Amazonas
Criança indígena do Amazonas viraliza ao comer tanajura e mostrar rotina entre culturas Sateré-Mawé e Ticuna
A rotina de uma família indígena às margens do rio Ariaú, em Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus, tem conquistado milhares de pessoas nas redes sociais.
Os vídeos mostram o dia a dia de Yandra Mawé, de 6 anos, que cresce entre as culturas dos povos Sateré-Mawé e Ticuna, aprendendo tradições, grafismos e costumes da comunidade instalada no local há quase 30 anos.
De memórias pessoais à repercussão nacional
O perfil de Yandra foi criado em 10 de outubro de 2019, dia em que ela nasceu. Segundo a mãe, Kian Sateré-Mawé, a ideia inicial era apenas guardar lembranças do crescimento da filha.
“Criei o Instagram no dia 10 de outubro de 2019, quando a Yandra nasceu. O objetivo inicial era guardar memórias. Eu não tinha um celular com memória suficiente para armazenar fotos e vídeos, então a rede social se tornou um espaço para registrar o crescimento dela”, contou.
Os registros começaram ainda em 2019, mas o perfil ganhou maior visibilidade a partir de 2024. Nos últimos dias, os vídeos ultrapassaram as fronteiras do Amazonas e chegaram a autoridades nacionais.
Atualmente, o perfil reúne mais de 600 mil seguidores. Nos comentários, moradores da região agradecem pela valorização da cultura local, enquanto pessoas de outras partes do país se encantam com o carisma da menina, que chama os seguidores de “oncinhas”.
O vídeo da tanajura e o interesse pela cultura indígena
Um dos vídeos que mais chamou atenção mostra Yandra falando sobre a tanajura, formiga comum na região que também serve de alimento. A publicação despertou curiosidade e ampliou o alcance do perfil.
Além de mostrar tradições indígenas, a menina também mobilizou apoio para a reforma da escola da comunidade, que estava sem estrutura adequada para atender as crianças.
Para a mãe, a repercussão revelou que o interesse do público vai além da curiosidade e demonstra uma busca por compreender o modo de vida indígena.
Identidade construída entre duas culturas
Kian explica que a identidade da filha é formada pela convivência com duas culturas indígenas distintas, mas complementares.
“Sou Sateré-Mawé e o pai da Yandra é Ticuna. Ela cresce entre essas duas culturas indígenas, aprendendo os ensinamentos, as línguas e os costumes de cada uma”, disse.
A família vive na região desde 1995, quando migrou do rio Andirá e se fixou às margens do Ariaú. O espaço se tornou referência de convivência comunitária e transmissão de saberes tradicionais.
Infância preservada
Apesar da grande visibilidade, Kian reforça que Yandra continua vivendo a infância de forma simples, com sonhos comuns a outras crianças.
Ela também afirma que controla o conteúdo publicado e limita o acesso da filha às redes sociais, com o objetivo de proteger a infância e garantir que a exposição aconteça de forma responsável.
“Quando eu gravo vídeos, eu fico muito alegre, porque eles chegam em muitas pessoas. Quando eu mosto minha vivência para as pessoas, eu fico muito feliz, porque elas aprendem a minha cultura também”, afirmou Yandra.







