Polícia
Vídeo: Mãe atípica é agredida em espaço infantil do Amazonas Shopping, entenda
Susy Mary Pedrosa, mãe de duas crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), gravou um vídeo denunciando ter sido fisicamente agredida no sábado, 1º de agosto de 2026, em um espaço de recreação infantil no Amazonas Shopping, na zona centro-sul de Manaus.
Vídeos que registraram o episódio viralizaram nas redes sociais e geraram ampla repercussão e debates sobre capacitismo, falta de empatia e a necessidade de maior conscientização sobre inclusão de pessoas neurodivergentes.
Segundo o relato da mãe e nos registros divulgados por ela, o filho Miguel estava brincando quando uma outra criança começou a gritar, então a mãe temendo que o filho tivesse uma crise sensorial desencadeada pelos barulhos, em particular, os gritos da outra criança, ela então pediu que a monitora deixasse ela entrar para retirar o filho do brinquedo. A outra criança ainda gritava próximo ao ouvido do filho Miguel, que chegou a dizer que os gritos estavam doendo. Quando já estava deixando o brinquedo com o filho, foi surpreendida com outra mãe agredindo Miguel.
Na ocasião, Susy relatou que tentou explicar a condição do filho, mas foi coverdemente agredida por responsáveis da outra criança, que seriam, a mãe, avó e o padastro.
Em outro vídeo, Susy mostra as lesões que sofreu, incluindo mordidas, arranhões, enforcamento e fratura em um dos dedos da mão. No registro desesperado, Susy pede apoio e destaca que o filho também ficou desprotegido durante a confusão, chegando a correr pelo shopping com medo.
Investigações e versões
O caso foi registrado no 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP) de Manaus. Susy formalizou denúncia por lesão corporal e capacitismo. Há informações de que as outras pessoas envolvidas teriam registrado boletim de ocorrência antes mesmo da vítima, alegando serem as verdadeiras vítimas da situação.
A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) requisitou as imagens do circuito interno de segurança do shopping para esclarecer a dinâmica dos fatos e individualizar as condutas. O exame pericial deve documentar as lesões relatadas.
De acordo com informações de portais locais, o Amazonas Shopping, teria emitido nota, informando que registrou a ocorrência na área do parque infantil, que a equipe de segurança agiu prontamente, conteve a situação, conduziu os envolvidos a um espaço de atendimento e acionou as autoridades competentes. O empreendimento lamentou o episódio e se colocou à disposição para colaborar com as apurações, reforçando o compromisso com a segurança dos clientes.
Repercussão e apoio
O caso viralizou e gerou solidariedade de famílias atípicas, além de críticas à falta de preparo da sociedade para lidar com crises sensoriais comuns no TEA. Susy destacou, em depoimentos, o preconceito enfrentado: mensagens ofensivas nas redes e o medo que muitas mães têm de frequentar espaços públicos com filhos neurodivergentes. Ela defende mais informação e empatia.
A Frente Parlamentar em Defesa da Pessoa com TEA da Câmara Municipal de Manaus interveio para oferecer suporte jurídico e psicossocial, atuando como ponte para cobrar celeridade das autoridades. Canais como a Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA) e o Disque 100 (Disque Direitos Humanos) são apontados como caminhos para denúncias de violência e capacitismo envolvendo pessoas com deficiência.
O governador do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil), comentou durante coletiva de imprensa nesta segunda-feira (3) a denúncia feita Susy. O governador, que também é pai atípico, lamentou o episódio e defendeu mais atenção às famílias de crianças atípicas. “É lamentável a gente ver situações como essa. A gente tem que divulgar, cobrar e tomar as medidas necessárias. Vamos criar uma secretaria para crianças atípicas, ter um olhar muito sensível e sempre estar atualizado nos tratamentos que são realizados no mundo e dar um tratamento adequado às nossas crianças”, declarou.
O episódio evidencia a urgência de políticas de inclusão, capacitação de profissionais de espaços públicos e conscientização ampla sobre o Transtorno do Espectro Autista. Enquanto as investigações seguem, a expectativa de familiares e ativistas é de que o caso contribua para avanços reais no respeito às diferenças e na proteção de mães e crianças atípicas.








