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Mulher que se passou por adolescente em diferentes estados alega transtornos mentais em depoimento
A Polícia Civil de Santa Catarina investiga uma mulher de 38 anos acusada de utilizar identidades falsas e se passar por adolescentes em diferentes estados brasileiros ao longo dos últimos anos. Identificada como Amanda Maria Souza de Oliveira, ela foi presa no dia 2 de junho, em Joinville, e se tornou ré pelos crimes de estelionato e falsa identidade.
Segundo as investigações, Amanda teria vivido durante 14 meses com uma família da cidade catarinense, apresentando-se como uma menina de 12 anos. Durante esse período, recebeu acolhimento, assistência médica e participou da rotina familiar como filha adotiva.
Em depoimento às autoridades, a acusada afirmou possuir histórico de transtornos psiquiátricos desde a adolescência. Ela relatou ter realizado tratamentos em unidades de saúde mental no Ceará, incluindo atendimentos em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e no Hospital de Saúde Mental de Messejana, em Fortaleza.
Diante das alegações, a Justiça de Santa Catarina determinou a realização de um exame de sanidade mental, marcado para o dia 26 de junho. O objetivo é avaliar sua condição psicológica e verificar sua capacidade de entendimento e responsabilização pelos atos praticados.
De acordo com a investigação, Amanda utilizava diferentes nomes e construía histórias de abandono, violência e abusos para sensibilizar famílias, instituições religiosas e órgãos de proteção social. Os relatos mobilizavam redes de apoio que ofereciam abrigo, assistência e suporte emocional.
Em Joinville, a mulher teria convencido uma família de que era uma pré-adolescente em situação de vulnerabilidade. A relação foi tão próxima que os responsáveis chegaram a organizar uma festa de aniversário de 12 anos e custear tratamentos médicos.
Outros episódios semelhantes foram registrados em diferentes cidades do país. Em Chapecó (SC), ela teria utilizado a identidade de uma adolescente chamada Melissa para buscar acolhimento em uma igreja. Já em Florianópolis, durante permanência em uma instituição de acolhimento, exames médicos realizados no Hospital Infantil Joana de Gusmão identificaram a presença de agulhas inseridas em seu corpo.
As investigações apontam ainda ocorrências no Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. Em cada local, Amanda teria adotado novos nomes e idades, sempre apresentando versões de histórias marcadas por supostos abusos, abandono familiar ou doenças graves.
No Rio de Janeiro, ela chegou a ser presa em flagrante em 2023. Posteriormente, foi condenada por falsidade ideológica em 2025, após novos episódios envolvendo identidades falsas.
Agora detida em Santa Catarina, Amanda responderá pelos crimes investigados enquanto a Justiça aguarda o resultado da perícia psiquiátrica, que poderá influenciar os desdobramentos do processo.
Identidades e histórias utilizadas, segundo as investigações
Santa Catarina (Joinville, Chapecó e Florianópolis): utilizava os nomes Gabi, Gabriele e Melissa, alegando ter 12 anos.
Paraná: apresentava-se como Emily, de 13 anos, e afirmava enfrentar uma doença grave.
Rio de Janeiro: utilizava o nome Duda e relatava supostos abusos familiares.
Minas Gerais: adotava os nomes Ana Clara e Karol, dizendo ter 13 anos e ter fugido de situações de violência.
São Paulo (Jundiaí): identificava-se como Ana Clara dos Santos, afirmando ser vítima de exploração e abuso.

Mulher que se passou por adolescente em diferentes estados alega transtornos mentais em depoimento- Foto: Reprodução









