mais de 100 agentes de segurança e gerou confronto direto com familiares dos presos, que tentaram impedir a saída dos ônibus. Os parentes alegam preocupação com as condições da nova unidade e cobram explicações das autoridades.
Unidade antiga era “totalmente disfuncional”
De acordo com o promotor de Justiça Armando Gurgel, titular da 60ª Promotoria de Controle Externo da Atividade Policial (Proceapsp), o antigo núcleo era um verdadeiro caos: mofo, umidade, cheiro insuportável, beliches improvisadas, colchões destruídos e ausência completa de segurança.
“Era um ambiente sem condições adequadas. Os próprios policiais que faziam a guarda ficavam em situação de extrema exposição. Não havia grades, divisões seguras nem controle da massa carcerária. Encontramos até facas dentro da unidade”, denunciou o promotor.
O local, que funcionava de forma provisória dentro da própria corporação e era destinado apenas a praças (soldados, cabos, sargentos e subtenentes), acumula histórico grave: em 27 de fevereiro deste ano, 23 policiais militares fugiram durante uma vistoria de rotina. Dezoito voltaram espontaneamente na mesma noite, mas o caso gerou investigação e levou à prisão de dois agentes que estavam de serviço na data da fuga.
Nova unidade promete mais controle e segurança
Os presos foram levados para o antigo prédio da Penitenciária Feminina de Manaus (atual Centro Feminino de Educação e Capacitação), ao lado do Complexo Anísio Jobim. A Seap informou que a UPPM/AM começa a funcionar oficialmente hoje, com estrutura semelhante à de um presídio convencional: regras claras, maior controle e arquitetura adequada para custódia.
A transferência marca o fim de um modelo criticado pelo MP-AM por oferecer regalias e pouca vigilância.
Comandante da unidade foi preso e excluído da PM
O major Galeno Edmilson de Souza Jales, que comandava o Núcleo Prisional na época da fuga, foi preso por decisão judicial. Dias depois, o então governador Wilson Lima assinou decreto excluindo-o da corporação. A Diretoria de Justiça e Disciplina da PM também abriu procedimento interno.
As investigações do MP-AM continuam para apurar falhas no sistema de custódia e possíveis responsabilidades.
Enquanto os ônibus seguiam para a BR-174, familiares dos custodiados permaneciam em frente à antiga unidade, visivelmente revoltados. A Secretaria de Segurança Pública ainda não se manifestou oficialmente sobre o protesto.
A operação “Sentinela Maior” segue em andamento e promete colocar ordem onde, segundo o Ministério Público, reinava o descontrole.










