Polícia
Caso Débora: Assassinos de jovem grávida e do bebê Arthur Vinicius são condenados após 3 anos de dor da família
Após cinco dias intensos de julgamento no Tribunal do Júri, a Justiça do Amazonas condenou na madrugada desta segunda-feira (1º/6) os dois réus acusados pelo brutal assassinato de Débora da Silva Alves, de 18 anos, que estava grávida de oito meses.
O Conselho de Sentença acolheu a denúncia do Ministério Público do Amazonas (MPAM) e condenou Gil Romero Machado Batista e José Nílson Azevedo da Silva pelos crimes de homicídio qualificado, feminicídio, aborto provocado por terceiro e ocultação de cadáver.
As penas aplicadas foram:
Gil Romero Machado Batista: 63 anos, 7 meses e 19 dias de prisão em regime fechado (condenado por todos os crimes).
José Nílson Azevedo da Silva: 17 anos e 8 meses de prisão (condenado por homicídio qualificado por motivo torpe, com afastamento de outras qualificadoras e do feminicídio).
O julgamento começou no dia 27 de maio de 2026 na 2ª Vara do Tribunal do Júri do Fórum Ministro Henoch Reis e só foi concluído por volta das 2h da madrugada desta segunda-feira. Durante os cinco dias, foram ouvidas testemunhas de acusação e defesa, os réus foram interrogados e ocorreram longos debates entre o Ministério Público e as defesas.
Os promotores de Justiça Timóteo Ágabo Pacheco de Almeida e André Epifânio Martins foram responsáveis pela acusação, sustentando que os réus agiram em conjunto com extrema crueldade.
Relembre o crime
Débora da Silva Alves desapareceu no dia 29 de julho de 2023, após sair de casa para encontrar Gil Romero Machado Batista, apontado como o pai do bebê. Segundo a denúncia do MPAM, a jovem foi asfixiada com fios, o bebê (nascituro) também foi morto, e em seguida o corpo de Débora foi queimado, colocado dentro de um tonel e ocultado em um matagal na Zona Leste de Manaus, próximo a uma usina.
Para dificultar as investigações, os criminosos ainda teriam retirado o útero e o feto do corpo da vítima. O corpo carbonizado de Débora foi encontrado cinco dias depois. Os restos do bebê, identificado como Arthur Vinicius, só foram confirmados por exame de DNA meses após o crime, em dezembro de 2023, pelo Instituto de Criminalística do Amazonas, após serem encontrados pela família de Débora, no feriado do dia dos finados, quando a família da jovem resolveu ir até o local da morte de Deborá, para acenderem algumas velas no local onde o corpo da jovem havia sido encontrado carbonizado.
As provas contra os acusados incluem: confissão em sede policial, imagens de câmeras de segurança, rastreamento de celulares, laudos periciais (antropológico e de corpo de delito), certidão de óbito e depoimentos de testemunhas.
Reação da família
O pai de Débora, José Júnior, acompanhou todo o julgamento e, ao final, declarou emocionado: “Hoje eu vi que a Justiça não falha”.
A família vinha cobrando há quase três anos a punição dos responsáveis e pediu pena máxima durante todo o processo.









