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Manaus, AM, domingo, 7 de junho de 2026

Polícia

Operação Erga Omnes: Polícia civil desarticula organização criminosa que movimentou mais de R$ 70 milhões em 4 anos

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A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), por meio do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), deflagrou nas primeiras horas da manhã desta sexta-feira (20/02) a Operação Erga Omnes, que resultou na desarticulação de uma organização criminosa investigada por atuação estruturada nos crimes de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e violação de sigilo funcional.

As investigações apontam que o grupo movimentou mais de R$ 70 milhões ao longo de um período de quatro anos, operando de forma articulada e com ramificações em diversos estados do país, o que exigiu uma ação integrada entre diferentes forças de segurança.

Operação Erga Omnes – Imagem: Divulgação

Esquema interestadual e infiltração no poder público

A operação contou com o apoio das polícias civis dos estados do Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, São Paulo e Piauí. A cooperação interestadual foi fundamental após a identificação de conexões financeiras e operacionais que extrapolavam as fronteiras do Amazonas.

Durante coletiva de imprensa, o delegado Alessandro Albino, diretor do Departamento de Polícia Metropolitana (DPM), destacou que o foco principal da ofensiva foi o combate à lavagem de dinheiro vinculada ao tráfico de drogas, sobretudo quando associada à participação de servidores públicos.

Segundo ele, a operação obteve êxito com prisões realizadas em praticamente todos os estados envolvidos, inclusive no Amazonas, reforçando o alcance nacional da organização criminosa.

Operação Erga Omnes – Imagem: Divulgação

Investigação começou em 2025

De acordo com o delegado Marcelo Martins, titular do 24º DIP, as investigações tiveram início em agosto do ano passado, a partir de indícios de movimentações financeiras suspeitas.

Relatórios produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelaram transações de alto valor realizadas por servidores públicos que, conforme apurado, atuavam em colaboração com o crime organizado. Essa parceria ocorria de diferentes formas, desde suporte logístico para operações do tráfico até a facilitação de acesso a estruturas da administração pública e o repasse de informações sigilosas que favoreciam o grupo.

Mandados, prisões e bloqueios

No cumprimento das ordens judiciais, foram executados 13 mandados de prisão, sendo oito no Amazonas, além de 24 mandados de busca e apreensão distribuídos entre os sete estados envolvidos na operação.

Durante a ofensiva policial, foram apreendidos veículos e determinados bloqueios de contas bancárias, bem como o sequestro de valores vinculados aos investigados e a empresas de fachada utilizadas pelo grupo para ocultar a origem ilícita do dinheiro.

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Operação Erga Omnes – Imagem: Divulgação

Empresas fantasmas e rota do tráfico

As investigações identificaram que empresas fictícias eram peças-chave no funcionamento da engrenagem criminosa. Elas eram utilizadas para operacionalizar financeiramente o tráfico de drogas em âmbito nacional.

Segundo a autoridade policial, os entorpecentes eram adquiridos na região de Tabatinga, na tríplice fronteira, e os valores eram movimentados por meio de empresas sediadas no Amazonas e no Pará. Posteriormente, a droga era distribuída para outros estados brasileiros, ampliando o alcance da organização.

Envolvimento de agentes públicos

Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi a infiltração do grupo em diferentes esferas do poder público. Foram identificadas conexões com agentes vinculados aos níveis municipal, legislativo, executivo e até do Poder Judiciário.

A apuração também revelou a participação de ex-assessores com atuação na área da advocacia, além de servidores lotados em setores estratégicos de órgãos públicos, que atuavam facilitando demandas internas da organização e garantindo trânsito institucional para seus interesses.

Provas extraídas de celular

A robustez do esquema ficou ainda mais evidente após a extração de dados de um aparelho celular apreendido durante a investigação. No conteúdo analisado, o líder da organização afirmava possuir influência em diversos órgãos e demonstrava não temer eventual prisão.

Conforme relatado pelo delegado Marcelo Martins, o investigado se vangloriava da rede de proteção que mantinha, alegando que realizava pagamentos regulares para assegurar apoio e blindagem institucional. Amparado por essa estrutura, ele transmitia aos demais integrantes uma sensação de segurança e continuidade das atividades ilícitas.

Operação Erga Omnes – Imagem: Divulgação

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