Polícia
Advogado é preso em Manaus por estuprar as próprias filhas e uma criança de 10 anos
Um advogado de 43 anos foi preso preventivamente na tarde da última quinta-feira (9/7) em um apartamento no bairro Tarumã, Zona Oeste de Manaus. Ele é suspeito de estupro de vulnerável contra as próprias filhas, hoje com 14 e 15 anos, e contra uma criança que tinha apenas 11 anos na época dos fatos, filha de uma ex-babá que trabalhava na residência da família.
A ação da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) revela um caso chocante de abuso intrafamiliar. A Justiça do Amazonas decretou a prisão preventiva na quarta-feira (8/7), após indícios de que o suspeito teria cometido ao menos oito crimes, incluindo cinco episódios de estupro de vulnerável em Manaus, Brasília e São Paulo.
Detalhes dos abusos relatados pelas vítimas
A mãe da adolescente de 14 anos, que mora em São Paulo há sete anos e está divorciada do advogado há oito, viajou às pressas para Manaus após tomar conhecimento dos fatos. Segundo ela, a filha contou ao irmão de 16 anos que sofria abusos desde 2025, quando tinha 13 anos e morava com o pai em Brasília, Distrito Federal.
“Ele ficava falando que ela tinha que dormir com ele, a roupa que ela tinha que usar, ele ficava bem em cima dela mesmo. Ela era acordada à noite com ele passando a mão nas partes íntimas”, relatou a mãe em entrevista a jornalistas. A mãe afirma que o ex-marido dopava a menina com remédios controlados para dormir e a ameaçava de morte para que não contasse nada.
Os abusos teriam se intensificado após o irmão da vítima sair da casa do pai para morar com a avó. A adolescente de 14 anos confidenciou o ocorrido à irmã de 15 anos, que relatou ter vivido situação semelhante. As duas são filhas de mães diferentes, de relacionamentos anteriores do advogado.
Além das filhas, a investigação apura o estupro de vulnerável contra a filha de 11 anos (na época) de uma ex-babá que trabalhava na casa da família.
A juíza plantonista Priscila Pinheiro Pereira destacou na decisão a “riqueza de detalhes, espontaneidade e contextualização” dos relatos das vítimas, que conferem credibilidade às acusações. Segundo a magistrada, o suspeito adotava um padrão reiterado: usava relações de confiança, suposta administração de medicamentos, ameaças e intimidação. Há indícios de que ele coagiu uma das adolescentes a gravar vídeos negando os abusos e utilizou supostas incorporações de entidades espirituais para ameaçá-la de morte.
Prisão, buscas e medidas protetivas
Além da prisão, a Justiça autorizou buscas e apreensões no apartamento do suspeito, quebra de sigilo telemático (de dezembro de 2025 até agora) e medidas protetivas em favor das vítimas e testemunhas, proibindo qualquer aproximação ou contato.
Ao chegar à delegacia, o advogado negou todos os crimes. “Nunca. Eu sou um exemplo de pai”, disse. Ele também negou ter coagido as filhas e atribuiu as acusações a “um conflito familiar muito grande”.
Histórico anterior e posicionamento de OAB e PC-AM
O advogado já respondia a investigação por descumprimento de medida protetiva contra a ex-esposa. Em nota, a Polícia Civil repudiou a conduta dele em episódio anterior na delegacia, onde teria perturbado o atendimento a mulheres em situação de vulnerabilidade.
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas (OAB-AM) informou que os crimes são alheios ao exercício da profissão e que o advogado foi exonerado da função que ocupava na instituição. O presidente da Comissão de Prerrogativas, Alan Jhonny, reforçou que a prisão não antecipa julgamento.









