Desemprego e atendimento médico precário são comuns entre indígenas que vivem em Manaus

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R√°dio Nacional da Amaz√īnia veiculou a segunda mat√©ria, da s√©rie de cinco previstas nesse m√™s de abril, sobre a situa√ß√£o dos √≠ndios nos tempos atuais. O especial √© distribu√≠do pela Radioag√™ncia Nacional.

A matéria mostra as dificuldades enfrentadas pelos indígenas que migraram para Manaus. Na capital amazonense, eles somam entre 15 mil e 20 mil indígenas, de diversas etnias.

H√° muito tempo, a floresta amaz√īnica deixou de ser o lar de milhares de ind√≠genas. A escassez de alimentos, o desmatamento e o avan√ßo das cidades sobre as matas s√£o alguns fatores que motivaram esses povos tradicionais a migrar para √°reas urbanas.

Em Manaus, eles podem ser encontrados em v√°rios lugares. Segundo o presidente da Funda√ß√£o Estadual do √ćndio, Raimundo Atroari, a estimativa √© de 15 mil a 20 mil ind√≠genas de diversas etnias vivendo em contexto urbano.

‚ÄúAcredito que 90% de todos os bairros de Manaus t√™m ind√≠genas morando. Agora com uma popula√ß√£o maior, n√≥s temos alguns: o bairro das Na√ß√Ķes Ind√≠genas, uma √°rea com mais de 700 fam√≠lias; o Parque das Tribos, com mais de mil fam√≠lias e Sol Nascente, que √© uma √°rea com mais de 300 fam√≠lias‚ÄĚ, afirma Atroari.

A antrop√≥loga L√ļcia Helena Rangel, da Pontif√≠cia Universidade Cat√≥lica de S√£o Paulo (PUC-SP), confirma que √© comum os ind√≠genas, mesmo em √°reas urbanas, viverem em comunidade.

Apesar de buscarem melhores condi√ß√Ķes de vida na cidade, a maioria dos ind√≠genas tem dificuldade de conseguir emprego. A principal renda deles vem do artesanato. √Č o que conta o tuxaua ou cacique Mois√©s Sater√©, l√≠der de uma comunidade, em Manaus, onde vivem 14 fam√≠lias.

Mois√©s Sater√© acrescemta que a grande maioria dos ind√≠genas permanece na aldeia trabalhando com artesanato. ‚ÄúA gente consegue gerar uma renda, mais no m√™s de abril, quando o p√ļblico procura. Fora isso a gente fica dependendo de doa√ß√Ķes.‚ÄĚ

O cacique tamb√©m reclama das dificuldades para acessar os servi√ßos de sa√ļde p√ļblica. ‚ÄúAs vezes a gente n√£o consegue esse atendimento porque muitos profissionais desconhecem a nossa realidade e acabam tendo preconceito com a gente.‚ÄĚ

De acordo com o presidente do Conselho Distrital de Sa√ļde Ind√≠gena de Manaus, Ronaldo Barros, da etnia maragu√°, as pol√≠ticas p√ļblicas de sa√ļde que existem s√£o voltadas para os ind√≠genas nas aldeias. Os que vivem nas cidades enfrentam os mesmos problemas que o restante da popula√ß√£o. ‚ÄúEle entra no mesmo processo de disputa por vagas e atendimento, da mesma forma que os n√£o ind√≠genas enfrentam nas √°reas urbanas. N√£o h√° uma pol√≠tica espec√≠fica nos munic√≠pios para tratar a sa√ļde ind√≠gena‚ÄĚ, afirma.

Ainda de acordo com Raimundo Atroari, a Funda√ß√£o Estadual do √ćndio desenvolve projetos para ajudar na gera√ß√£o de renda dos ind√≠genas dentro das aldeias, como uma alternativa para evitar a migra√ß√£o deles para os centros urbanos.

A Matriz Econ√īmica Ambiental foi lan√ßada pelo governo do Amazonas em fevereiro deste ano para desenvolver a economia do estado utilizando os conhecimentos dos povos tradicionais.

Parque das Tribos, Tarum√£ - Imagem:  Alberto C√©sar Ara√ļjo
Parque das Tribos, Tarum√£ – Imagem: Alberto C√©sar Ara√ļjo

Fonte: Agencia Brasil

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