Tonelada de droga, PM envolvido e traficante morto: o esquema por trás da morte do investigador em Manaus - No Amazonas é Assim
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Manaus, AM, quarta-feira, 29 de julho de 2026

Polícia

Tonelada de droga, PM envolvido e traficante morto: o esquema por trás da morte do investigador em Manaus

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Uma operação da polícia civil, através do DENARC, que já durava três meses, e investigava uma organização que utilizava rotas fluviais, resultou em cinco presos, morte de um investigador da polícia, morte de um suspeito em Itacoatiara e apreensão recorde de drogas. Entenda como a quadrilha operava e quem é cada um dos envolvidos.

O investigador da Polícia Civil Luciano Carvalho de Sena, de 44 anos, do Denarc, foi assassinado na sexta-feira (24) durante uma operação no bairro Alvorada, em Manaus. Ele foi atingido no pescoço, na região da traqueia e no braço enquanto abordava uma picape suspeita na rua Álvaro Maia. A ação, registrada por câmeras de segurança, deixou a cidade em choque.

O que poucos sabiam é que a polícia já monitorava o grupo há cerca de três meses. A organização usava rotas fluviais para trazer entorpecentes até a capital e distribuía a droga em Manaus e outros estados. Imóveis de armazenamento foram identificados e a movimentação dos envolvidos, acompanhada de perto.

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Nesta segunda-feira (27), em coletiva, a Polícia Civil detalhou o esquema. Resultado: mais de uma tonelada de drogas apreendida em um condomínio de luxo, cinco pessoas presas e o principal suspeito morto em confronto.

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Entenda como agia o grupo preso por envolvimento na morte de policial civil em Manaus – Imagem: Divulgação

Quem são os envolvidos e qual era o papel de cada um:

Rafael Pereira Freitas
Apontado como um dos líderes e autor dos disparos que mataram Luciano. Fugiu logo após o crime e se escondeu em uma comunidade de Itacoatiara (Novo Remanso). Na madrugada de sábado (25), equipes do Denarc e da Core avançaram 1,5 km de mata e rastejaram 400 metros para chegar até ele. Rafael reagiu a tiros, foi baleado, socorrido e morreu no hospital.

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Mayara Silva da Silva e Rafael Pereira Freitas – Entenda como agia o grupo preso por envolvimento na morte de policial civil em Manaus – Imagem: Divulgação

Mayara Silva da Silva
Estava na caminhonete no momento da abordagem. Presa na mesma noite em um condomínio no Tarumã. Em depoimento, confirmou que Rafael atirou.

Cabo da PM Bruno Everson Pinto dos Santos
Segundo o delegado Ricardo Cunha, fazia a “escolta” de Rafael durante o transporte e entrega das drogas. Seu veículo aparece em câmeras estacionado em rua paralela no momento do confronto. Já estava afastado, respondia a processo disciplinar e foi preso com arma particular. O comandante-geral da PM confirmou que ele estava na condição de agregado e tinha condenação com perda de função e porte de arma.

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Cabo da PM Bruno Everson e Raimundo dos Santos Castro Neto , presos – Imagem: Divulgação

Já estava afastado, respondia a processo disciplinar e foi preso com arma particular. O comandante-geral da PM confirmou que ele estava na condição de agregado e tinha condenação com perda de função e porte de arma.

Raimundo dos Santos Castro Neto
Apontado como o homem que receberia a droga no momento da abordagem.

Mayrilane (ou Meirilany) Silva da Silva
Irmã de Mayara, investigada por associação ao tráfico. Teve a prisão domiciliar revogada e a preventiva decretada a pedido do Ministério Público. Está foragida.

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Matheus Lima Assunção
Preso no mesmo condomínio de Mayara, portando arma. Segundo a polícia, foi quem resgatou Mayara logo após o assassinato do investigador.

O esquema e o que ainda falta

A quadrilha escoava droga pelos rios até a capital amazonense e usava imóveis (incluindo condomínio de alto padrão) para guardar o material. A operação de sexta-feira (24/7) interceptou a entrega e terminou com a apreensão de mais de uma tonelada de entorpecentes, armas e veículos. As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos. A Polícia Civil reforça que o trabalho não para.

Durante a mesma coletiva de imprensa, o delegado-geral da Polícia Civil do Amazonas, Bruno de Paula Fraga, se emocionou e falou com a voz embargada, demonstrando a revolta e a dor da corporação após uma semana marcada pela perda de dois servidores. Ele ressaltou o sacrifício de Luciano e a determinação da polícia em não recuar diante do crime organizado, mesmo sob críticas absurdas nas redes sociais.

“Nós tivemos uma semana bastante difícil para a Polícia Civil, perdemos dois heróis, perdemos a Inês, que faleceu, trabalhava na delegacia da mulher, em razão de uma doença que levou a sua vida e se doou para a Sociedade do Amazonas até o seu último minuto. E perdemos também um herói, o Luciano, durante a sua missão, doando a sua vida, sacrificando a sua vida para que a Sociedade do Amazonas tivesse paz”, falou o delegado.

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Entenda como agia o grupo preso por envolvimento na morte de policial civil em Manaus – Imagem: Divulgação

E continuou : “Eu falo aqui com a voz embargada porque é difícil para a Polícia passar por esse tipo de coisa e aí a gente ainda tem que ler comentários absurdos em redes sociais, em blogs que vivem de propina para criticar o trabalho da Polícia. É óbvio que eu não tô falando. Falando daquelas pessoas que são sérias e que passam e transmitem a verdade do povo do Amazonas… Nosso sentimento é de indignação, de revolta… Aviso para os vagabundos, se acham que fizeram com que a Polícia Civil parasse, erraram. Erraram e erraram muito. E a gente vai até o final. Se tiver que ir no inferno, a gente vai”, desabafou o delegado Bruno Fraga.

Quem era o investigador da Polícia Civil morto em Operação ?

Luciano Carvalho de Sena, de 44 anos, ingressou na corporação há 15 anos e atuava no Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc), unidade especializada da PC-AM que atua no combate, prevenção e repressão ao tráfico de drogas e ao crime organizado no estado, desde 2011.

O investigador era muito querido entre os colegas, ele foi descrito como um ser humano exemplar, comprometiddo e alegre.

Colegas destacam sua dedicação no combate ao tráfico. Agora Luciano será lembrado como um verdadeiro herói.

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Investigador da policia civil, Luciano Carvalho de Sena – Imagem: Reprodução

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