Amazonas
Irara com coloração rara é flagrada às margens de estrada no Amazonas
Uma irara com coloração incomum foi registrada às margens de uma estrada no Amazonas e chamou a atenção de pesquisadores e amantes da vida selvagem. O animal, da espécie Eira barbara, apresentava a pelagem em tons claros de creme e amarelo, característica considerada rara na natureza.

Irara com coloração rara é flagrada às margens de estrada no Amazonas – Foto: Caio Osoegawa
O registro foi feito pelo médico e observador de aves Caio Osoegawa durante o retorno de uma viagem ao município de Presidente Figueiredo, na Região Metropolitana de Manaus.
Segundo Caio, o flagrante aconteceu de forma inesperada enquanto ele seguia viagem com a esposa, Raissa.
“Fomos até a região para fotografar o galo-da-serra e, no retorno para Manaus, minha esposa chamou minha atenção para um animal à beira da estrada. A princípio pensamos se tratar de um gato doméstico, mas rapidamente percebemos que era algo diferente”, relatou.
Com a câmera em mãos, ele conseguiu registrar o momento antes de o animal desaparecer na mata.
“Quando olhei através da câmera percebi que era uma irara bem diferente. Ela ficou nos encarando por um tempo e depois sumiu na floresta. Foi algo super inesperado e inesquecível”, contou.
A irara é um mamífero carnívoro da família dos mustelídeos, a mesma das lontras e furões, e costuma ter pelagem escura. Apesar de estar distribuída por regiões da América Central e da América do Sul, o animal raramente é visto de perto na natureza, o que torna o registro ainda mais incomum.
De acordo com a diretora do Museu Biológico do Instituto Butantan, Dra. Erika Hingst-Zaher, o caso reúne duas raridades: o avistamento direto do animal e a coloração atípica.
“Elas são animais ágeis, discretos e pouco tolerantes à presença humana. Só o encontro frente a frente já é incomum. Somado a isso, há a coloração diferenciada, o que torna o registro particularmente notável”, explicou.
Especialistas acreditam que a alteração na pelagem esteja relacionada a uma mutação genética rara. Sem exames laboratoriais, ainda não é possível confirmar se o caso é de leucismo, condição que reduz a pigmentação, ou de xantocromismo, quando há predominância de pigmentos amarelados.
Segundo Erika, o animal apresenta características compatíveis com registros anteriores de iraras leucísticas no Brasil, como olhos com pigmentação normal e parte da máscara facial escura preservada.
Apesar de rara, essa condição já foi observada outras vezes no país. Até 2024, ao menos 18 ocorrências semelhantes haviam sido documentadas no Brasil, principalmente na região amazônica.
Os pesquisadores destacam que a mutação não é considerada uma doença e não representa, necessariamente, fragilidade para o animal. Trata-se de uma característica genética recessiva herdada dos pais.









